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O GURU DA ERA PRÉ-INTERNÉTICA
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com

Luiz Carlos Maciel é um dos poucos filósofos brasileiros e durante a Era Pré-Internética foi um guru a muitas cabeças que passaram a ser pensantes depois de ler seus livros. Eu particularmente. Maciel bebeu na fonte dos pensadores modernos e escutou o mesmo que nós naquela Era. E nós precisávamos comprar livros ou pedir emprestado, pegar “jornaizinhos” mimeografados, principalmente. Cultura era de mão em mão, de boca em boca, cabeça-a-cabeça... Literalmente. Tudo tinha um porque, tudo tinha um motivo, tudo tinha um objetivo. Queríamos mais, queríamos tudo, que o mundo era pouco. Achávamos o mundo louco e não sabíamos que ele enlouqueceria mais ainda. Tínhamos flores nos cabelos e medalhas com o símbolo da paz no pescoço, feita a mão, não comprada em butiques caras. Consumíamos cultura por querer saber, por desejo de conhecimento. E sabíamos o que queríamos fazer com o conhecimento adquirido: queríamos mudar o mundo, não cuspir nele, queríamos mudar a mente das pessoas com som e libertar carnes e espíritos. Não matar. Éramos humanistas por padrão, mesmo sem saber.

Deixo a seguir um outro texto, escrito há bastante tempo, sobre um livro de Maciel, escrito em 1978 e que ainda guardo comigo. Maciel é no mínimo o Guru da Era Pré-Internética.

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A Morte Organizada de Luiz Carlos Maciel

Em 1978 ainda se tinha um pouco daquele sonho de liberdade e iniciado em Woodstock, John Lennon ainda vivia, Raul também. E muitos outros. O Brasil ainda vivia sob a chibata da ditadura militar. A cultura "Rock" era exclusiva e fechada.

Foi naquele ano que comprei um livro que viria a mudar minha maneira de pensar o mundo. John e Raul já tinham feito um pouco por isso no inicio da minha adolescência. Mas agora era diferente. O livro: "A Morte Organizada". O autor, Luiz Carlos Maciel, do qual tinha lido alguma coisa no Pasquim e na Rolling Stone Brasileira.

O livro foi uma porrada em minha cabeça. Li, reli, tornei a reler. Durante muito tempo só fiz isso. E pensei sobre isso. A porrada já começava nas citações de abertura: Buda, I-Ching e Castaneda. Em "Encruzilhada da Contracultura", ele iniciava da seguinte forma: "O sonho acabou? o diagnóstico de John Lennon implica em sua própria negação; a síntese é o caos. Os sonhos acabam, o pesadelo continua."

Depois de textos sobre contracultura, futuro do Rock, existencialismo, vinha a melhor análise sobre cultura musical que eu já li: "Espesso Como Um Tijolo", sobre "Thick as A Brick" do Jethro Tull. A obra de Ian Anderson, a maneira como ela é contada no próprio disco - como se fosse o trabalho de um garoto de 8 anos -, é analisada por Maciel de uma forma clara, cristalina, mas "espessa como um tijolo".

Mas a maior tijolada ainda estava por vir: "Origem da Ciência", bebia direto na fonte de Allan Watts e desmascarava o mito da ciência como verdade absoluta. Uma série de poemas magníficos, como "Poemas de Exorcismo" ("Não encontro as palavras/A surpresa das coisas me confunde./Não sei o que sabia/...)" Os desenhos de Lapi formam também a moldura desse quadro. O tempo passou, já se foram quase vinte anos. Muitos livros e atropelos depois, encontro de novo "A Morte Organizada". Releio de novo. E a tijolada é a mesma!!! Onde anda você, Maciel?

"A Morte Organizada" - Luiz Carlos Maciel Editora Ground - 1978 (25/6/1996)
28/10/2008
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.861 - Livro 974 - Folha 209

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