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RESSUCITAR O SONHO
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com

É, meu amigo, sonhos são coisas interessantes. Falamos muito sobre eles, mas realizamos muito pouco. Mas na Era Pré-Internética, era comum as pessoas sonharem. E sonharem não apenas para e por si próprias. A coisa do “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.” Que Raul Seixas falou. Ele, Raul, que como muitos , uma legião enorme, aprendeu o sentido do sonho coletivo pelas palavras de John Lennon. Um ex rebelde juvenil de uma cidade minúscula da Inglaterra, ex-guitarrista de uma das mais famosas e importantes bandas de Rock de todos os tempos, John Winston Lennon podia ficar de boca fechada e curtir sua grana em paz, deitar na cama da fama que ajudou a criar e ficar quieto. Mas preferiu o sonho coletivo. Mas pagou caro, muito caro por sua decisão: morto com um tiro na cabeça por um fã... Então, o garoto vai falar: “Então, é isso aí. Por isso que não estou nem ai pra ninguém...” Errado, meu caro, errado muito errado! Não é mesmo preciso morrer, não somos carneiros nem cristos, isso é verdade. Mas precisamos viver. E viver ninguém vive sozinho, disso pode ter certeza. Então porque não tornarmos, através de nossas atitudes e palavras a existência daqueles que são obrigados também a nos aturar melhor. E por tabela a nossa própria?

A homenagem em dois momentos a seguir, ainda mantenho no coração. John Lennon sonhou e morreu na Era Pré-Internética. Imagine então, os sonhos de Lennon propagados pelas ondas na “Rede Mundial de Computadores”...


--- O Sonho Acabou de Ser Assassinado

Confirmando a notícia dada durante toda a madrugada: John Lennon foi assassinado a tiros ontem à noite, na porta do edifício onde morava em Nova York."

Em 8 de dezembro de 1980 meu mundo e minhas necessidades eram restritas a pouco mais de 2 metros quadrados, onde existiam um colchão colocado diretamente sobre o chão e uma estante de madeira junto a ele onde permaneciam meus amassados e rabiscados livros e meus discos de vinil, centenas deles, que eram escutados num três-em-um. Os sonhos não precisavam de espaço maior e eram alimentados certamente por centenas de músicas de John Lennon.

Naquele dia, como todos, a primeira coisa que fiz ao acordar foi apertar o "power" do três-em-um que ficava sintonizado na Bandeirantes FM, que naquela época tinha uma programação totalmente alternativa. A voz de Antonio Celso leu a notícia acima, com uma carga de tristeza que jamais eu esquecerei. Justamente Antonio Celso, que fez história no Rádio brasileiro como apresentador de rádios musicais pré-FM, e que tinha um visual muito parecido ao de John.

Senti aquela bala disparada por aquele maluco perfurando a minha cabeça e vi todos os meus sonhos caírem mortos ao chão misturados a poça de sangue que saia da cabeça daquele homem que, juntamente com Raul Seixas, me ensinara a sonhar e a pensar.

Fiquei ali, parado, pasmo... Sem saber ao certo que sentimento ter. Ódio, por aquele homem enlouquecido que ao querer ser igual seu ídolo, provavelmente chegou a conclusão que não existia espaço para os dois e que, já que em sua loucura acreditava ser ele o real, decidiu que o outro tinha que morrer.

John não era um grande músico, mas tinha sonhos e eu também era assim. Ele me ensinou a respeitar as mulheres, com "Woman", me mostrou que mesmo um cara "meio esquisito" tem direito a sensibilidade, em "Jealous Guy", a começar a imaginar um mundo melhor em "Imagine", a perguntar o porque das coisas em "How"... Tantas coisas e tantos sonhos que, naquele momento a frase que Antonio Celso poderia ter lido seria a seguinte:

Confirmando a notícia dada durante toda a madrugada: “O Sonho acabou de ser assassinado a tiros ontem à noite, na porta do edifício onde morava em Nova York.” (03/05/2001)


O Sonho Acabou de Ser Assassinado
Carlos Cichetto

Estou certo que ele lutou por sua existência
Quando bruscamente lhe a atiraram a tiros
Porque ali acabaria seu sonho de resistência
Junto com seus últimos dolorosos suspiros
Quando arrombaram a porta de sua consciência

A poucos passos do grande portão de correr
Tiros alcançaram aquele homem que parado
Sem tempo de balbuciar a palavra morrer
Caiu dentro da bacia de sangue coagulado
Que de seu corpo agora começara a escorrer

Ele jamais teria tempo de perguntar
Ao seu assassino o porque daquele ato
Ou ao menos de dizer deixa estar
Que um da iremos acertar um pacto
Então poderei por isso lhe perdoar

Gritos femininos orientais ecoaram no ar
Tendo ao fundo um matador a discorrer
Que porque o ama poderia então lhe matar
Alguns disseram deixam o sangue correr
Enquanto com essas coisas pudermos ganhar

Uma das balas atingiu sua peluda cabeça
Que coisas belas e boas imaginou por nós
A morte lhe apanhou antes que aconteça
Uma coisa que o transformaria em algoz
Daqueles que esperam que o bem desapareça

Imagine apenas uma sociedade sem assassinatos
Que eu lhe direi que é apenas sua imaginação
Porque a morte dentro do ser humano é inato
Enquanto existir neste planeta qualquer nação
Que tenha um legislador chamado Poncio Pilatos

Aqueles bichos que lhe pareciam causar doenças
São aqueles mesmos que agora trajados de terno
Discorrem que por qualquer coisa que aconteça
Jamais poderão esquecer daquele poeta eterno
Que sempre procurou sonhar com nossa cabeça

Eu sonhei com ele galantemente montado
Sobre um animal pelos nossos doces mares
Quando acordei o sonho tinha acabado
Com pedaços de seu cérebro pelos ares
Pelas balas que ele tinha contra lutado

Retalharam seu corpo alugando os pedaços
Depois o embalsamaram colocando em um museu
Sem esquecer daquela parte de seu braço
Que lutou até a morte em um moderno Coliseu
Contra ursos que mandam apertados abraços

O que nos resta neste momento é chorar
A morte desse ser que nos deixou de bobeira
Sonhando com um mundo sem sangue a derramar
Suas roupas rasgadas serão a nossa bandeira
Com que conquistaremos a liberdade de sonhar.
(9/12/1980)
27/10/2008
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.861 - Livro 974 - Folha 209

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