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2003 - O Ano da Patrulha do Espaço, e da Segunda Fest'A Barata. O Sítio Rompendo Fronteiras da Internet
Um ano intenso, viajando pelas estradas do interior de São Paulo e do Sul do país a bordo do "Azulão" me fazem entender melhor os bastidores de uma banda e de um show de Rock, e do trabalho complexo do lançamento de um disco. E um dos meus maiores orgulhos roqueiros: ".ComPacto"

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"2003 (MMIII, na numeração romana) foi um ano comum do Século XXI que começou numa quarta-feira, segundo o calendário gregoriano. A sua letra dominical foi E. A terça-feira de Carnaval ocorreu a 4 de março e o domingo de Páscoa a 20 de abril. Segundo o Horóscopo Chinês, foi o ano da Cabra, começando a 1 de fevereiro. Foi designado como o Ano Internacional da Água Potável, pela ONU."
Escrito e Publicado por Barata Cichetto em 9/9/2018

Um dilema me ocorreu agora quando inicio a relatar os acontecimentos do ano de 2003, outro extremamente produtivo e totalmente frenético na história de A Barata. Conforme citei nos episódios anteriores, uma figura absolutamente essencial nos projetos que eu dera andamento a partir de meados de 2001, que aparecera em casa no final de 2001, e tinha participado ombro a ombro na batalha da Fofinho, o Marcelo Nicolau, tinha desaparecido. Não deliberadamente, nem da minha parte quanto da dele. a ultima vez que havíamos conversado, pelo MSN, tinha sido em 2008. Eu sempre lembrava do "Chacrinha da Led Slay", como eu o havia apelidado, história que conto ainda neste episodio, mas simplesmente tínhamos perdido o contato.

Em muitas oportunidades me lembrava dele, e procurava na Internet, particularmente no Facebook, mas não encontrava. Cheguei a imaginar que meu amigo tinha ido para aquele lugar que ninguém quer ir, mas todos vão. Ontem, depois que terminei o relato da 1ª Fest'A Barata, onde falo muito dele, decidi mais uma vez procurei, e encontrei seu filho. Deixei uma mensagem dizendo que era muito amigo do pai e que tinha perdido contato, etc. Pela manhã, o "Filho" me respondeu, dizendo que eu procurasse "com um trema no a." Ah, sim, um trema no "a"... Mas em que diabos de "a"? Mas se conheço o naipe do cidadão logo matei, e fui certeiro: "Marcelo Nicoläu", com o tal trema. Bingo. Mandei mensagem e pedido de amizade, que em menos de dez minutos foi respondido. Não preciso dizer que passamos o resto da manhã colocando as histórias em dia.

Fiquei muito feliz, em ter reencontrado um amigo tão importante na história do sitio, e tinha pensado em começar esse relato falando disso, mas aí aparece o Alexandre Quadros, o Wildshark e me pergunta se quero alguma colaboração, no que eu lhe disse que sim, que se puder e lembrar sobre como ele conheceu, a mim e a A Barata, que realmente eu não tinha essa lembrança. E ele me presenteou com o relato que se segue. Agora eu não sabia como começar, e estava na dúvida... E foi assim mesmo que comecei... Hahahaha

"Em março de 2003 entrei em contato com o site A BARATA para comprar o novo álbum da Patrulha do Espaço, o".ComPacto” que teve a arte da capa (em formato de vinilzinho) desenvolvida pelo Barata (e depois largamente surrupiada por outrem). Pois bem, encomendei o tal disco e mais três camisetas da Patrulha, duas pretas e uma branca. Ali começava uma amizade sem que soubéssemos. No mês seguinte comprei dele um combo-cultural com vários CDs e livros do próprio Barata, entre eles “Impessoal e Transferível” e “Sangue de Barata”. Mas como eu estaria indo pra Sampa nos dias seguintes, combinei de pegar em mãos, e esse encontro se deu na Led Slay, aniversário de 31 anos da casa, com shows do Exxótica, 1853, Harppia e Salário Mínimo, ali, na mesa do bar na frente da casa de shows selamos nossa amizade, eu falei que era radialista e estava escrevendo pra um site de Minas Gerais do Fábio Kill, o Choose Your Side e ele me propôs escrever uma coluna em seu site, me deu liberdade total para tal e assim comecei a escrever sobre qualquer coisa (em especial ROCK AND ROLL) numa coluna que denominei TOCA DO SHARK em alusão à TOCA DO BARATA. Desde então se passaram 15 anos, passei por outros sites, mas resolvi parar de escrever pros outros e escrever pra mim mesmo em 2011 dando ao meu blog o nome dessa coluna, a amizade ainda é a mesma e se precisar volto a escrever para o site A BARATA. Mas só pra este! "
(Alexandre Quadros, via Facebook, 6/9/2018).


No final do ano anterior, o Brasil elegera um novo presidente. Depois de disputar todas as eleições "livres" de 1989, o representante do Partido dos Trabalhadores foi eleito com 60 por cento dos votos válidos, e se tornaria o comandante do país pelos próximos quatro anos. Conforme relatei nos primeiros episódios desse seriado, na minha adolescência e até o final do século eu tinha uma participação ativa e uma posição política ligadas à "esquerda". (Um detalhe: desde 2010 passei a referenciar os espectros políticos generalistas e radicais, como esquerda e direita, sempre entre aspas, por entender que são definições oriundas ou da mídia, ou dos próprios ideólogos, não sendo em meu entender uma definição aberta.) Entretanto, quando da divulgação que de o Partido tinha feito alianças estranhas, colocando como vice de chapa um mega empresário e político conservador, o mineiro José Alencar, percebi que a manobra era mais do que simplesmente um jogo político, mas um jogo de poder. Ou seja, o Partido, teoricamente oriundo das classes operárias e intelectuais, faria tudo para alcançar e se perpetuar do poder.

Foi nesse ponto, com certeza, que quebrou o meu encantamento, como sei agora que da maioria das pessoas com o meu perfil. Até aquele ponto a "esquerda" nos parecia uma espécie de "paladinos da justiça", ilibados, justos e com preocupações reais e honestas com relação ao país, mas uma barganhada dessas... Fiquei com a chamada "pulga atrás da orelha", a cabeça coçando, mas ainda assim fui às urnas e declarei meu voto a eles, mas quando minha então esposa e filhos foram para a Avenida Paulista, segundo eles "comemorar a vitória do nosso presidente", eu declinei e disse que eu não tinha nada para comemorar ainda, que prefira esperar ao menos uns meses.

E assim foi, os primeiros atos do Presidente foram extremamente populistas e ineficazes, ingênuos até, como o hediondo "Fome Zero", mas o Partido tinha herdado um país em estabilidade econômica bem relativa e pode brincar na casa arrumada durante algum tempo. E quanto a mim, fui me desiludindo dia a dia, com as práticas e atitudes, começando a perceber o que realmente aquelas pessoas pretendiam. Foi nesse momento que comecei a procurar outras formas de pensamento. Ao contrário dos anos da segunda metade do século passado, época em que cresci e me formei, tendo poucas formas de formação de opinião, agora tínhamos a Internet, e portando uma maneira de buscar informações menos comprometidas. Foi nessa época ao que me lembro, que tive contato com o trabalho da russo-americana Ayn Rand, que eu já tinha ouvido falar por ser a inspiradora da história do disco "2112" da banda canadense Rush, escrita pelo baterista Neil Peart.

