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2015 - Barata e Aranha; Rock In Poetry and Rick'n'Roll; a Volta e Revolta na Galeria Olido; Muqueta na Oreia Sem Flores Nem Fogo; E o Fim Trágico da Gatos & Alfaces. Jesus Não Tem Dentes no País...
O que era para ser o ano da definitiva sedimentação da Gatos & Alfaces, se torna o de seu sepultamento. Depois de duas edições da revista, incluindo uma totalmente colorida, e três do evento, chega ao final um projeto, mais que isso, de um sonho. Lançamento de Troco Poesia Por Dinamite

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"2015 (MMXV, na numeração romana) foi um ano comum do Século XXI que começou numa quinta-feira, segundo o calendário gregoriano. A sua letra dominical foi D. A terça-feira de Carnaval ocorreu a 17 de fevereiro e o domingo de Páscoa a 5 de abril. Segundo o Horóscopo Chinês, foi o ano da Cabra, começando a 19 de fevereiro. O ano teve mais um segundo que foi acrescentado à meia-noite do último dia de junho. Neste ano, ocorreram diversas realizações esportivas, como os Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto e a Copa do Mundo de Rugby de 2015, na Inglaterra, além do anúncio da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos anunciou que 2015 foi o ano mais quente desde 1880, ano em que começaram a existir registros."
Escrito e Publicado por Barata Cichetto em 21/9/2018

O início de 2015 foi literalmente duro e pesado. Desde o ultimo trimestre do ano anterior, eu tinha iniciado a construção de uma pequena casa no terreno de meus pais. Durante cinco anos moramos em Guaianases, mas a proprietária, pilantra, assim que concluímos praticamente uma reforma, gastando muito tempo e trabalho, decidiu pedir que desocupássemos, e como não podíamos financiar, e o preço de aluguel, naquele momento era muito alto, achamos que a melhor solução seria essa, até por que poderíamos ficar perto de meus pais, idosos, e colaborar.

A gente não tinha dinheiro, então pedimos empréstimos e contratei um pedreiro apenas para a obra bruta, paredes, telhado e hidráulica. O restante eu mesmo faria. O pedreiro tinha começado a trabalhar logo na segunda-feira após o Rock In Poetry, no final de Setembro, e já nas primeiras horas de trabalho rolou um encrenca feia com meu pai, por conta de meio metro que eu queria para seguir meu projeto, e ele tinha ali uma pia imunda que servia apenas para lavar gaiolas de passarinhos. Aquilo teria que ser o bastante para que eu recuasse, mas como nossas opções eram nulas, continuei. A esperança é que as coisas se ajeitassem, esperança essa que nunca se concretizou. Naquele mesmo dia eu participei de uma coisa que não gosto muito, que é Sarau. Especialmente esses guiados por interesses políticos, cheios de poetas de chapéu e suspensório, que leem sua poesia como se fossem uma mistura de Paulo Autran com um mendigo. É sempre muito ridículo, e só não foi pior por que ter encontrado um poeta do meu naipe, o Guilherme Ziggy Mendonça. A gente ria na calçada desses palhaços.

Por conta das obras, que além de carregarem todo e qualquer moeda que a conseguíssemos, minha saúde, por conta de muito esforço físico, começou a ficar abalada. Erguendo uma lata de pedras, estourei o ciático e comecei a sentir dores horrorosas. Mas tínhamos mudado no final do ano, ainda com andaimes dentro de casa e o pedreiro deixando cair cimento sobre meu computador. Por conta de tanta sujeira, acabei até perdendo uma placa de computador, e muitos objetos, como discos de vinil, se estragaram.

As coisas, entretanto, precisavam seguir em frente. Eu tinha ficado muito animado com o evento na Galeria Olido, e a parte estar sem dinheiro e cansado, sabia que era preciso fazer algo logo, para que aquilo não caísse no esquecimento,

Depois das loucuras de lançamentos de livros de 2012 e 13, e em função do trabalho intenso com a Gatos & Alfaces, eu tinha acalmado, mas tinha muita coisa escrita e tinha um belo nome para meu próximo livro: "Troco Poesia Por Dinamite". Assim, entre pregos, pedaços de madeira, dedos sangrando por marteladas e muita poeira, comecei a selecionar os poemas e diagramar. A capa e a contracapa também estavam definidas: a frente seria o "scan" de uma radiografia craniana que eu tinha feito no ano anterior, e a contracapa, claro, aquele quadro que eu tinha comprado à amiga Nua Estrela, o "Jesus Woman"

Depois de pronta pré-diagramação pedi a duas pessoas para fazerem prefácios. O primeiro era o amigo Esdras, que eu tinha conhecido na Blue Sonic, e que é um sujeito que, além de ser filósofo e psicanalista, tem uma cultura geral absurda. Comentei com ele que seria interessante ter minha poesia analisada por um psicólogo, até baseado na frase do próprio Freud "Seja onde eu for, um poeta já estive antes." Fiquei ansioso, mas Esdras, um eterno fanfarrão, depois de me mandar um texto me esculhambando, mandou outro, bem mais "light". A segunda pessoa, foi justamente o Pessoa. Não o Fernando, claro, mas o Ciro, cofundador dos Titãs e de uma banda que eu admirava muito nos anos 1980, a "Cabine C", que entre outras coisas é também um grande poeta. Ciro aceitou e mandou um prefácio que me deixou muito orgulhoso.

"Troco Poesia Por Dinamite" ficou pronto em poucas semanas, e nessa mesma época sai uma entrevista comigo no fanzine do Fábio da Silva Barbosa, o "Reboco Caído". Aliás, naquele ano eu seria ainda entrevistado por mais três veículos. Em Setembro pelo Sleevers, canal do Fábio Makarrão, gravado no estúdio na casa do Paulão Thomaz, pelo Hélio Barbosa do canal Interface, por ocasião do Rock In Poetry IV, e pelo Mateus Narcizo, a respeito da Editor'A Barata Artesanal. Antes disso, em Julho, participei, juntamente com Dimitri Brandi e Douglas Gatuso da Psychotic Eyes, do programa Partitura, apresentado por Carlos Madia, pela TV Local, de Sorocaba, gravado na paradisíaca Universidade do Cavalo, sendo que após terminado, fomos muito bem rebebidos pelo Eliton Tomasi e Susy dos Santos sua casa, depois, é claro de passar pela famosa Padaria Real e degustar umas suculentas coxinhas.

