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2004 - Marcio Baraldi e o Mascote; A Barata no Ônibus Mágico
O cartunista Marcio Baraldi, "o mais Rock'n'Roll do Brasil" se envolve no projeto, através de apoio financeiro e da criação do mascote, uma barata hippie e simpática. "Vinho, Poesia & Rock'n'Roll, no Magic Bus Bar. Organizamos a apresentação da banda "Malefactor" em São Paulo no mesmo local. Projeto "Sabbath Trifásico" na Led Slay, com três bandas de três diferentes vocalistas.

WIKI

"2004 (MMIV, na numeração romana) foi um ano bissexto do Século XXI que começou numa quinta-feira, segundo o calendário gregoriano. As suas letras dominicais foram DC. A terça-feira de Carnaval ocorreu a 24 de fevereiro e o domingo de Páscoa a 11 de abril. Segundo o Horóscopo Chinês, foi o ano do Macaco, começando a 22 de janeiro. Celebraram-se naquele ano: Ano Iberoamericano do Portador de Deficiência, Ano Internacional do Arroz (pelas Nações Unidas), Ano Internacional para Comemorar a Luta Contra a Escravidão e a sua Abolição (pela UNESCO)."
Escrito e Publicado por Barata Cichetto em 10/9/2018

2004 seria um ano absolutamente comum... Bem, antes de começar a falar sobre os fatos do ano, preciso acrescentar coisas que foram esquecidas nos últimos textos, especialmente pessoas a quem não fiz a devida e merecida referência. Eu poderia simplesmente editar e acrescentar as partes, mas prefiro, por uma questão de honestidade com o propósito deste, fazer uma espécie de "errata", agora.

Tentando ir pela sequencia cronológica dos fatos esquecidos: logo no início de 2001, quando tinha administrava a página da Led Slay, coloquei numa das edições da "Revist'A Barata", a divulgação do site, e distribui dentro da casa. Dias depois, quando eu chegava ao bar externo, o sujeito do balcão, que eu sabia apenas chamar-se Maurício, me chama e diz: "Aí, eu pensei em você a noite inteira...". Depois das brincadeiras de praxe, ele disse que conhecia aquele sobrenome, Cichetto, e que ficara a noite toda tentando lembrar-se de onde, e que só lembrara mesmo quando me vira, minutos antes. "Eu sou o Maurício." E eu: "Sim, eu sei disso, e daí?". E ele fez um gesto com a mão, imitando uma onda, o que me deu um susto. "Maurício? Ah... Tá brincando? Tu és o Percu? O Percu da quarta série do Vila Praia, que estudou com aquela megera da Dona Abigail?". "Sim, eu mesmo! Não acredita?" E o Maurício pegou um a um os dedos anular, médio e anelar, e os puxou para trás, quase encostando no punho. "É, tá certo, eu não consigo mais ir até o fim." Comecei a rir sem parar, por que na escola, no curso primário, ainda em 1965, ele era a sensação, justamente por fazer essas coisas com as mãos. Ficamos o resto da noite, eu ali, encostando no balcão bebendo cerveja e rabo de galo, e recordando com meu amigo de infância, picardias infantis, como as de fingir ir ao banheiro para entrar no porão da sala de aula, que era de assoalho e tinha frestas, espiar as calcinhas das meninas e das professoras. Menos a tal de Abigail, que era um monstro horroroso e gorda, além de ser uma autêntica desgraçada, sendo que um dia, em frente a meus olhos, quebrou o antebraço de um aluno quando esse tentava se defender de um tapa dela. Maurício tinha sido um dos fundadores da Led Slay, juntamente com o Sandro Mattos, mas depois de umas caídas, era agora o "barmen", e morava num quarto dentro da casa.

Outra ocorrência e pessoa que acabei esquecendo de citar, e que me foi lembrado dois dias depois num comentário de postagem no Facebook, foi a de que o guitarrista da banda sancarlense Tarja Preta, na apresentação da Patrulha do Espaço era o Danilo Corrêa Zanite, que depois de vários anos, passou a integrar a tripulação fixa da banda de Rolando Castello Junior. Danilo atualmente mora na Europa. Outro fato com relação a essa banda, foi meu lastimável esquecimento em mencionar, quando falei da apresentação na Led Slay, foi que poucos meses depois, exatamente no dia 12 de Setembro daquele ano, Dudu Chermont falecia, em sua casa, e completamente sozinho. No dia seguinte, escrevi um texto em homenagem a ele chamado "O Garoto". (http://abarata.com.br/musica_ensaios_detalhe.asp?codigo=136)

Foi, creio que também nesse ano que intensifiquei a amizade com um casal do qual até neste 2018 mantenho laços de amizade: Danilo e Ana Luiza Toloza, sendo que ela tinha assumido o papel de gerente da banda "Crusaders", e juntos fizemos muitas jornadas pelas noites do Rock, incluindo uma passagem deprimente e horrorosa na não menos horrorosa casa chamada "Kazebre", onde presenciamos uma seção de violência gratuita por parte da segurança, o que me fez jurar, e cumprir, nunca mais aparecer ali.