Da desilusão à descrença, e da descrença ao rompimento são caminhos bem curtos. E nesse início de 2003 eu tinha rompido totalmente com meu pensamento político anterior, abrindo caminho para outras formas de pensar e agir, ampliando meus horizontes, deixando a mente aberta a todas as outras cores que formam não apenas o espectro político, mas e principalmente, o espectro humano.

Diante de tal contexto, e diante de um casamento que tinha chegado ao ponto de desilusão e descrença, faltando apenas o de rompimento, eu precisa também no aspecto pessoal e profissional, abrir meus horizontes. A Barata se tornara uma referência nos meios culturais alternativos, e especialmente nos ligados a Rock, com a audiência chegando à casa dos quatro dígitos diariamente. Eu recebia dezenas, centenas de emails diariamente de pessoas ligadas a essas áreas, enviando textos para publicação, bandas mandando material para páginas, pedidos de camisetas, meus livrinhos xerocados e outras coisas.

Desde o final do ano anterior eu começara meu trabalho como Gerente, ou "Manager" no jargão próprio, e que era como o Rolando se referia a mim. Meu trabalho era o de coordenar as viagens e os trabalhos de preparação dos "shows", negociar com contratantes, receber os cachês e ainda montar a banca de CDs e memorabília da banda, além de cuidar da divulgação, criar artes e releases e do site. Além disso, durante as viagens, meu "trabalho" era o de manter o "Alemão", o glorioso Walter Gonçalves, que conduzia o "Azulão", a "Nave Ave", nosso ônibus Mercedez Benz 1976, acordado. Eu ia de pé, o tempo todo, nos degraus de entrada do veículo, conversando e servindo café ao piloto, escutando suas histórias maravilhosas de um velho lobo da estrada.

Quando não estava fazendo isso, como nunca consigo dormir na estrada, me sentava ao lado de um velho conhecido, o baixista Luiz Domingues, e ficávamos recordando épocas e fatos dos anos setenta particularmente. Eu tinha conhecido o Luiz por volta de 1977, quando ele ainda estudava contrabaixo e pretendia ter uma banda. Na época era como um amigo e colaborador do Laerte Julio, depois conhecido como Laerte Sarrumor, justamente por ser o criador de uma revistinha, a quem hoje chamariam de "Zine", o "Sarrumor". Os outros músicos e os "roadies" nos bancos mais atrás dormiam ou contavam histórias. Foi nessa época, ou melhor, já na segunda viagem que eu fizera com a banda, que criei s "Diário de Bordo", que eram relatos onde eu contava o que tinha acontecido em cada parte da turnê.

Esses diários são um capítulo, ou ao menos nesta história, um parágrafo à parte, pois eram escritos sempre às segundas-feiras, quando eu retornava para casa depois de um final de semana, que normalmente começava na quarta ou quinta-feira e ia até domingo à noite ou segunda de manhã. Eles eram escritos na primeira pessoa e publicados em A Barata de imediato. Os fãs e músicos da banda o esperavam ansiosamente, com exceção do Luiz Domingues, que na época totalmente avesso à Internet, esperava a próxima viagem, quando eu, de posse do texto impresso, me sentava ao lado dele e lia para ele, que comentava, e às vezes fazia ressalvas e correções. A principal delas, já nos primeiros textos, é com relação ao apelido dele a quem eu referenciava: Tigueis. Durante os anos em que ele formara com Laerte a banda Língua de Trapo, depois nas bandas A Chave do Sol e outras, ele sempre fora conhecido com essa alcunha, mas, e eu não sabia, não queria mais ser conhecido assim. E ele me pedia, com a educação e finesse características desse camarada, a quem reputo como o "Gentleman do Rock Brasileiro". que eu mudasse. Luiz Domingues é uma das pessoas a quem mais respeito dentro de todo esse universo de Rock, repleto de pessoas extremamente vaidosas, fúteis e egoístas, que não são capazes de respeitar a um amigo, a um parceiro, e especialmente alguém que, desinteressadamente colabora com seu trabalho. Até a atualidade mantenho contato com ele, e sempre que possível nos encontramos, seja em eventos que realizo, seja em apresentações de alguma banda em que ele esteja tocando.

As viagens com a Patrulha do Espaço eram constantes, e por elas conheci cidades e pessoas que me encantaram e me fascinaram. Cidades como São Carlos, a mais apaixonante de todas, São José do Rio Preto, Catanduva e Jaboticabal, terras de meus pais e avós, Sorocaba, Limeira, Rio Claro, a terra encantada do meu "ídolo" Amaral Gurgel, criador de um dos maiores sonhos brasileiros, a Gurgel; além de lugares como Jales, que eu confundia sempre com Lajes, em Santa Catarina, Joaçaba e Chapecó, além da segunda mais apaixonante de todas, Concórdia, onde estivemos duas vezes, sendo que na segunda, eu pensei seriamente em deixar a trupe seguir e ficar por lá.

Além das cidades, pois como digo, o importante são os pés, não o lugar onde pisamos, as pessoas que conheci nessas viagens, com certeza me ajudaram a se tornar a pessoa que sou. Nunca fui tratado com tanto respeito e carinho por pessoas que eu nunca tinha visto na vida. Quando chegávamos nas cidades, especialmente nos picos onde a banda iria tocar, eu era sempre reconhecido. Muita gente sabia que eu era o "Cara d'A Barata", e para muita gente desses lugares, era uma honra dupla terem a presença da Patrulha do Espaço com o Barata. No começo eu ficava espantado, pois não imaginava que tinha chegado tão longe, a ponto de ser reconhecido. Certo, A Barata ostentava o logotipo da banda e divulgava os Diários de Bordo, mas a maioria conhecia mesmo. A coisa toda era fantástica. Aquele aprendizado todo, aquelas pessoas que me tratavam com tanto carinho e respeito. E era tão forte isso, que várias vezes cheguei a autografar discos da banda, juntamente com os músicos.

Enfim, para relatar acontecimentos e histórias fantásticas que rolaram naquelas viagens eu precisaria de um tempo muito maior, e muitas e muitas páginas mais, mas o certo é que como ser humano, me sinto grato por cerca de três anos que compartilhei com essas pessoas momentos que me fizeram mais sábio, mais completo e, por que não agradecer a isso, conhecedor dos bastidores e da produção técnica de eventos, coisa que me seria muito útil ainda naquele ano.