Em Fevereiro eu coloquei uma pergunta no Facebook à pergunta: "O Underground Ainda Existe?" Queria saber o que as pessoas do meu circulo de amizades virtuais pensavam sobre o assunto, já que era o tema escolhido para ser a capa da próxima edição da Gatos & Alfaces. E depois de perceber que realmente pouca gente entendi sequer o significado do termo, e uma conversa com a amiga e parceira Nua Estrela, a capa, com uma belíssima ilustração dela estava fechada. Ainda naquele mês, graças ao dono de uma gráfica rápida em Guaianases, que deixou pagar a posteriori a impressão, a quinta edição de Gatos & Alfaces estava pronta. Foi a mais difícil de ser feita, pela falta de tempo, pelo meu cansaço físico, e por não ter nenhum recurso financeiro, mas ainda assim, contava com textos de qualidade assinados por Genecy e Bandeira, por Walter Possibom, Alexandre Quadros; Gigi Jardim. Essa edição ficaria marcada em minha memória graças a duas tragédias, que chegaram com ares de salvação.

Não lembro em que ordem, mas para efeitos de narração, a primeira tragédia chegou de Manaus. Como tinha feito muito estardalhaço a inclusão de um CD na Gatos & Alfaces, recebi o contato de um músico daquela cidade, o Sandro Nine, que tinha o material pronto de sua banda, a Nicotines, e queria saber da possibilidade de inclusão nessa próxima edição. Eu concordei, mas afirmando que eu faria a inclusão, desde que eles me mandassem o disco pronto, o que ele prontamente aceitou, mas me pediu que, além de criar a capa, eu precisaria fazer todo o processo por São Paulo, já que lá não tinham condição. No intuito de colaborar, mas claro, ter um material que agregasse valor à revista, concordei. Poucos dias depois recebia a "master" do disco e depois de idas e vindas das artes que eu fiz e eles não aceitaram, acabaram me mandando uma arte feita por um artista local. Do meu lado, corri para queimar os CDs, na mesma empresa que tinha feito o anterior, gastando pernas e trocados em idas e vindas à sede da empresa na Rua Augusta. Quando o material ficou pronto, eu já tinha definido a data e o local onde aconteceria a segunda edição do Rock In Poetry, já que não houve retorno da administração da Olido. Foi nesse ponto que entra em cena Jesus, como o salvador, o grande e absoluto senhor.

Dias após ao evento da Olido, eu fora adicionado no Facebook por um amigo que dizia ter comparecido, tecendo elogios incomensuráveis ao meu trabalho, à revista, a minha poesia, enfim. Dizia que gostaria muito de ajudar, que via naquele projeto algo grandioso, que eu era um gênio e blábláblá. E como, até por todas as circunstâncias em que me encontrava, eu tinha começado a pensar em procurar alguma parceria, alguém que pudesse colaborar com a questão comercial, que sempre foi minha fraqueza, contribuir com ideias, e por que não, com algum dinheiro, já que eu tinha adquirido dividas para a impressão daquela edição, e afinal tinha uma revista que estava de fato sedimentada.

Jesus é daqueles camaradas espertos, malandros, que quando quer alguma coisa se mostra bondoso, atencioso, prestativo, e elogia muito a quem ele quer ele quer se aproximar, para depois dar o bote, como aqueles típicos canalhas do interior que dá flores, elogia a mãe da garota, assiste futebol com o pai e promete casamento, mas depois que come a desgraçada, desaparece e a larga de barriga sendo ainda difamada pela cidade. E foi essa exatamente a metáfora do que aconteceu.

Em Abril, eu tinha a edição cinco da Gatos & Alfaces, pronta, impressa e já tinha encontrado o lugar, por intermédio do Adilson Oliveira, antigo amigo da Stay Rock, onde aliás, eu tinha retomado meus programas naqueles dias. O local era o icônico Bar do Aranha, que eu tinha conhecido muitos anos antes quando fazia os sites dos puteiros. O Bar ficava ao lado do Connection, na Vila Formosa, e eu achara que tinha fechado, mas Adilson me levou até lá, que agora era ao lado do SESC Belenzinho, local onde costumeiramente aconteciam shows de Rock de artistas brasileiros, e fechamos a data de 30 de Maio.

Então Jesus chegou, pagando cafés, mostrando sua credencial de jornalista, me dando cartões de visita de presente e publicando declarações a respeito de mim no Facebook, daquelas de deixa o ego da gente inflado. E Jesus chegou, e logo se pôs a trabalhar, sem aparentar nenhum interesse a não ser brindado com minha companhia, a não ser participar de um projeto tão esplêndido. Não, Jesus não queria nada, dentro de sua santidade, apenas desfrutar da minha mesa... A humildade, ah, a humildade dele era algo que qualquer padre poderia atestar.

Como sempre, o mote dos meus eventos deveriam conter Rock'n'Roll & Poesia, já que o terceiro elemento, o Sexo, ficava para bastidores e entrelinhas. Assim, naquele momento que forma melhor de juntar Poesia & Rock do que o Ciro Pessoa e a banda Vento Motivo, comandada pelo poeta Fernando Ceah? O Ciro era uma decorrência lógica natural, já que eu estaria lançando o "Troco Poesia Por Dinamite", com prefácio dele, além da revista, que também continha um texto de sua autoria. Na época o Ciro tinha uma banda chamada "Nu Descendo a Escada", que inclusive tinha no baixo o meu antiquíssimo amigo Luiz Domingues, e acreditei que seria com ela a sua apresentação. Mas dias depois recebo uma mensagem dele afirmando que ele não iria se apresentar com banda. Bem, pensei eu, tudo bem, ele é um tremendo musico... E dias depois... Ele me informa que não irá se apresentar cantando, mas sim declamando seus poemas "forma furiosa e insana...", pois estava lançando por uma grande editora o seu livro de poesia. Epa... Tinha algo errado nisso, afinal, seria o lançamento do meu livro o mote do evento, não do dele. Mas.. Bem, era o Ciro Pessoa, fundador do Titãs, do Cabine C, então fiquei na minha, e aceitei sem reclamar.