Também em 2003 conheci uma figura ao qual tenho muito carinho, que é a Lu Brandão, mãe do Branco Mello, dos Titãs.Ela tinha uma casa na Rua Augusta, que era no subsolo de uma galeria, que tinha o nome de, se minha memória não falha, "Rock and Roll S.A.". Ela fazia domingueiras de Rock com bandas tocando ao vivo, e como era quem era, sempre tinha grandes nomes do Rock paulistano, tanto no palco quanto na plateia. Foi lá que conheci um músico do qual se tornaria um bom amigo, o Fábio Hoffman, que na época tocava na banda 1853, do fotógrafo Alê Frata, mas que depois viria a integrar até mesmo a exótica banda daquele sujeito que surrupiara minha ideia do disco em forma de compacto. Foi por intermédio do Fábio que adentrei ao mundo do Orkut, ainda em 2004, quando ainda era todo em inglês e era preciso receber um convite. Ninguém sabia ainda o que realmente era aquilo.

E por fim, mas não menos importante, foi algo que me foi despertado pelo amigo Genecy Souza, também numa postagem de Facebook: "A saga podia ter um segundo título: o Baú do Barata.". Outro esquecimento imperdoável, já que o "Baú do Lulu", nome é que, além de soar rimado, foi por meus filhos serem ainda pequenos e me chamarem de "Véio Lulu". Era realmente um local de reminiscências, de falar de seriados antigos, coisas assim. Esse projeto foi criado quase que simultaneamente à primeira versão de "A Barata", acabou se fundido à ela logo em seguida, até os anos 2000, quando era chamado de "Almanaque d'A Barata". O "Baú do Lulu" também pode ser considerado um dos espermatozoides que fecundou para a geração de "A Barata".

Agora sim: 2004 seria um ano absolutamente comum, caso não marcasse o fim do meu primeiro casamento, que durara 22 anos. Há tempos que tinha de fato terminado, mas por não conceber a ideia de ficar longe dos filhos, fui adiando. Até que em Junho, especificamente no dia do meu aniversario de 46 anos, conheci uma pessoa que, em princípio como qualquer outra, me serviu de catapulta, para fora daquele casamento. Mas antes de eu contar sobre essa catapultagem, deixe que eu siga o fluxo cronológico dos acontecimentos, mas aguarde, pois serão relatos muito excitantes, cheios de putaria...

Em meados de 2003, não lembro ao certo, mas creio que foi por intermédio do Fábio Carvalho, do Choose You Side, travei contato com o cartunista "rocker" Marcio Baraldi, e pedi a ele que criasse um mascote para A Barata. E ainda naquele ano, o "Baraldão" me presenteava com uma personagem que até hoje me acompanha, tendo sido estampada em camisetas, artes e em muito material de divulgação: uma simpática "barata hippie", que é bem humana, a ponto de ter dois braços e pernas, não três pares de patas, e um jeito tão simpático, que até as crianças, para desespero dos pais que querem lhe impor medo de baratas, gostam. Atualmente é possível encontrar essa figura esparramada pelo Google, mas que saibam, quando a virem, que ela foi criada pelo Marcio, e representa exatamente a visão sobre mim que ele tinha. E logo no início, nos primeiros dias daquele ano, Baraldi se envolve mais de perto com A Barata, e passamos a veicular promoções com suas publicações, e em breve ainda, daria apoio financeiro, colocando anúncios pagos e participando de A Barata com textos e promoções.

Nesse mesmo início de ano, o sucesso das Fest'As Barata corria por todos os lugares, especialmente por outras casas de Rock da região. A Renata da Fofinho queria que eu fizesse de novo lá, o Pateta, então presidente do Motoclube Abutres, que eu fizesse no bar deles, na Vila Ré. Acontece que naquele momento nenhum daqueles lugares me interessa. Eu tinha outros planos, outros projetos. Foi quando apareceu na minha casa na Vila Esperança o Carlos Marques.