Mas uma história, que também mereceria um texto exclusivo e bem mais longo, mas que precisa ser contada ao menos resumidamente nesse espaço, precisa ser contada. Logo no começo do ano, Rolando me contou que tinha uma série de musicas gravadas, mas que ele não tinha disposição para fazer nada com elas. No dia seguinte fui a casa dele e recebi uma "master" das músicas. Fui para casa, escutei e fiquei muito empolgado com o que escutei. Diferentemente do disco "Chronophagia", que essa formação, que contava além de Rolando e Luiz, com Marcello Schevano e Rodrigo Hid, que era um disco muito voltado para o "Rock Progressivo", essas musicas eram bem mais pesadas, no naipe das musicas da banda lançadas nas ultimas décadas do século passado. Francamente, era o que eu sempre esperava da Patrulha do Espaço, e me apaixonei pelas músicas. No dia seguinte liguei para ele e disse isso, mas ele refutou, dizendo que aquilo era pouco material, apenas sete músicas, que a gravação nem era tão boa, etc. E a bomba final: "Ah, isso, só se fosse mesmo um compacto."

Fui para casa com aquilo martelando, eu precisava convencer ao Rolando a fazer aquele disco, afinal, também já tinha mais de três anos que tinha saído o ultimo, as turnês estavam embaladas e o material precisava ser disposto de qualquer jeito. Fiquei com a palavra "compacto" na cabeça. (Para os não familiarizados, "compacto" era um lançamento que as gravadoras faziam, em vinil de sete polegadas, contendo uma ou duas faixas de cada lado, e que era feito ou para experimentar trabalhos novos e desconhecidos, ou como musica de trabalho, a fim de divulgar o elepê, o que atualmente é dado o nome de "single") Chegando em casa, sobre minha mesa de trabalho estava um velho compacto simples de um cantor brega, que alguém tinha deixado. Foi o estalo criativo final: fiz uma arte no computador com alguma foto que peguei da banda e bolei o nome: ".ComPacto", escrito exatamente dessa maneira, com o ponto antes, denotando o ".com" de domínios de Internet, com o "P" maiúsculo no meio formando a palavra, que dava ainda a leitura de "com pacto", ou seja, um pacto entre o novo (a Internet), com o antigo,o formato da capa em tamanho do disco em vinil. Fiquei eufórico com minha criação e não podia esperar para mostrar para o "Júnior", (Era assim que eu o chamava, pois era assim conhecido desde os tempos do Made In Brazil.). Liguei e disse que tinha algo para lhe mostrar.

No dia seguinte fui a casa dele no bairro da Aclimação e mostrei a ideia, explicando os conceitos por trás do nome, e a forma que faríamos aquilo. Eu consegui. Ele se empolgou com o projeto, e lá fomos nós atrás de viabilizar. Lembro que fomos juntos até a já praticamente desativada fábrica da Continental Discos, na Avenida do Estado, para conseguir a "faca de corte" entre outras coisas. Depois, fiz a arte da capa, com o logotipo, que era um desenho de Marcos Mündell, e na parte traseira uma fotografia da banda em preto e branco. Dentro havia um envelope simulando um disco, com miolo e tudo, onde estavam os nomes das musicas e as inscrições "Lado A", e "Lado B". Num dos lados, as informações técnicas, e "Design Gráfico: A Barata Web e Produções", e meus contatos como "Manager" me encheram de orgulho.

Quando o disco chegou, Rolando não gostou muito da prensagem final, que, realmente ficou muito abafada, mas não tinha retorno. Fomos a Avenida Paulista, numa copiadora imprimir o encarte, que continha as letras, e que seria usado para acomodar o CD, bem menor que a capa. Aquele material todo foi dobrado e encartado por mim e Samuel Wagner, que junto com o Daniel Ribeiro, era "roadie" da banda. O disco estava pronto.

Começamos então os trabalhos de divulgação, a turnê do disco, coisas assim. Nessa maratona, foram corridas em redações de jornais bairro, lojas de discos, bares, casas de shows, etc. Éramos sempre eu e o Luiz Domingues a fazer esses contatos, e nessas aventuras também conheci o Ricardo Alpendre, pessoa a quem também admiro e que depois viria a participar comigo de vários projetos, incluindo outro de meus orgulhos musicais e poéticos, a "Opera Rock Vitória", na qual ele participa como uma das figurais principais, o "Narrador". Na época, Ricardo e seu irmão tinham uma loja de discos, a "Jardim Elétrico Discos", além de ser vocalista da banda de Rock "Tomada". Atualmente Ricardo é locutor profissional, voz marcante que pode ser escutada em muitos comerciais famosos de televisão.

O lançamento de um disco precisa de "shows", e de mídia. Na mídia, além dos citados jornais de bairro, foram conseguidas duas importantes: uma apresentação, com direito a "live" nos estúdios da Kiss FM, e uma entrevista na Jovem Pan AM, num programa noturno, ao vivo. Essa entrevista, entretanto viria a me magoar, pois no momento em que o apresentador pergunta à banda, elogiando o formato do lançamento, sobre de quem tinha sido a ideia, a resposta é que tinha sido "da banda". Fiquei muito chateado, e por muito tempo, afinal não custava ter dito que era de um amigo, de um parceiro de nome tal. Isso não seria, muito pelo contrário, demérito a banda. EU tinha feito reuniões na casa do Rolando, com todos os integrantes da banda, explicando o conceito por trás da ideia, do nome dias antes, e agora tinha que engolir um "esquecimento". Fiquei triste com isso muitos anos, e só em 2012, quando escrevi uma coletânea de textos, que incluíam os tais diários de bordo, e com prefácio de Rolando, que ao ler o texto onde eu falava sobre isso, ele se desculpou e retratou.

Como a intenção maior desses relatos é trazer não apenas os fatos, mas principalmente a lembrança das pessoas responsáveis por eles, preciso fazer um parêntese importante: no dia em que rolou a apresentação e entrevista da Patrulha do Espaço na Kiss FM, encontrei na Avenida Paulista, com um antigo conhecido de A Barata, e que estava em São Paulo a trabalho: o glorioso "Nico Bates", da banda paraense Norman Bates, a quem já me referi em textos anteriores. Trocamos algum material e creio que tomamos um café. Nicolau Amador, seu verdadeiro nome, me brindou com o disco da banda, que ostentava na contracapa o logotipo de "A Barata" como apoio, e até hoje é um dos troféus mais valiosos que guardo desses tempos, além da fotografia que tiramos em frente a Casa das Rosas.

Retomando: outra coisa que me irritou, em relação a esse disco, foi que tempos depois, na loja Jardim Elétrico, estávamos conversando, e ali tinha a presença do Marcelo Rossi, da banda Exxótica, que tinha acabado lançar um disco exatamente no formato de ".ComPacto". Eu disse a ele que aquela ideia tinha sido minha, e ele, na maior das caras de pau me disse:"É, pois é, ideia boa é pra ser copiada, mesmo." Esse fato, inclusive, está referenciado na declaração do Alexandre Quadros, no início desse capítulo.

A menção desses fatos, aliás, me servem para, nesse ponto falar também sobre o momento de A Barata. Eu não parava de inventar coisas que pudessem manter o nome e a tradição, já, de colocar coisas criativas, e também, lógico, conseguir algum dinheiro para manter as despesas e que até sobrasse algum dinheiro, já que manter aquela roda girando me custava muito tempo, em detrimento até do meu trabalho como "webdesigner". E uma dessas coisas, lembrada bem pelo Alexandre em seu depoimento, foi criar a "Marmit'A Barata", que era uma caixa que continha livros, meus ou de outros, camisetas, CDs, coisas assim. O momento era absolutamente, dentro do conceito "underground" de glória, e momentos de momentos de glória precisam ser aproveitados até que virem, como agora, momentos da história.