A Vento Motivo, do Fenando Ceah também foi uma escolha lógica, já que tinham acabado de lançar um disco, ou apenas um clip, não estou bem certo, que tinha uma letra poeticamente perfeita. Para completar o "cast", chamei a banda do amigo Adilson, com o nome de "Poolsar", que eu tinha escutado alguma coisa, e seria também uma forma de agradecimento a ele.

Chegado o dia, todos os elementos dessa farsa em forma de comédia se agrupando... No telão do Bar do Aranha rodando um clip da Nicotines e uma declaração dos músicos, a Bell como sempre tomando conta da banda dos livros e revistas... E Jesus resolvendo um problema da iluminação do palco que há tempos segundo o Aranha tinha problemas. Ah, Jesus faz a luz a acontecer.

Quando Ciro me falou sobre sua decisão, e por ser apenas uma pessoa no palco, sem instrumentos, decidi que sua apresentação seria a primeira, seguida da Poolsar e pro fim, fechando a noite a Vento Motivo. Pedi então que ele chegasse por volta do horário de inicio, às sete da noite. E já se passavam das oito quando ele chegou, acompanhando de um amigo das antigas, o grande guitarrista Kim Khell. Fiquei muito contente em encontrá-lo, e pedi que o Ciro, entre suas leituras ao menos lesse um dos poemas do meu livro. Ele não respondeu, e ainda demorou meia hora a subir no palco.

Ciro Pessoa fez sua apresentação apenas com leituras de poemas, e da forma que tinha avisado que faria, embora os pedidos do público para que cantasse musicas do Titãs e da Cabine C. Quando a algum poema de minha autoria, embora estivesse com o livro do qual era prefaciador em mãos, nenhum verso foi lido, ou ao menos comentado. Depois dele, a Poolsar fez uma apresentação impecável, com músicos de extrema capacidade, adornados pela beleza de uma cantora que além de uma bela voz tinha um corpo daqueles de qualquer estação do ano que se queira.

Entre as apresentações das bandas, como sempre, eram intercaladas as leituras de poemas, e aproveitei a chegada do amigo Dimitri Brandi que, claro, leu "Olhos Vermelhos" com sua voz gutural de cantor de Black Metal. Pena que não tenha nenhum áudio ou vídeo dessa emocionante leitura. Além dele, também Gigi Jardim, Nivea Maria, uma poeta hiponga que conhecia há tempos pelo Facebook e um rapaz, que tinha chegado do nordeste trazendo o CD da banda dele, mas cujo nome se apagou completamente, fizeram leituras. Além de mim, claro. Até mesmo Jesus leu um dos poemas, afinal ele precisa se mostrar onde todos possam admirar sua magnanimidade.

A apresentação final da competentíssima e emocionante Vento Motivo, a despeito da promessa de não cantar, contou com o Ciro Pessoa no palco entoando juntamente com a banda e o Kim Khell, a clássica "Sonífera Ilha".

Um registro é preciso ser feito com relação a esse evento, que é com relação ás fotos feitas pelo excelente fotógrafo Leandro Almeida. Todas excelentes, com um tom sépia, que deu um clima "noir", mas com destaque a uma, que mostra apenas minha mão escrevendo uma dedicatória num livro, que aliás ele comprou. È uma das fotos minhas que mais me emocionam.

Quanto à edição "Underground" da Gatos & Alfaces... Foi um absoluto e retumbante fracasso, sendo quem nem mesmo no evento teve venda significativa, e mesmo contando com o CD... Ou melhor, foi justamente por conter o CD da Nicotines que o fracasso foi total.

Poucos dias depois do evento, um dos integrantes da banda entra em contato comigo perguntando quantos exemplares eu lhes mandaria, e eu disse que mandaria 30, ainda achando que estaria sendo bem flexível. O sujeito pergunta de quanto fora minha tiragem e quando eu respondo que de 200, ele me diz que então deveria ficar com 30 e mandar o restante a eles. Hein?! Mas espera... "Afinal, nós pagamos pelos CDs. Fizemos 300 CDs..." Hein?! Hã?! Um momento, senhor... Com o resto da paciência que tinha explico ao cidadão como é o funcionamento de encartes em revistas, que esse material é cedido e pago por quem deseja encartar, e ainda paga, e caro, por esse processo, afinal pega carona numa publicação, digamos assim. Ademais, tinha os custos, as dívidas, as gratuidades... Ainda tentei ponderar que eu tinha era um divida enorme da gráfica, que não tinha como pagar, que esperava que ao menos com as vendas futuras pudesse quitar minha conta com a gráfica. O palerma não entendeu nenhum argumento, e queria ao menos 150 exemplares. Mandei-o tomar direto no olho do cu dele, empacotei as revistas e os CDs excedentes e mandei para Manaus, e dei por encerrada à história, quem sabe mesmo, encerrada a revista.

Naquele momento meu pensamento era de parar com Gatos & Alfaces, e me dedicar apenas a "Troco Poesia Por Dinamite", que ao contrário da revista, vinha sendo bem vendido. Nada mais de eventos mirabolantes, bandas, poetas e o caralho a quatro. Queria algo simples, intimista, onde eu poderia falar minhas poesias, vender o livro e depois ficar sentado com algum amigo ou amiga bebendo e tagarelando.

Justamente em resposta a isso, recebi o convite de uma amiga que eu tinha há muitos anos, desde a Era Orkut, e que eu tinha conhecido de um programa alternativo de Rock numa emissora UHF, a NGT, a Cris Boka de Morango. Ela já tinha comprado a "Versus", e mais alguma outra publicação minha, mas não nos conhecíamos pessoalmente. Na época trabalhando com o Ricardo Martins, da icônica "Rick and Roll Discos" em São Caetano do Sul, ela sugeriu a ele que me chamasse para fazer uma "Tarde de Autógrafos" ali, juntamente com uma banda, que ele próprio contrataria.