"Carlão" como era conhecido, era um músico que tinha comprado um bar quebrado na Vila Ré, próximo à sede do Abutres, e queria levantar o bar que tinha o nome de "Magic Bus" em homenagem a musica do The Who, fazendo eventos com bom público. Ele tinha ficado sabendo do que eu tinha feito, e me convidou para ir ao lugar, e promover meus eventos lá.

Estava fora de cogitação fazer outro festival com o nome de "Fest'A Barata", já que na minha concepção, ele era restrito, naquele momento, a casas de grande porte, como a Led Slay. Criei então um projeto, sem muita convicção, mas acreditando no potencial do bar, e principalmente, tentando ajudar o Carlão. Assim nasceu o "Vinho, Poesia & Rock'n'Roll".

Enquanto eu trabalhava na elaboração das bases desse evento, apareceu um lance de ultima hora: a banda baiana de Black Metal "Malefactor" estava em São Paulo e queria um lugar para tocar. O contato0, se não estou com a mente derretida, era do William, baixista da "Crusaders". Falei com Carlos e ele aceitou, mas era preciso divulgação de ultima hora. E lá fui eu, correndo criar artes, imprimir folhetos e sair pelas lojas da Galeria do Rock fazendo o corpo-a-corpo. Foi uma correria danada, com a gente indo atrás de locar bateria e coisas assim, mas no dia, o publico não correspondeu, ao menos a altura de uma banda que tinha acabado de chegar de uma turnê na Europa. (Agora procuro nos meus arquivos a arte do folheto e tomo um puta susto: não tem a data da apresentação nele... Não tenho certeza se essa arte é a que foi impressa, mas se foi, garanto que foi o maior mico que um organizador de evento pode ter cometido).

O projeto do "Vinho, Poesia & Rock'n'Roll", consistia em eventos semanais, aos sábados no final da noite, com três bandas e a distribuição gratuita de vinho até a meia noite, além, é claro, de poesias expostas nas paredes e declamadas no palco.

Para a primeira noite, entretanto, como a banda inglesa Iron Maiden estaria fazendo um "show" em São Paulo, resolvi aproveitar a onda e chamar meus velhos amigos do "The Eddie Of Darkness". Os ingleses se apresentaram no Estádio do Pacaembu, e lá fomos nós fazem panfletagem das filas imensas ao redor, antes da entrada, divulgando. Confesso que isso foi uma imensa bobagem, pois tivemos que escutar comentários do tipo: "A gente aqui para assistir a banda de verdade, e esses caras divulgando show de banda cover". Pero si, pero no", mas essa primeira noite no "Ônibus Mágico" foi sensacional, com muita gente, publico que normalmente estaria na Led Slay, lotando a casa. Ou melhor, foi quase sensacional, não fosse um pequeno detalhe: eu tinha me responsabilizado pela contratação das bandas, divulgação, organização e tudo o mais. A única atribuição do dono do bar era ter vinho para ser distribuído gratuitamente, conforme era a proposta. A minha receita se restringia a metade dos ingressos pagos, tirando as despesas. Nada mais, a exemplo do que acontecera tanto na Fofinho quanto na Led Slay. Acontece que, num dado momento, as pessoas começaram a me perguntar sobre o vinho, e quando falei com Carlão... Ele tinha "esquecido" de comprar. Claro que fiquei deveras puto da minha porra de cara, que naquele momento estava sendo arrastada pela sarjeta, afinal, aquelas pessoas estavam ali por minha causa, a meu convite, e a responsabilidade, mesmo que eu explicasse a cada um os detalhes, era minha.

Aquilo foi um sonoro chute nos meus bagos, mas eu tinha me compromissado com a sequencia de eventos, tinha divulgação braba em A Barata e tinha até mandando imprimir filipetas com a programação por um mês. Tinha que ir adiante, e fui meio contrariado. A segunda semana era de outra banda que tinha trabalhado comigo, a "Ataque Relâmpago", que fazia "cover" de Ramones. Tocaram para no máximo dez pessoas, e eu dispensei a banda seguinte, por que essas poucas se foram logo após a apresentação dessa. Joguei a toalha, e na semana seguinte, quando eram apresentadas as bandas "Raging Fire", "Kremate" e "Mephistus", eu estava na Led Slay, enchendo a cara e tramando meu mais novo projeto, o "Black Sabbath Trifásico".