Na semana em que ocorreu a entrevista na Jovem Pan, aconteceria o que há tempos o Rolando queria: uma apresentação na Led Slay. Era o momento certo, e eu tinha as pessoas certas na mão, já que além de "webmaster" do site da casa, eu tinha muita liberdade com o Sandro Mattos, o dono, fundador da Led. Ele não queria, em princípio, por alegar que bandas com trabalho próprio não traziam muito público, mas acabou concordando diante de minha insistência, pelo fato de que era uma banda histórica lançando disco novo, e apenas com a condição de que colocássemos duas bandas "cover" como atração. Era uma condição complicada, que Rolando relutou muito em aceitar, mas era "sine qua non", e acabamos aceitando.

Na semana que se antecedeu, procurei a Gazeta do Tatuapé, tradicional jornal do bairro e deixei discos e "release", e um texto pronto, que foi publicado na edição da semana, e fizemos, eu e Luiz Domingues, com o apoio do Samuel Wagner e do Raul, meu filho, uma correria dos diabos distribuindo filipetas, colando cartazes, indo em todos os lugares, enfim, para divulgar. A apresentação ocorreria no sábado, 29 de Março, e ainda na sexta fomos para Sorocaba, numa apresentação no mínimo desastrosa, não por parte da banda, mas da casa, que não queria pagar o cachê combinado. Cheguei em casa pela manhã, dormi apenas umas duas horas e fui pra Led Slay.

Passei a tarde inteira ali, acompanhando a passagem de som e participando os últimos preparativos. Entre outras coisas, eu tinha feito amizade com Waldir Falcaro, dono de uma escola de música, a Cosmosom, ali mesmo no Tatuapé, que gostava de trabalhar com filmagens, e no meio da tarde chegaram ele e o irmão, para montar o equipamento.

No início da noite, os músicos da banda voltaram para suas casa para tomar banho e se preparar. Samuel, o "roadie" ficou na minha casa, que era próxima a Led. Quando acabei de entrar em casa, recebo uma ligação do Rolando me informando que teríamos uma participação muito especial naquela noite. "Ah, sim, eu disse a ele, teremos a participação da Xandra Joplin...". E ele: não, estou falando do Dudu.". "Que Dudu? O Chermont? Tá de brincadeira!". Dudu Chermont tinha sido guitarrista na fase que reputo como a melhor da banda, quando era apenas um "power trio" com Sérgio Santana no baixo, e que foi a formação que abriu para o Van Halen, na sua turne no Brasil. Era quase uma "lenda viva", mas tinha tido enormes problemas de saúde. Fiquei exultante. E rapidamente tomei banho, troquei de roupa e voltei, com Samuel a tiracolo, para a Led Slay.

No camarim Rolando estava irritado com a história das bandas "cover", e resolveu que não queria esperar eles tocarem para entrar de madrugada e pegar uma plateia cansada. Eu não via as coisas dessa forma, pois, em minha opinião, o que passaria é que a Patrulha do Espaço estaria abrindo para bandas "cover", mas acabei sendo "voto vencido", e a Patrulha pisou no palco da Led antes das bandas que tocariam musicas do Motorhead e do Whitesnake. O público não era muito grande, mas estava repleto de antigos fãs, que em outra condição, jamais pisaria a Led Slay. O ponto alto, conforme relatei no meu "Diário de Bordo" daquele dia, foi quando Dudu Chermont pisou no palco: " Mais algumas músicas e Dudu sobe ao palco, empunhando sua guitarra e solta Arrepiado e Depois das 11. Como é bom ver Dudu Chermont de volta ao palco! 'Como é bom tocar', ele diz quando eu o abraço numa reverência." Foi um dos momentos mais emocionantes que já presenciei, e que, não de forma diferente, eu resumiria da mesma forma que resumi no relato escrito no dia seguinte: "Seis e pouco da manhã. Mais um dia amanhece, mas não é um dia comum... é um dia que sorri em forma de sol... os deuses do Rock estão felizes."

De todos os anos, acredito que 2003 foi o mais intenso e produtivo dentro da história de A Barata, então, é compreensível que tenha o capítulo mais longo deles, como com certeza será. Afinal, neste ponto, ainda estamos no mês de Março, e muita coisa ainda há para ser contada. Então, o leitor menos afeito a textos longos, nesta era plástica e imediatista, pouco afeito a maiores detalhes irá reclamar um pouco, possivelmente deixará de ler, ou lerá apenas trechos. Esses, reputo, não me fazem falta. Sou adepto aos detalhes, às histórias contadas em minúcias. Prossigamos então, apenas aos que tem real interesse.

Nesse frenético período, além do trabalho que mantinha minhas contas pagas, mesmo que atrasadas, e das dificuldades financeiras, eu me dividia entre vários projetos ligados a música, particularmente ao Rock. Entre outras coisas, construí o site da Rock Geral, a pioneira rádio Rock do amigo Paulo Rogério e o do músico Marcelo Watanabe, que se tornara um amigo, e ao qual eu prestava serviços de divulgação e mídia. Todas as semanas, o japonês bluseiro ia na minha casa logo cedo, e sempre chegava trazendo um saco de pão para tomarmos café, após o qual sentávamos para divulgar seu CD, "Nave Louca" . Ficamos de fato muito amigos, com o "Wata" presente em vários eventos que fiz, e eu trabalhando na infra de algumas apresentações dele.

Foi por intermédio do Marcelo que conheci o Bento Araújo, que ainda estava nas prévias de lançamento de sua revista, a "Poeira Zine". Ele me disse que tinha um amigo que estava lançando uma revista, voltada particularmente a musica dos anos 60, 70, e se eu poderia dar uma força. Recebi o numero "0" da publicação e comecei a escrever textos e fazer a divulgação em A Barata. Bento me pediu que eu lhe apresentasse o pessoal do Rock de São Paulo, que eu conhecia bem. Em Julho aconteceria outro "show" da Patrulha do Espaço no Centro Cultural São Paulo e eu o convidei para ir. Quando acabou, fomos a camarim e apresentei-o aos membros da banda, falando sem parar sobre o projeto dele. Ele era um moleque ainda, cheio de planos para sua publicação, e a partir daí coloquei-me a disposição dele para concretiza-los. Pouco tempo depois, ele me contrataria para fazer o site da revista, o qual, ainda imbuído do espírito de colaborar com ele, cobrei um preço simbólico. Ficou lindo, e nele usei formas e tecnologias ainda pouco usadas.