E assim, numa tarde ensolarada de sol, dia 18 de Julho, peguei o trem no Brás e fui em direção à cidade do ABC Paulista. Com o intuito de chamar a atenção das pessoas, até por que eu tinha muitos amigos na região que não puderam comparecer aos anteriores em São Paulo, chamei esse evento de "Rock In Poetry III". A banda a se apresentar foi a Steady Job, formada por amigos, segundo a própria definição. O set list deles era basicamente de Classic Rock, com a vocalista Vanessa Abreu esbanjando qualidades vocais, especialmente na interpretação de musicas de Janis Joplin. O mais interessante foi que, embora eu não conhecesse os músicos a não ser no momento da apresentação, a sintonia entre eles e eu foi perfeita, com a banda me colocando nos microfones sempre com um uma apresentação, usando o gancho de alguma musica, fazendo a base instrumental durante a leitura, e interagindo. Tudo funcionou como se tivéssemos ensaiado muito antes. Os livros venderam bem e ainda de quebra ficaram registros fotográficos fantásticos feito por outro mestre, o Fantomas Flavio, que aliás também fez questão de comprar um exemplar. O mesmo fazendo minha querida amiga Cris, que finalmente eu conhecera pessoalmente, e uma amizade que teria desdobramentos num futuro próximo.

Naqueles dias, entre serrotes, pregos, latas de cimento e muita poeira, ainda tive tempo de, finalmente riscar minha pele. Eu nunca tinha feito nenhuma tatuagem, não por ter algo contra, mas apenas por acreditar que algo assim tenha que possuir algum significado muito forte, que tanto valor a ponto de estar ali, na sua pele, eternamente. E eu não tinha encontrado nada que pudesse merecer estar dia e noite, eternamente e literalmente como parte de minha pele. A não ser, é claro, a minha querida trinomia "Sexo, Poesia & Rock'n'Roll".

Eu tinha sedimentado o nome, de mudado do inicial "Rock'n'Poetry" para "Rock In Poetry", que, ao contrário do primeiro tinha conotações mais intensas, como a sigla resultante: "R.I.P", do inglês "Rest In Peace", e ademais eu tinha a ideia de eventualmente criar um movimento musical, que envolvesse Rock e Poesia. Para completar um dia me bate um termo, que sonoramente se parece com "Rock'n'Roll": "Fuck'n'Roll". A história ficou completa, com tudo aquilo que me representava, e tratei de criar uma arte, acrescida de minha outra paixão, que foi um desenho de contorno com a cara da minha Lizzy Borden, minha gata primogênita.

Foi então, que numa de minhas idas à padaria próxima para tomar minhas diárias doses de Cynar, entre conversas com o balconista, descobri que ele era tatuador. E daí para o estúdio dele, o "Colisão Art Tatoo" foram poucos dias. acabamos fazendo uma permuta entre logotipos que criei a ele e em poucas horas eu tinha meu antebraço direito com a minha mais clara definição. Apenas um detalhe: quando saquei o "Fuck'n'Roll" não sabia que existia uma música da Wendy O Williams com esse título, e ao saber, de qualquer forma ficou mais forte ainda, já que ela tinha uma postura sexual no palco que era realmente Fuck and Roll.

A parte isso, as coisas iam de pior a pior, com meus pais deixando claro que eu ali era um intruso, sendo que tinha sido consentida a construção, o dono da gráfica me cobrando a impressão da revista, meu trabalho escasseando e a Bell sem emprego. Um prato feito para as artimanhas demoníacas...

E é ai que Jesus entra, sempre. Quando ele percebe que o outro ficou de quatro, arriado, de calças na mão, pronto da desistir, é que ele entra, como magnífico salvador. E se até agora eu era um gênio criador, um astro, um cara que tinha criado uma ideia, um projeto sensacional, que aliás ele não cansava de dizer, gostaria de ter sido o autor, agora fragilizado e falido, era a vítima perfeita. E ele, claro, tinha a chave de tudo. Algumas doses de conhaque e alguns chaveiros foram a tacada final.

A partir daí Jesus, sempre parecendo apenas querer colaborar, nunca aparentando se intrometer na minha linha editorial e artística, começou a encaminhar a Gatos & Alfaces para aquilo que ele queria. Eu o apresentava como sócio, embora sempre me sentisse incomodado quando o fazia, e passei a ele todos os contatos que tinha, para que fizesse os negócios particulares dele. Aos poucos, sem que eu percebesse, eu tinha perdido o controle, e a própria linha editorial, até chegar ao ponto de sua ideia mirabolante, absurdamente cara e totalmente contra o que era de fato a revista: fazer mil exemplares da revista, e ainda por cima inteiramente em cores. Ainda tentei argumentar que aquilo era uma loucura, e que ademais, o fato da impressão em preto apenas tinha um propósito de parecer uma publicação "vintage", já que revistas como "Rock, a História e a Glória" teriam sido o mote criativo da G&A, e que propositalmente apenas o ícone do gato no logotipo, pintado a mão pela Bell, seriam os únicos elementos coloridos. Ele queria modernidade, cor, papel couchê, alta tiragem. Enfim ele queria coisas que poderiam até ser corretas, mas não para a minha revista. Aliás, ali percebi um fato: a Gatos & Alfaces agora não era mais minha. Era dele.

Um tanto apático com essa constatação, ainda aceitei a proposta do Mestre Edgar Franco em encartar o seu CD "Egrégora", que era formado por bandas do mundo inteiro musicando aforismos dele, e que tinha a minha participação, junto com o projeto musical dele Posthuman Tantra. Edgar fez todo o processo e mandou os CDs prontos e envelopados, e trouxe pessoalmente dias antes da data marcada para o próximo Rock In Poetry, que aconteceria novamente na Galeria Olido, quando esteve São Paulo para um congresso. Tínhamos - eu não iria incorrer no mesmo erro de não acertar o numero antes - combinado o numero de CDs que correspondiam, e lhe entreguei as revistas. Tudo isso dentro da suntuosa USP, com Edgar trajado com sua capa e cartola vermelha, cheio de anéis, e eu, feito molambo com minhas calças rasgadas. O encontro deu até direito a foto com pose acadêmica, devidamente acompanhado e registrado pela artista baiana Danielle Barros.

Trabalhando contrariado, a edição seis da Gatos & Alfaces foi feita quase que de forma automática, sem o esmero necessário. As intromissões do meu "sócio", que sempre eram colocadas de forma a não parecer isso, mas apenas uma sugestão ou ajuda, faziam de mim empregado de minha própria criação. A tiragem da edição foi anunciada como sendo de 2.500 exemplares, sendo que 300 acompanhados do CD, mas isso era outra estratégia, já que tinham sido impressos apenas 1.000 exemplares. Eu queria jogar tudo para cima, mas não podia abandonar minha criação, e ademais era tarde para recuar. O jeito foi tratar de tudo da forma que eu sempre tratara, inclusive na organização do evento, e esperar os acontecimentos, então tomar uma atitude.