Há tempos eu tinha uma ideia: reunir os melhores músicos de Rock de São Paulo e fazer um tributo a Black Sabbath. O projeto consistia em pegar um baterista, um baixista e um guitarrista fixos e colocar três caras feras, que aliás eu já conhecia, nos vocais, encarnando as três principais formações da banda inglesa. Cheguei a falar com Rolando Castello Junior, Marcello Schevano que toparam em principio, e também com o falecido Helcio Aguirra, fã confesso, a fim de fazer isso, e estava a busca de baixista, quando apareceu um grande problema: era preciso lugar, tempo, e principalmente dinheiro, para aquele pessoa ensaiar. Então eu tinha engavetado o projeto.

Quando o "Vinho..." do Magic Bus secou, o Sandro, da Led Slay me convenceu a fazer o mais simples, que era contratar bandas "cover" distintas e fazer o tributo assim mesmo. Não era o que eu queria, mas resolvi tocar o barco. Duas delas estavam na mão: a que representaria Dio mais que condignamente, a do Odair Cassani, e a do Abdalla Kilsam, que faria a fase mais polêmica e mais curta, de um só disco, mas que para mim era uma das mais importantes, que era a do disco "Born Again", com Ian Gillan no vocal. A terceira, que faria a fundamental, a Era Ozzy Osbourne, tinha feito água, pois o Tomé, que era considerado o melhor "cover" do comedor de morcegos em São Paulo, tinha se mudado para Londres.

Depois de muito procurar, encontrei na cidade de São Vicente outro, que não deseja nada a desejar: o Marcelo Diniz, que, pelos vídeos que me mandara, fazia também um trabalho hiper profissional. Estava fechado o "cast", tudo arredondado, inclusive o preço dos ingressos, os mesmo dez mangos de sempre. Entretanto, há poucas semanas da data marcada, quando eu já tinha até impresso cartazes, a direção da Led Slay me chama e diz que o valor do ingresso era muito alto, pois afinal eu tinha feito um evento com 11 bandas por 10 pratas... Aquilo era uma loucura, esse valor não cobriria nem os cachê. Eles bateram o pé, afinal, jamais teriam prejuízo, já que a ingressos mais baratos, eles teriam o faturamento com o bar. Fui obrigado a ceder, mas isso me causou um desânimo brutal.

No dia do evento, mais problemas, no meio da tarde, eu já na Led Slay, o guitarrista da banda que acompanharia Abdalla e faria Gillan, me liga e diz que não poderão se apresentar por estarem sem baterista. Fui obrigado a esfregar na cara deles o contrato que tinha sido assinado, mas fui a caça de baterista que soubesse as musicas do Black Sabbath, o que não seria difícil, mas que soubesse as musicas especificamente de um disco pouco apreciado, mesmo pelos fãs mais aguerridos, seria muito complicado. E ademais, estávamos a poucas horas do início. Tentei inúmeros, inclusive o Rolando, mas ninguém sabia. Até que falei com o Odair, e ele me disse que o baterista da banda dele poderia fazer, pois sabia algumas musicas do álbum. Respirei um pouco aliviado, mas na hora agá, o baterista só sabia pouquíssimas, e a apresentação do Abdalla ficou prejudicada.

Não preciso dizer que aquele evento foi outro desastre financeiro. No final das contas, o diretor da Led Slay me chamou para fazer as contas e o que me cabia era exatamente o valor dos cachês das bandas. Nem um centavo a mais. E ainda eu tinha a conta da gráfica que tinha feito os panfletos para pagar. A casa estava cheia, mas a bilheteria, claro, tinha dado pouco dinheiro.

Já amanhecia o dia quando chamei os representantes das bandas e acertei os cachês, deixando inclusive bem claro ao guitarrista da banda sem responsabilidade, que o deles deveria ser menor, e o do outra maior. Depois de um bate boca, e com o Odair intervindo, todos receberam partes iguais. Nesse momento saí do camarim e me sentei na mureta. Não tinha dinheiro nem para o ônibus de volta para casa. Estava ali sentado, pensando e fumando, quando Odair chega e comento com ele sobre o prejuízo e o fato de estar sem um tostão. Ele enfia a mão no bolso, e retira, da parte do cachê dele uma nota de 20 e me dá. Nunca deixarei de me sentir agradecido a ele pelo gesto, mas nunca também esquecerei a humilhação que senti naquele momento, enquanto os donos da Led Slay saiam da casa em seus carros importados.