Nunca poupei formas de colaborar com pessoas que fazem trabalhos em que acredito, até mesmo abrindo mão de dinheiro, e com ele não foi diferente. Eu acreditava muito, usava de todas as formas para ajudar a divulgar, mas sempre fui tratado por ele, essa é a realidade, apenas como um instrumento. Já na época eu trabalhava com revenda de hospedagem de sites, e o site da Poeira Zine estava sendo hospedado por mim. Além disso, era preciso fazer atualizações constantes e negociei com ele o seguinte: eu não lhe cobraria esse trabalho, e em troca ele colocaria anúncios de A Barata na revista. Tudo correndo bem, até que um dia eu mandei uma arte de um anuncio para ele, onde constava uma parte do corpo feminino. Um dia depois recebo um email dele, dizendo que os outros anunciantes não concordavam com aquele anuncio, que ameaçavam não anunciar na edição, coisas assim. É claro que a coisa não fazia sentido, afinal, e percebi que na verdade isso tinha partido dele, e isso era simplesmente uma forma de censura, que eu não admitia. Dei o troco, de forma que, se ele fosse inteligente perceberia, e não sei se percebeu. Fiz um anuncio usando a foto do cano de uma arma em close e com a pergunta: "Isso Pode?". O anuncio saiu assim.

Depois disso, a relação entre a gente começou a azedar. Se antes eu oferecia, sem pagamento, meus textos para o Poeira Zine, deixei não apenas de fazê-lo, mas de publicar textos que pessoas tinham enviado a ele e tinha sido rejeitados ou cortados, como foi o caso de "How To Buy Lemmy", do Ricardo Alpendre, que até a atualidade é colaborador dele, mas cujo texto tinha sido cortado, em A Barata. E ele, por sua vez, que sempre me dava um exemplar dos lançamentos da revista, deixou de fazê-lo. Cerca de dois anos depois, o golpe sujo final: ele me disse que ia parar com o site, que não queria mais, que era uma despesa que não podia mais cogitar, que iria encerrar. O domínio dele era ".com", mas poucos dias vejo uma divulgação dele, creio que ainda no Orkut, divulgando um endereço de ".com.br". Ainda falei com ele, dizendo que aquilo estava errado, mas meio sem graça ele me contou uma história sem pé nem cabeça, sobre ter ganhado um novo site e tal. Mentiras tem pernas curtas, mas a ingratidão às tem longas. Ainda fui e escrevei sobre o "Poeira Zine Fest", alguns anos depois. O Bento acabou se tornando uma figura requisitada nos meios roqueiros de São Paulo, e seu veiculo perdurou até bem pouco tempo.

Depois dessa apresentação da Patrulha do Espaço, no Centro Cultural, onde contamos com uma grata surpresa, que foi o retorno de Percy Weiss à São Paulo e ao mundo do Rock. De cabelos curtos, Percy contou sobre o tempo em que tinha trabalhado como vendedor de instrumentos e sobre quando tinha morado no Nordeste. Comentei com Rolando: "Porra, chama ele para cantar na banda novamente." Ficamos até altas horas no camarim conversando, e eu indo várias vezes ao bar em frente comprar copos enormes de conhaque para ele.

A rotina das viagens pelo interior e Sul do pais com a Patrulha continuavam, e todo o movimento ao redor de A Barata também. Chegavam novos poetas escritores, e muitos com produção intensa, como o citado Wildshark, e outros, como do criador do Choose You Side, Fabio Carvalho, e o publicitário Fabiano Gozzo, que assinava uma bem humorada coluna sobre sexo chamada "Sexo d'As Baratas", que fazia um sucesso danado, especialmente entre as mulheres. Muitos escritores, alguns que hoje são bem conhecidos, de alguma forma começaram em A Barata, que nunca recusou ou colocou nenhum obstáculo, e principalmente, nunca censurou nenhum autor, sempre honrado aquele mote que eu criara como "Slogan" logo no início: "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade."

Com todos esses elementos, e amparado pela experiência que tinha aprendido com as turnês da Patrulha do Espaço, e por fim instigado pela direção da Led Slay, que queria há tempos que eu fizesse um evento lá. Afinal, eu era frequentador assíduo, "webmaster" e até mesmo confundido por muitos frequentadores como um dos donos. (Era até engraçado, gente dizendo que, tudo bem, que não contaria pra ninguém, mas que sabia que eu era também dono da Led. Eu ria disso e acabava deixando no ar. A lendária Gigi Boquete era uma que dizia isso. Ah, a Gigi ganhou esse apelido por fazer chupetas em troca de entrada gratuita.)

No começo de Agosto, dei o pontapé inicial do que foi batizado de, claro, "2ª Fest'A Barata". Foram quatro meses de trabalho intenso, até o dia 8 de Novembro. Havia muito a ser feito, já que eu não ia deixar por menos, tinha que ser algo enorme, vultoso, com tudo o que eu já tinha feito, mas de forma muito maior e mais suntuosa. Não seriam quatro, mas, em principio dez, as bandas a participar. E teríamos tudo o que era a marca registrada do anterior: exposições, poesia, tatuagem, brindes, livros. Enfim, o velho conceito que eu tinha de eventos, que perdura até os dias atuais.

As primeiras bandas cotadas, com certeza, seriam as que tinham feito comigo o evento na Fofinho no ano anterior. Falei com todas, mas algumas não poderiam participar, como a Vercilha Zaira e a Crusaders, mas a Black Rainbow, do Odair Cassani e a Eddie Of Darkness confirmaram. Eu tinha assistido e ficado muito impressionado com a apresentação de uma banda, anos antes na Led Slay chamada "Purpendicular", que tinha um vocalista que, além de cantar demasiadamente, era até parecido com Ian Gillan, o Abdalla Kilsam. Terceira banda confirmada, a Rock Dogs. Não lembro exatamente como, mas tinha recebido o trabalho de uma banda que me deixara muito impressionado chamada "Lost Inspiration" e sabia que faziam um excelente tributo a americana Savatage. Mais um ponto ganho e nesse ponto eu tinha metade do "cast" pretendido.

Da primeira vez que estive em São Carlos com a Patrulha do Espaço, numa apresentação que reputo como uma das melhores que presenciei na época, a banda de abertura era uma banda chamada Tarja Preta, mas entre os presentes, uma "molecada" muito bacana, que formava uma banda chamada "Homem Com Asas", aliás um nome muito criativo, e que tinha um repertório bem trabalhado. Travamos uma amizade grande e me comprometi com os músicos, todos estudantes da UFSCAR, a Universidade Federal de São Carlos, que assim que eu promovesse algo em São Paulo os traria. E enfim chegara o momento, e eu os "intimei" a fazer "covers" de duas bandas, a fim de poder lhes pagar um cachê maior, já que teriam um custo alto de deslocamento de cerca de 200 Km até a Led Slay. Eles fariam Grand Funk e Led Zeppelin. Uma menção a essa banda é que o baixista era o Gabriel Costa, que algum tempo depois se mudou para São Paulo e atualmente é instrumentista da lendária Violeta de Outono.

Eu tinha sete das dez pretendidas, e precisava colocar algo que atingisse outros públicos. Assim contatei uma banda que fazia tributo ao Motörhead chamada "Motörhead Crew", uma que fazia Ramones, a muito elétrica "Ataque Relâmpago", e por fim, no intuito de agradar a um publico mais "jovem", uma banda "cover" de Nirvana que tinha o nome de "Violent Noise". Estava fechada a programação, todos com contratos assinados, cachês negociados e tudo mais. Estava... Ah, não, não estava.