Eu tinha prometido a Amyr Cantusio Jr. que o colocaria no próximo Rock In Poetry, e assim o fiz. Amyr, inclusive, nesse dia foi extremamente profissional, indo de Campinas a São Paulo de ônibus carregando teclados, e chegando bem antes do horário. Ele me pedira dias antes para incluir o Paulo Beto, do projeto Anvil X, e poderia dar-lhe um aporte melhor em equipamentos.

A segunda banda que chamei, foi a molecada da Muqueta na Oreia, de Embu das Artes, que eu tinha conhecido durante o "Super Peso Brasil", onde tinha me dado o CD deles que tinha o atrativo nome de "Blatta", que significa "barata", em latim. Uma banda com uma pegada sensacional, letras fortes cantadas em português, e uma performance de palco extraordinária.

Por fim, ainda durante a organização do "Ainda Respira" eu tinha conhecido uma banda com um trabalho que me atraia muito, e que era originaria do Rio Grande do Sul, atualmente radicada em São Paulo. A faixa "O Rei", constante daquela coletânea tinha um instrumental fantástico e uma letra extremamente criativa, e a banda formaria perfeitamente um contraponto ao progressivo de Amyr e som pesado da Muqueta na Oreia.

Mesmo chateado não consigo deixar de fazer o melhor de mim, e ainda eu tinha a esperança de que aquilo tudo se resolvesse depois daquele evento, e que Jesus voltasse para o lugar de onde tinha vindo, e me deixasse tocar meu sonho em paz. Então tratei de organizar as coisas da maneira como sempre tinha feito e ainda na parte da manhã do sábado cheguei ao centro, onde pretendia aproveitar o fluxo grande na Galeria do Rock para fazer uma última abordagem.

Passei a tarde inteira por ali, sem comer e com os nervos em frangalhos, pois além de tudo o que estava acontecendo, eu não poderia contar com a Bell na banca, pelo fato de ela ter começado emprego novo naquela semana e ter que trabalhar naquele sábado. Ela sempre me ajudava nisso e quando saíamos de casa eu tinha todos os produtos, livros, revistas, organizados e listados, com quantidades e preços. Naquele dia, portanto, eu teria que pedir a Jesus que tomasse conta daquilo. Era exatamente o que ele queria.

Por outro lado, muitas coisas acontecendo dentro da Vitrine da Galeria Olido, com equipamento de banda chegando, coisas a organizar, técnico de som, que era local que não aparecia, e nada da Gigi Jardim, a "Produção" como dizia a camiseta estampada, aparecer. Comecei a entrar em pânico, mas me acalmei quando encontrei Amyr que tinha chegado bem antes. Eram dez para as seis da tarde e conversávamos no camarim quando meu celular tocou: era o Ricardo, da banda Flores do Fogo, me informando que não poderiam comparecer. Hei? Hã? Como assim? É, segundo ele me informou, o motivo seria o baterista que tinha passado mal e estaria, inclusive, internado. Fiquei muito preocupado, afinal, em todos os cartazes e divulgação, até mesmo nas camisetas que usávamos, estava estampado o nome deles, e nunca me ocorrera de anunciar algo e não poder apresentar. Falei com Amyr sobre aumentar o tempo da apresentação dele, e depois foi para o recinto, onde pedi a mesma coisa ao pessoal da Muqueta na Oreia. Amyr e Paulo Beto seriam os primeiros, a Flores a segunda e a Muqueta fecharia, e agora tínhamos que esticar os tempos.

A essas alturas os meus níveis de emputecimento cresciam rapidamente, e quando, não lembro de que forma, logo após comunicar ao publico a ocorrência com a banda, exagerando nas tintas do problema de saúde do bateristas, encontro com Emanuel, que me disse que era o baixista da banda, que estava ali para tocar, e que não sabia de nada a respeito, mas que, pelo que sabia, o que tinha rolado era alguma briga, coisa assim. Creio que seja fácil imaginar de que forma eu fui até o microfone anunciar o início dos trabalhos e a apresentação da dupla de tecladistas.

Literalmente transtornado, atravessei a rua até a Galeria dos Artistas que fica em frente, onde entrei no bar e pedi uma dose caprichada de uísque, que caiu feito uma bomba num estômago sem mais nada. Uma bomba... E outra bomba caiu: o Rock In Poetry acontecia na Vitrine de Dança, uma área envidraçada no térreo da Galeria Olido, e naquele mesmo horário tinham marcado outro "show", no teatro, com o Edy Star. E a bomba significava que no momento que retornei, percebi que o publico era bem menor que antes, pois muitos tinham passado por ali e ido ao outro.

Amyr e Paulo tocaram para muito poucas pessoas, e até a leitura de poemas que eu tinha planejado, e que era a marca registrada dos meus eventos, deixei de fazer. No intervalo, antes da entrada da Muque ta na Ore ia, descubro o real motivo, a doença do baterista da Flores era o "fogo", ou seja, o cara tinha exagerado na "cá tia" e tinha passado mal. A única coisa que queria naquele momento era ir até o boteco e tomar outra dose de uísque. Lembro porcamente de ter falado com Dimitri Brandi, com Ibrahim Khouri, meu amigo poeta sempre presentes, e com mais uma ou duas pessoas. Eu não tinha sequer coragem de olhar para o lado da banda, onde Jesus se encarregava de vender as revistas e exemplares dos meus livros. Só chegava ali quando alguém comprava algo e queria uma dedicatória. Não trocamos um som durante o tempo inteiro.

Chegando ao final, quando a Bell tinha chegado, percebi ainda um traste dando em cima dela, acintosamente. E isso me enfureceu mais ainda. Larguei tudo e fui pra rua. Na calçada percebi a Gigi dando entrevista a um cara com uma câmera, mas nem dei atenção, já que estava botando um chato que insistia que queria uma revista de graça, só por que era morador de rua. Quando passei por eles na volta, o cara com a câmera, que era o Hélio Barbosa, do Canal Interface começou a me entrevistar. E eu, bêbado, falando um monte de merda, completamente fora de mim por causa da mistura perigosa de álcool com raiva.

Quando terminou o evento chamei Jesus e perguntei a ele sobre o dinheiro. Ele me deu quarenta reais, e disse que era só aquilo, que era o preço da venda de um livro meu. Em meu estado de torpor não conseguia raciocinar. Peguei o carrinho, coloquei o que era meu, todo o material exceto a ultima edição da Gatos & Alfaces, e sai rua afora, completamente torto, parando para mijar no muro do Shopping Light em frente a um monte de gente pasma, até mostrando o pau para umas pessoas que chegaram dando uma dura, para desespero da Bell, que tentava me acalmar.

Minha cabeça ia explodir. Entramos no Metrô e fui o caminho inteiro calado. Estava tão perdido que acabei descendo duas estações antes, sozinho, enquanto ela seguia. No banheiro do terminal de ônibus acabei perdendo meus óculos, e quando finalmente cheguei casa desabei num acesso de fúria.

No dia seguinte chamei Jesus perguntando sobre os números, afinal eu sabia, por exemplo ter assinado dedicatórias em ao menos uns cinco livros e ainda várias revistas, mas ele me disse que estava cansado e que não tinha feito as contas. Peguei o carrinho, abri os pacotes e apanhei a lista do material que eu tinha levado e, depois do balanço, a conclusão que eu tinha que te 540 mangos na mão, não apenas 40. O combinado, já que ele tinha se responsabilizado com a impressão da edição seis, era que o arrecadado com a venda daqueles exemplares ficariam com ele, mas, claro, o material da edições anteriores, que nada tinham a ver com ele, e especialmente dos meus livros seriam meus. Demorei quase uma semana, com ele sempre arrumando desculpas, para receber o que era meu, de fato e de direito.

Durante aquela semana decidi que era momento de dar um basta naquilo, e fiquei apenas acompanhando as divulgações da revista, além de eventos de venda que ele estava marcando, sem sequer me consultar, e quando ele veio me questionar sobre minha apatia naquilo, eu disse a ele que tinha acabado, que ele ficasse com as revistas, vendesse tudo e ficasse com o dinheiro, que eu não queria mais saber. Claro que ele espumou, me chamou de moleque, coisas assim. Ele não queria tanto a Gatos & Alfaces, pois que então ficasse com ela. Pedi apenas 50 exemplares que eu tinha compromissado com algumas pessoas que tinham anunciado e a meia dúzia de assinantes.

Ainda naqueles dias, percebi claramente a jogada do sujeito, ao entrar no perfil dele e ler a postagem que ele colocara, me chamando de tudo quanto era nome, e o que era pior, pelos comentários de amigos dele e postagens anteriores, percebi que o que ele contava as pessoas era que ele era o criador, o mentor, enfim, o gênio criador por trás da Gatos & Alfaces, enquanto eu, apenas um mero escritor e diagramador. E o que mais me chateou nessa história foi que todos se penalizavam dele, davam conselhos fraternos e me escachavam mais ainda, inclusive uma pessoa a quem eu nutria grande respeito, e que era inclusive colunista da revista, que sequer tinha perguntado a mim sobre minha decisão, tomando por verdade, mesmo que ela soubesse bem antes quem eu era e quem tinha feito tudo, aquilo que Jesus apontava. Pensei em retrucar, mas apenas me calei, bloqueei o ser e me recolhi ao meu canto. E pela quantidade de pessoas que mudaram de atitude comigo depois disso, entendi que o séquito de Jesus era bem mais fiel e cego que imaginei. Tempos depois uma amiga me contou que além de dar em cima dela, usando o seu posto de Diretor da Gatos & Alfaces, dizia a ela que eu era um idiota, que eu não sabia de nada, que a ideia era boa, mas eu não tinha capacidade, e que, ele sim, iria ser o dono de fato.

Nunca anunciei publicamente, a não ser a meus diletos amigos e colunistas, o fim oficial da Gatos & Alfaces. Ainda pensei em lançar uma edição especial em 27 de Outubro, e fazer uma coisa que tinha chamado de "Cortejo Para Lou Reed" marcando dois anos de morte de Lou Reed, mas acabei desistindo, bem como de uma que incluía os dois primeiros números, incluindo matérias que tinha ficado de fora.

2015 acabara do mesmo jeito que começara. Sem dinheiro, cansado, desiludido e cheio de dívidas. O que Jesus fez com as revistas que ficaram com ele, não tenho, nem quero ter, a menor ideia.

Desta feita eu tina jogado mesmo a toalha, não queria mais saber de revistas, de eventos, de Rock In Poetry, mas ainda tinha algumas surpresas pela frente, já que naquele ano eu conhecera, na região onde morava, o Sauer Rock Bar, de cujo proprietário, Marcio Sauer eu me tornaria amigo...

Poesia do Ano

Todos os textos e poemas publicados em A Barata, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, registrados no Escritório de Direitos Autorais. Proibida a cópia e uso sem autorização do legítimo proprietário, sob as penas da Lei.

Troco Poesia Por Sexo
Barata Cichetto

Uma dessas noites vagabundas, cheias de filhos do poder
Eu, bêbado e encharcado de chuva e de vontade de foder
Trafegava pelas esquinas cheias de putas e de seus filhos
Quando uma, que não conheci por causa dos seus brilhos
Pediu meu isqueiro, meu dinheiro ou algo que eu não tinha
E eu lhe dei um livro, que era bom no lugar de onde vinha.

Mas eu não sei se por não saber ler ou por pura safadeza
A desgraçada, malcriada e certa de sua certeira esperteza
Sorriu e disse que aquilo não daria de comer aos rebentos
E que só queria era foder por dinheiro, e sem documentos
Pois um livro, ainda pior, repleto de poesia de nada lhe valia
Mas era essa minha fortuna e eu queria foder aquela vadia.

E depois de eu ler uma dúzia de poemas, imune ao seu bocejo
A vagabunda me deu a buceta atendendo meu obsceno desejo
E quanto eu a comia, outro poema em minha cabeça crescia
Tão intenso e tão maldito, enquanto eu subia e a puta descia
Que quando gozei, com minha porra em sua calcinha negra
Escrevi sobre a maldição de todas as putas de origem grega.