Em 2002 o Cezar Heavy, aquele da Xiboquinha, vocalista da Tublues tinha pedido que eu lhe mandasse um poema para que ele musicasse. Lembro que mandei três, entre eles "Sangue de Barata". Quando eu comecei a divulgar o evento, fiquei sabendo que a musica estava pronta e até mesmo sendo tocada em apresentações da banda. Até meu amigo Marcelo Nicolau, ainda sem trema no nome, já tinha visto e ouvido. Comecei a pedir a ele que me mandasse a musica, mas ele me disse, fazendo uma chantagem o mardito, que eu só ouviria se colocasse a Tublues no meu evento. De fato eu até tinha pensado em trazer, mas como eram de Lorena, e ficaria caro, não cheguei a chamar. Diante, entretanto, das condições expostas, e claro, doido para escutar a minha poesia musicada, dei um jeito e acabei confirmando a banda. Loucura aquilo: onze bandas numa noite. Eu ia enlouquecer para administrar aquilo sozinho.

Sempre gostei de trabalhar sozinho, tenho problemas em administrar gente, mas naquele momento era preciso contar com a ajuda de alguns amigos. Deixando de lado os problemas que tinha tido com Graciano na Fofinho, chamei-o para ajudar, o que ele fez de bom grado, e colaborou demais na divulgação, me colocando no carro e saindo para divulgação, colagem de cartazes, etc. No dia, já sabia de antemão que poderia contar com o Nicolau, e com minha então esposa, e de mais algumas amigas.

Uma olhada agora na filipeta da época, recordo algo que deve ser comentado. O sucesso de A Barata foi, sim, muito grande, e uma régua que a gente usa para medir sucessos é o numero de cópias que aparecem. Naquele ano particularmente, muitos sites de Internet apareceram, curiosamente com nomes de bichos noturnos, insetos e correlatos.Um deles, criado por um camarada chamado Thiago Porto e denominado "Corujas On Line", é um desses casos. E a cara de pau foi tão grande, que ele começou a anunciar comigo e, para meu maior espanto, comprou as quatro cotas de patrocínio que eu tinha criado para anunciar. Sei que muitos outros existiram, e alguns até, tempos depois confessaram que foram influenciados, mas o caso dessa corujinha é algo bem mais curioso. Claro que quase todos, senão todos, desapareceram, enquanto alguns mudaram de nome e de mote, mas estou certo de que a influência até hoje perdura.

Bem, depois de meses de trabalho chegamos afinal ao dia 8 de Novembro. Não preciso dizer que a noite anterior passei acordado, dado a meu grau de ansiedade. Tudo tinha que sair a contento, tudo tinha que funcionar corretamente. Eu pensara em todos os detalhes e tinha providenciado tudo o que podia antecipadamente. Tinha desde a relação das placas dos carros que teriam acesso liberado no estacionamento, os locais onde estariam as bancas de tatuagem, do "Piece Of Maiden", da Kozmic Blues" (da minha amiga Rê Joplin que também ofereceu vários brindes para sorteio no dia), tinha os ingressos impressos e numerados, crachás de identificação de pessoal de apoio e músicos, tudo feito com o melhor que eu tinha.

Fui para a Led Slay no começo da tarde, esperar a chegada da Tublues, que por ser a primeira a se apresentar, e portanto a responsável pela passagem de som. Cezar Heavy e trupe chegaram e foram para dentro, enquanto eu estava do lado de fora, dando os últimos retoques em detalhes. Num dado momento, alguém vem correndo me chamando para dentro, e a banda começa a tocar "Sangue de Barata". Quase tive um ataque do coração. Todo o meu sonho de ter minhas poesias transformadas em musicas, finalmente acontecera. Se eu conseguisse chorar o teria feito, mas apenas abracei o Heavy e agradeci.

A "2ª Fest'A Barata" começou. O horário marcado era para as oito da noite, mas a direção da Led Slay pediu que eu esperasse um pouco, pois o normal de abertura era das nove. E, em ponto, eu subi, mesmo a contragosto, no palco e apresentei a primeira banda da noite, justamente a Tublues. Não gosto de palcos, prefiro bastidores, e minha apresentação foi muito tímida e acanhada. Foi então que surgiu o "Chacrinha da Led Slay": chamei meu amigo Nicolau e pedi a ele que dali por diante apresentasse o espetáculo, o que ele fez com brilhantismo, comentando, brincando, chamando os músicos.

A duração das apresentações, em função da quantidade enorme de bandas era de trinta minutos, e o "Chacrinha", além de apresentar, tinha que cuidar também disso. Eu sabia que ele daria conta do recado, como de fato deu, com galhardia e maestria. Quem não deu, novamente, foi meu amigo Graciano, cuja única função, como seria bilheteria dividida entre A Barata e Led Slay, fiscalizar para que a casa não deixasse ninguém entrar que não fosse com os ingressos personalizados. Era simples, mas novamente ele estava embriagado e fui obrigado a retirá-lo do posto, e dar-lhe uma sonora bronca. Eu também gostava de tomar minhas cervejas e outras coisas, e várias vezes tínhamos ficados bêbados juntos, mas numa ocasião dessas, jamais. Havia muita coisa em jogo para se perder por causa de uns tragos.

As bandas se sucederam sem nenhum problema, muitas tirando a plateia do sono que, pela alta madrugada se achegava. Sem nenhum problema maior, chegou ao final a segunda edição da "Fest'A Barata", que contou ainda com a participação do Rolando e do Marcello, da Patrulha do Espaço, dando uma canja com a Homem Com Asas. Tudo isso foi registrado pelo Waldir e Mário Falcaro, os irmãos da Cosmosom, com as condições técnicas possíveis, em vídeos que atualmente constam do Youtube.

Conforme disse vários parágrafos atrás, 2003 foi o ano mais produtivo, e por que não dizer, o mais importante na história de A Barata, E só vejo uma maneira de terminar o relato sobre ele, com o ultimo parágrafo do texto que escrevi nos dias seguintes:

"Quase seis da manhã de domingo. As bandas e a maior parte do público já deixaram a Led Slay. Distribuo aos funcionários da Led Slay as últimas camisetas e alguns brindes que sobraram, pois afinal eles foram muito prestativos e colaboraram muito com o sucesso do evento. Abdalla é o único músico ainda presente e marcamos nova conversa e falamos rapidamente de novos projetos. Dona Rosalia minha mulher, Ian meu filho, Cayo, Paty e Graciano, que me ajudaram muito naquela noite estão todos com cara de fim de festa. Nicolau, o Gigante Chacrinha já se foi, em direção a sua cidade. Alguém, não lembro bem quem, pergunta: 'Quando será a próxima?'. Depois daquela noite de interação, de comunidade, onde cerca de 1.000 pessoas estiveram juntas e se divertiram e aprenderam (sempre a melhor forma de aprendizado é a diversão), não sei se poderei repetir novamente. Mas 2004 chega rápido... Quem sabe???!!!"