Não se assuste e não zombe de mim quando conto a epopeia
De um poeta que não trocou por nada sua vida e sua ideia
Mas o fato, que relato ao leitor, por mais que ache sem nexo
Foi que troquei minha poesia por um instante rápido de sexo
E se acham que fiz mau negócio dando poesia por um prazer
Afirmo que nada mais sobre a arte e a poesia posso lhe dizer.

01/02/2015

PALAVRAS E PESSOAS-CHAVE (keypeople and Keywords)
Guilherme Ziggy Mendonça; Esdras Minguau; Ciro Pessoa; Cabine C; Fábio da Silva Barbosa; Sleevers; Fábio Makarrão; Paulão Thomaz; Mateus Narcizo, Hélio Barbosa; Canal Interface; Programa Partitura; Dimitri Brandi; Douglas Gatuso; Carlos Madia; Universidade do Cavalo; Sorocaba; Eliton Tomasi; Suzy dos Santos; Padaria Real; Sorocaba; Genecy Souza; Jorge Bandeira; Walter Possibom; Alexandre Quadros; Gigi Jardim; Sandro Nine; Nicotines; Bar do Aranha; Adilson Oliveira; Vento Motivo; Fernando Ceah; Kim Khell; Poolsar; Leandro Almeida; Carlota Carlotinha; Danielle Barros; Edgar Franco; Cris Boka de Morango; Ricardo Martins; Rick and Roll Discos; Vanessa Abreu; Steady Job; Fantomas Flavio; Fantomas Flavio; Rock In Poetry Fuck'n'Roll; Wendy O Williams; Colisão Art Tatoo; Amyr Cantusio Jr.; Paulo Beto; Anvil X;
Trilha Sonora: Wendy O Williams - Fuck'n Roll
http://tocadoshark.blogspot.com/2015/08/rock-in-poetry-3-lancamento-da-revista.html


Galeria 2015
Rock In Poetry 2
Bar do Aranha (30/05/2015)
 
 

Galeria 2015
Rock In Poetry 3
Rick And Roll Discos
18/07/2015
   

Rock In Poetry 4 - Galeria Olido (22/08/2015)

   
   

Tatuagem / Programa Partitura / SESC Belenzinho, Alpha III (Campinas)  e CCSP - 2015

   

Feira da Pompéia - 2015

Sauer Rock Bar 2015

Edgar Franco e Danielle Barros - USP 2015

Publicações 2015


Troco Poesia Por Dinamite
(Poesia)

Gatos & Alfaces
Nº 5 - 25/3/2015 - Ainda Existe Underground?

Gatos & Alfaces
Nº 1 e 2 - 30/10/2015 - Edição Especial Contendo os Dois Primeiros Números

Gatos & Alfaces
Nº 6 - 1/8/2015 - Gatos & Alfaces, Uma Egrégora, Afinal!

Gatos & Alfaces
Nº Especial 01 - 27/10/2014 - Especial Lou Reed

FACEBOOK ADDS

   

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POSTAGEM


1958

O Início Antes do Início
Até chegar à Internet há um longo caminho.

1990

Antes da Internet Havia Vida (Também)
E o importante é que eu tinha Internet, eu tinha Internet, tinha Internet.

1997

O Banheiro da Internet
Na pífia Internet dos anos 1990, uma cidade chamada Geocities.

1998

A Melhor Decisão, ou a Pior Decisão? E a Segunda Edição do Banheiro da Internet
Começam as polêmicas com um manifesto contra o aborto.

1999

As Baratas Cascudas Crescem nas Alamedas
Mudança para Belém, PA. Inspirado nas enormes baratas-cascudas da região surge o nome A Barata, no HPG, primeiro host gratuito brasileiro.

2000

Belém com cheiro de sexo e cultura; e a A Barata na Vitrine.
Retorno a São Paulo, e entrevista ao programa Vitrine da TV Cultura. Em função disso, o site se projeta e alcança grande audiência.

2001

Rock é Atitude, com Dio em São Paulo, e A Barata Com Endereço Próprio
Dia 5 de Abril, dia da apresentação da banda Dio em São Paulo, passa a existir o domínio abarata.com.br. Criado o sub-slogan, "Rock é Atitude!", que passa a estampar as camisetas criadas nessa época.

2002

O Ano em A Barata se firma como uma referência no meio de Rock e Cultura Underground.
Um ano dos mais importantes e frenéticos, que começou em Janeiro, com a "1ª Fest'A Barata", continuou em março, quando fui convidado a escrever texto para o Jornal do Brasil, e terminou o ano com o já batizado "Barata" como gerente da Patrulha do Espaço.

2003

O Ano da Patrulha do Espaço, e da Segunda Fest'A Barata. O Sítio Rompendo Fronteiras da Internet
Um ano intenso, viajando pelas estradas do interior de São Paulo e do Sul do país a bordo do "Azulão" me fazem entender melhor os bastidores de uma banda e de um show de Rock, e do trabalho complexo do lançamento de um disco. E um dos meus maiores orgulhos roqueiros: ".ComPacto"

2004

Marcio Baraldi e o Mascote; A Barata no Ônibus Mágico
O cartunista Marcio Baraldi, "o mais Rock'n'Roll do Brasil" se envolve no projeto, através de apoio financeiro e da criação do mascote, uma barata hippie e simpática. "Vinho, Poesia & Rock'n'Roll, no Magic Bus Bar. Organizamos a apresentação da banda "Malefactor" em São Paulo no mesmo local. Projeto "Sabbath Trifásico" na Led Slay, com três bandas de três diferentes vocalistas.

2005

Betty Boop, Orkut e Morangos Com Chocolate
Muito Sexo, Muita Poesia e... Pouco Rock'n'Roll. E A Barata Que é Bom Nada! Ou Ainda: Bukowski Foi Até a Favela Buscar Cerveja e Ainda Não Voltou!

2006

- "Nóis Fumo, Mas Vortemo" ou Antes do Começo e Depois do Fim, ou Ainda: Racumin é Para Matar Ratos, Mas Eu Sou Barata
Depois de nove anos, por pressão financeira, o sítio fica fora do ar por um mês. O apoio de Marcio Baraldi e Belvedere Bruno foram fundamentais ao seu retorno. Mas em função do crescimento das redes sociais e dos blogs, a frequencia diminui. Um'A Barata sem eira nem beira.

2007

Barata, Um Quase Garoto de Programa; Sangue de Barata e Um Festival Ganho Com Prêmio Nunca Recebido; Uma Fofinha na Fofinho e Peixes no Meu Aquário
"Sangue de Barata", interpretada pela banda Tublues, vence o "1º Festival Rock na Net", que teve o apoio e a participação intensas do site. O poema "Desgraçados" leva Menção Honrosa em concurso literário "Elos e Anelos". E uma permuta estranha com uma garota de programa. Um ano agitado, Barata com voando alto. E no fim se esborrachando no chão.

2008

O Ano Que Nunca Deveria Ter Existido; E Que Não Foi Daqueles Que Nunca Acabaram, Mas Que Parece Que Nunca Sequer Começaram
As redes sociais mostram seu poder: ninguém está à Salvo. A Revist'A Barata passa a ser o carro-chefe; A Barata deixa de ser um Portal e se torna um site pessoal. Uma Revolução fracassada.

2009

Barata: Liberdade de Tesão e Tesão de Liberdade, Solidão, Poesia e Muito Rock'n'Roll, de Volta Para o Futuro
Rádio Barata Don't Stay Mais Aqui, e o que resta é uma Lágrima Psicodélica e uma loirinha má. Veteranos na Led Slay e putarias no Arco-íris. E entram em cena a Gostosona de botas pretas e decote honesto que só falava das filhas, e a Gostosinha de minissaia que queria prender o pai da criança.

2010

A Gostosona, Amyr Cantusio Jr, Vitória, Editor'A Barata Artesanal e Rádio Cultura
A Gostosona dá as caras... E muito mais: a união com Izabel Cristina Giraçol muda a trajetória de Barata. Uma visita a Fernando Pessoa no museu, criação da Ópera Rock Vitoria, em 20 dias. Participação em programas da Rádio Cultura de São Paulo, Rádio Barata, na Radio Lágrima Psicodélica.

2011

Criação da KFK Webradio, Oficina de Webradio, Visita a Uma Rádio AM. O Ano da Inauguração do Ódio no Poder
Enquanto Caetano Veloso é noticia na mídia se preparando "para atravessar uma rua do Leblon", Barata se prepara para cagar em Guaianases, e depois lançar a Opera Rock Vitória, e fazer outras coisas como criar a KFK Webradio, com o mote "A Rádio Que Toca Ideias."

2012

Um Quase e Um Fim Para a KFK Webradio; Barata a Ferro e Fogo; Confraria dos Loucos, Oficina de Literatura; A Autobiografia Não Autorizada e Uma Enxurrada de Livros; Fanzinada e Politicamente Incorreto ao Quadrado.
Enquanto o mundo não chega ao fim, Barata se encarrega de escrever e lançar sua autobiografia não autorizada, e faz meia dúzia de lançamentos literários, incluindo um malfadado primeiro livro por uma editora, e ainda lança quatro edições de uma revista impressa. Surge o Barata À Ferro e Fogo e no final do ano, a primeira das belas edições de Politicamente Incorreto ao Quadrado.

2013

Sem Estripulias Eróticas, Um Ano de Muitos Livros, Revistas e Rock'n'Roll. PI ao Quadrado ao Redor do Mundo, e a Criação da Revista Gatos & Alfaces
2013, o ano em que a literatura do escritor Barata e a arte do artesão de livros Barata se deram as mãos e produziram muito mais que poderiam supor. E duas mortes no mesmo abalando minhas estruturas poéticas: Lou Reed e Paulo de Tharso.

2014

Barata e o Rock Brasileiro: Ainda Respira. Uma Estrela Nua na Gatos & Alfaces e Nua Estrela no Rock In Poetry na Vitrine da Galeria Olido
A Gatos & Alfaces aparece e se firma como alternativa à poeira irrespirável das publicações; surge o Barata Rocker; revelações bombásticas sobre a Gostosona; e Barata novamente no Talk Show. Tudo isso e mais, na "Saga de Uma Barata Rebelde".

2015

Barata e Aranha; Rock In Poetry and Rick'n'Roll; a Volta e Revolta na Galeria Olido; Muqueta na Oreia Sem Flores Nem Fogo; E o Fim Trágico da Gatos & Alfaces. Jesus Não Tem Dentes no País...
O que era para ser o ano da definitiva sedimentação da Gatos & Alfaces, se torna o de seu sepultamento. Depois de duas edições da revista, incluindo uma totalmente colorida, e três do evento, chega ao final um projeto, mais que isso, de um sonho. Lançamento de Troco Poesia Por Dinamite

2016

Barata: Meu Malvado Favorito e A Tartaruga Feliz, Alianças de Casamento; He Don't Me In Stay; Barata Reversa, Pictures (Not) In Exhibition à Sombra de Uma Morta Viva
Filhos da puta do mundo uni-vos: Barata está na área. A complicada experiência de escrever um livro infantil, o rompimento com a Stay Rock Brasil e a criação da Reversa Webradio. E do casamento oficial com Bell nasce o Senhor Giraçol e um "novo" artista plástico.

2017

Rock In Poetry no Sauer Rock Bar; Retorno da KFK Webradio Com a Devassa Cris Boka de Morango; Barata Num Vídeo Pornô e o Manual do Adultério Moderno
Uma Nua Estrela almoçando arte pornográfica com o Grande Guerreiro Louco; Juro não cumprir nenhuma promessa. Frank Zappa não mora mais aqui.; Barata, a Devassa e os Domadores de Tempestade: no Sauer Rock Bar; Blues Riders On The Storm and The Vikings Are Coming e um Manual do Adultério Moderno

2018

Sessenta Anos de Sacanagem. O Som e a Fúria; Barata Não Mora Mais Aqui. Mora Com o Sol. Deixem a Esquerda Livre. O Fim da Saga d'A Barata Rebelde. O Fim ou Começo?
Ao completar sessenta anos de idade, tudo o que podia ser chorado já foi chorado, como vovó dizia e Raul afirmava plenamente. O trem do futuro leva a Araraquara. Macunaíma, os irmãos Martinez, e a cidade das árvores. O futuro não pertence ao pensamento. Informação demais é pior que nenhuma.


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