Em tempo: relendo esse texto agora, percebo a menção a um nome: "Paty": sinceramente, por mais que eu puxe pela memória não consigo me lembrar quem é essa pessoa. Imperdoável esquecimento, mas talvez algo em meu cérebro tenha bloqueado isso, por algum motivo que somente ele conhece.

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Ligações dos Vídeos Referidos:
Patrulha do Espaço na Led Slay e 2ª Fest'A Barata

Patrulha do Espaço Led Slay 2003 Lançamento de ComPacto - Parte 1 -
https://www.youtube.com/watch?v=pbnatKOE9sA
Patrulha do Espaço Led Slay 2003 Lançamento de ComPacto - Parte 2 -
https://www.youtube.com/watch?v=J9gMmNxux5Q&t=1709s
II Fest'A Barata - Led Slay 2013 - Parte I - Tublues e Homem Com Asas -
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=NQVePw-xFgA
II Fest'A Barata - Led Slay 2003 - Parte II - Homem Com Asas, Dio Cover e Rock Dogs -
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=RH8HEmY47Vs
II Fest'A Barata - Led Slay - Parte III - Homem Com Asas, Eddie of Darkness e Motorhead Crew -
https://www.youtube.com/watch?v=sFrAUpJ_TW4
II Fest'A Barata - Led Slay - Parte IV - Ataque Relâmpago e Violent Noise -
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=CBEfBEaVcQU



Links dos Textos Referentes:
Sobre a 2ª  Fest'A Barata:

http://abarata.com.br/festas_baratas_detalhe.asp?codigo=22
http://abarata.com.br/festas_baratas_detalhe.asp?codigo=28
http://abarata.com.br/festas_baratas_detalhe.asp?codigo=31



 Dos Diário de Bordo da Patrulha do Espaço, Sobre o Show da Led Slay:
http://abarata.com.br/musica_ensaios_detalhe.asp?codigo=185


Poesia do Ano

Todos os textos e poemas publicados em A Barata, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, registrados no Escritório de Direitos Autorais. Proibida a cópia e uso sem autorização do legítimo proprietário, sob as penas da Lei.

Escafandro
Barata Cichetto

Mergulho em águas profundas em busca de uma paixão abissal
Falta oxigênio em meu cérebro, corre em meu sangue água e sal
O mar profundo e escuro da solidão é o mundo que habito agora
Uma sereia tatuada em meu peito, uma deusa, não uma senhora

Um escafandro furado, um tanque de oxigênio de muito pesar
Bolhas de ar em meu sangue, bolhas de sangue em meu ar
Meu barco está ancorado em um porto distante da realidade
Sou apenas um mergulhador sagrado em busca de liberdade.

Mergulhar, mergulhar., mergulhar em águas mais profundas
Sereias púrpuras com peles transparentes e doces bundas
Ou sereias aladas nadando com asas de plástico amarelo
E nada em minha superfície nada com tanta graça e tão belo.

Então eu mergulho até o fundo, afundo na areia minha mão
Quase afogado, respiro profundo, busco ar em meu pulmão
O escafandro pesado abandono, a liberdade alcanço por fim
Mas ninguém irá ao mar jogar ramalhetes de rosas por mim.

8/1/2003

 

PALAVRAS E PESSOAS-CHAVE (keypeople and Keywords)
Partido dos Trabalhadores; José Alencar; Ayn Rand; Rush; 2112; Sarrumor; Laerte Sarrumor, Laert Julio; Língua de Trapo; Continental Discos; Marcos Mündell; Samuel Wagner; Daniel Ribeiro; Ricardo Alpendre; Jardim Elétrico Discos; Marcelo Rossi; Exxótica; Sandro Mattos; Gazeta do Tatuapé; Raul Cichetto; Waldir Falcaro; Cosmosom; Alexandre WildShark Quadros; Fábio Kill Carvalho; Choose Your Side Zine; Rê Joplin; Xandra Joplin; Dudu Chermont; Nico Bates; Norman Bates; Nicolau Amador; Fest'A Barata; Rock é Atitude; Marcelo Nicolau; Graciano Abambres; Led Slay; Caruso Tattoo; Poeira Zine; Bento Araujo; Abdalla Kilsam; Odair Cassani; Lost Inspiration; Marcio Galini; Homem Com Asas; Gustavo Arruda; Gabriel Costa; Marcelo Minduim; Thiago Porto; Rolando Castello Junior, Marcello Schevano, Rodrigo Hid, Luiz Domingues; Walter Alemão Gonçalves; Marcelo Watanabe; Centro Cultural São Paulo; Percy Weiss; Fabiano Gozzo;
Trilha Sonora: Patrulha do Espaço - Robot
http://www.ledslay.com.br

Galeria 2003


Galeria 2003
2ª Fest'A Barata
Led Slay 8/11/2033
 

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POSTAGEM


1958

O Início Antes do Início
Até chegar à Internet há um longo caminho.

1990

Antes da Internet Havia Vida (Também)
E o importante é que eu tinha Internet, eu tinha Internet, tinha Internet.

1997

O Banheiro da Internet
Na pífia Internet dos anos 1990, uma cidade chamada Geocities.

1998

A Melhor Decisão, ou a Pior Decisão? E a Segunda Edição do Banheiro da Internet
Começam as polêmicas com um manifesto contra o aborto.

1999

As Baratas Cascudas Crescem nas Alamedas
Mudança para Belém, PA. Inspirado nas enormes baratas-cascudas da região surge o nome A Barata, no HPG, primeiro host gratuito brasileiro.

2000

Belém com cheiro de sexo e cultura; e a A Barata na Vitrine.
Retorno a São Paulo, e entrevista ao programa Vitrine da TV Cultura. Em função disso, o site se projeta e alcança grande audiência.

2001

Rock é Atitude, com Dio em São Paulo, e A Barata Com Endereço Próprio
Dia 5 de Abril, dia da apresentação da banda Dio em São Paulo, passa a existir o domínio abarata.com.br. Criado o sub-slogan, "Rock é Atitude!", que passa a estampar as camisetas criadas nessa época.

2002

O Ano em A Barata se firma como uma referência no meio de Rock e Cultura Underground.
Um ano dos mais importantes e frenéticos, que começou em Janeiro, com a "1ª Fest'A Barata", continuou em março, quando fui convidado a escrever texto para o Jornal do Brasil, e terminou o ano com o já batizado "Barata" como gerente da Patrulha do Espaço.

2003

O Ano da Patrulha do Espaço, e da Segunda Fest'A Barata. O Sítio Rompendo Fronteiras da Internet
Um ano intenso, viajando pelas estradas do interior de São Paulo e do Sul do país a bordo do "Azulão" me fazem entender melhor os bastidores de uma banda e de um show de Rock, e do trabalho complexo do lançamento de um disco. E um dos meus maiores orgulhos roqueiros: ".ComPacto"

2004

Marcio Baraldi e o Mascote; A Barata no Ônibus Mágico
O cartunista Marcio Baraldi, "o mais Rock'n'Roll do Brasil" se envolve no projeto, através de apoio financeiro e da criação do mascote, uma barata hippie e simpática. "Vinho, Poesia & Rock'n'Roll, no Magic Bus Bar. Organizamos a apresentação da banda "Malefactor" em São Paulo no mesmo local. Projeto "Sabbath Trifásico" na Led Slay, com três bandas de três diferentes vocalistas.

2005

Betty Boop, Orkut e Morangos Com Chocolate
Muito Sexo, Muita Poesia e... Pouco Rock'n'Roll. E A Barata Que é Bom Nada! Ou Ainda: Bukowski Foi Até a Favela Buscar Cerveja e Ainda Não Voltou!

2006

- "Nóis Fumo, Mas Vortemo" ou Antes do Começo e Depois do Fim, ou Ainda: Racumin é Para Matar Ratos, Mas Eu Sou Barata
Depois de nove anos, por pressão financeira, o sítio fica fora do ar por um mês. O apoio de Marcio Baraldi e Belvedere Bruno foram fundamentais ao seu retorno. Mas em função do crescimento das redes sociais e dos blogs, a frequencia diminui. Um'A Barata sem eira nem beira.

2007

Barata, Um Quase Garoto de Programa; Sangue de Barata e Um Festival Ganho Com Prêmio Nunca Recebido; Uma Fofinha na Fofinho e Peixes no Meu Aquário
"Sangue de Barata", interpretada pela banda Tublues, vence o "1º Festival Rock na Net", que teve o apoio e a participação intensas do site. O poema "Desgraçados" leva Menção Honrosa em concurso literário "Elos e Anelos". E uma permuta estranha com uma garota de programa. Um ano agitado, Barata com voando alto. E no fim se esborrachando no chão.

2008

O Ano Que Nunca Deveria Ter Existido; E Que Não Foi Daqueles Que Nunca Acabaram, Mas Que Parece Que Nunca Sequer Começaram
As redes sociais mostram seu poder: ninguém está à Salvo. A Revist'A Barata passa a ser o carro-chefe; A Barata deixa de ser um Portal e se torna um site pessoal. Uma Revolução fracassada.

2009

Barata: Liberdade de Tesão e Tesão de Liberdade, Solidão, Poesia e Muito Rock'n'Roll, de Volta Para o Futuro
Rádio Barata Don't Stay Mais Aqui, e o que resta é uma Lágrima Psicodélica e uma loirinha má. Veteranos na Led Slay e putarias no Arco-íris. E entram em cena a Gostosona de botas pretas e decote honesto que só falava das filhas, e a Gostosinha de minissaia que queria prender o pai da criança.

2010

A Gostosona, Amyr Cantusio Jr, Vitória, Editor'A Barata Artesanal e Rádio Cultura
A Gostosona dá as caras... E muito mais: a união com Izabel Cristina Giraçol muda a trajetória de Barata. Uma visita a Fernando Pessoa no museu, criação da Ópera Rock Vitoria, em 20 dias. Participação em programas da Rádio Cultura de São Paulo, Rádio Barata, na Radio Lágrima Psicodélica.

2011

Criação da KFK Webradio, Oficina de Webradio, Visita a Uma Rádio AM. O Ano da Inauguração do Ódio no Poder
Enquanto Caetano Veloso é noticia na mídia se preparando "para atravessar uma rua do Leblon", Barata se prepara para cagar em Guaianases, e depois lançar a Opera Rock Vitória, e fazer outras coisas como criar a KFK Webradio, com o mote "A Rádio Que Toca Ideias."

2012

Um Quase e Um Fim Para a KFK Webradio; Barata a Ferro e Fogo; Confraria dos Loucos, Oficina de Literatura; A Autobiografia Não Autorizada e Uma Enxurrada de Livros; Fanzinada e Politicamente Incorreto ao Quadrado.
Enquanto o mundo não chega ao fim, Barata se encarrega de escrever e lançar sua autobiografia não autorizada, e faz meia dúzia de lançamentos literários, incluindo um malfadado primeiro livro por uma editora, e ainda lança quatro edições de uma revista impressa. Surge o Barata À Ferro e Fogo e no final do ano, a primeira das belas edições de Politicamente Incorreto ao Quadrado.

2013

Sem Estripulias Eróticas, Um Ano de Muitos Livros, Revistas e Rock'n'Roll. PI ao Quadrado ao Redor do Mundo, e a Criação da Revista Gatos & Alfaces
2013, o ano em que a literatura do escritor Barata e a arte do artesão de livros Barata se deram as mãos e produziram muito mais que poderiam supor. E duas mortes no mesmo abalando minhas estruturas poéticas: Lou Reed e Paulo de Tharso.

2014

Barata e o Rock Brasileiro: Ainda Respira. Uma Estrela Nua na Gatos & Alfaces e Nua Estrela no Rock In Poetry na Vitrine da Galeria Olido
A Gatos & Alfaces aparece e se firma como alternativa à poeira irrespirável das publicações; surge o Barata Rocker; revelações bombásticas sobre a Gostosona; e Barata novamente no Talk Show. Tudo isso e mais, na "Saga de Uma Barata Rebelde".

2015

Barata e Aranha; Rock In Poetry and Rick'n'Roll; a Volta e Revolta na Galeria Olido; Muqueta na Oreia Sem Flores Nem Fogo; E o Fim Trágico da Gatos & Alfaces. Jesus Não Tem Dentes no País...
O que era para ser o ano da definitiva sedimentação da Gatos & Alfaces, se torna o de seu sepultamento. Depois de duas edições da revista, incluindo uma totalmente colorida, e três do evento, chega ao final um projeto, mais que isso, de um sonho. Lançamento de Troco Poesia Por Dinamite

2016

Barata: Meu Malvado Favorito e A Tartaruga Feliz, Alianças de Casamento; He Don't Me In Stay; Barata Reversa, Pictures (Not) In Exhibition à Sombra de Uma Morta Viva
Filhos da puta do mundo uni-vos: Barata está na área. A complicada experiência de escrever um livro infantil, o rompimento com a Stay Rock Brasil e a criação da Reversa Webradio. E do casamento oficial com Bell nasce o Senhor Giraçol e um "novo" artista plástico.

2017

Rock In Poetry no Sauer Rock Bar; Retorno da KFK Webradio Com a Devassa Cris Boka de Morango; Barata Num Vídeo Pornô e o Manual do Adultério Moderno
Uma Nua Estrela almoçando arte pornográfica com o Grande Guerreiro Louco; Juro não cumprir nenhuma promessa. Frank Zappa não mora mais aqui.; Barata, a Devassa e os Domadores de Tempestade: no Sauer Rock Bar; Blues Riders On The Storm and The Vikings Are Coming e um Manual do Adultério Moderno

2018

Sessenta Anos de Sacanagem. O Som e a Fúria; Barata Não Mora Mais Aqui. Mora Com o Sol. Deixem a Esquerda Livre. O Fim da Saga d'A Barata Rebelde. O Fim ou Começo?
Ao completar sessenta anos de idade, tudo o que podia ser chorado já foi chorado, como vovó dizia e Raul afirmava plenamente. O trem do futuro leva a Araraquara. Macunaíma, os irmãos Martinez, e a cidade das árvores. O futuro não pertence ao pensamento. Informação demais é pior que nenhuma.


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