Um fato engraçado, entretanto, serviu de alivio nesse dia. No citado bar externo da Led Slay tinha um video-cassete (ainda) que exibia vídeos de shows, e o mais comum era um da banda americana Grand Funk Railroad, que aliás era sempre exibido por que meu amigo de infância, o Percu, sabia que eu gostava. Nessa apresentação, creio que de 1974, Mark Farner, guitarrista e líder da banda, usa uma caça de cetim branca e laranja, com boca de sino característica da época. Eu brincava sempre que queria uma daquelas, e na semana que antecedeu o "Trifásico", três amigas, que lamentavelmente por mais que insista não consigo lembrar os nomes, me disseram que fariam uma idêntica, mas que eu deveria usar no dia do "show". E assim, no dia, chegaram com um pacote e me entregaram. Quando fui ao banheiro e abri, não conseguia parar de rir. Não era laranja e branca, mas amarelo gema de ovo, e extremamente, muito extremamente, larga, com a boca de sino gigantesca. Quando sai do banheiro a gargalhada foi geral. Eu parecia um palhaço de circo, mas como tinha percebido que naquela noite tomaria um prejuízo legal, resolvi ao menos me divertir e agradar as garotas, que afinal tinham feito aquilo para agradar. (Ou teriam feito para me esculachar, mesmo? Prefiro a primeira hipótese, claro.) No outro dia, quando cheguei em casa, aquela calça foi direto para o saco de lixo, toda cheia de lama. A partir aí, jurei que nunca mais faria outro evento. E cumpri essa promessa até... Bem... Até 2014, quando organizei o primeiro "Rock In Poetry". Uma promessa que dura 10 anos é boa, né?!

Agora o momento esperado por quem aguentou ler esse texto até este ponto: a minha separação e novo relacionamento.

Em Junho de 2004, eu sabia que era preciso terminar com aquele casamento, e tinha começado a beber muito, ficar a maior parte do tempo fora de casa. E nos meses que antecederam meu aniversário em Junho, eu me dividia entre as viagens com a Patrulha do Espaço, que normalmente consumiam quatro ou cinco dias da semana, meu trabalho em sites, e a administração de A Barata, que naquele momento tinha até ficado um pouco de escanteio, e as noitadas na Led Slay.

Na noite de 24 de Junho, véspera do meu aniversário, fui ao Café Piu-Piu, no Bixiga, tradicional bar de Rock do centro de São Paulo, assistir a apresentação da Xandra Joplin, e para minha felicidade, logo após a meia noite, já no dia 25, ela, completamente chapada, mas como sempre maravilhosamente Janis Joplin, parou o show e cantou parabéns para mim.

Dia 25 de Junho, e eu já estava acostumado que minhas datas de aniversário sempre péssimas. E aquela não tinha sido diferente, pois devido a situação, eu tinha passado o dia sem um cumprimento sequer. A noite, fui com o amigo Graciano, com quem tinha reestabelecido a amizade para a Led Slay. Era uma sexta feita, e eu, muito triste, quando entrei no carro dele declarei que aquela noite eu lhe daria trabalho. Na minha cabeça só passava uma coisa: suicídio.

Eu nunca ligava para roupas, mas naquele dia peguei, ao contrário dos demais, em que era sempre camiseta preta, decidi colocar uma camisa. E...

Quando chegamos à Led Slay, Graciano foi estacionar o carro e eu desci na porta e me encaminhei para o bar externo, onde tinha começado a trabalhar no caixa, uma garota que, a despeito dos comentários, eu percebia sempre olhar para mim. Quando ia chegando perto do balcão, ela abriu um sorriso e disse, ainda de longe: "Feliz Aniversário". Ela sabia, de alguma forma, e quando meu amigo chegou e disse: "Hoje é aniversário do Barata...", ela mal deixou ele completar a frase e disse: "Eu sei, e eu vou ser o bolo dele." Graciano ficou sem graça (foi sem querer essa piadinha), e foi para dentro. Fiquei a noite inteira encostado no caixa falando com ela, e no dia seguinte tinha uma decisão: a separação finalmente aconteceria.

Como eu queria há tempos sair, vinha procurando um local para morar, e fiquei sabendo que onde aquela garota morava haviam quartos para alugar. Dias depois fui até lá conhecer o lugar e falar com a proprietária, e aceitei um café que a Cris, esse era o nome, me ofereceu. Menos de vinte dias depois eu estava, de mala, computadores e livros, morando com ela, numa relação que reputo sempre como a minha fase mais "Bukowski". Naquele restante de ano eu não faria mais "shows", mas com certeza, aconteceriam muitos espetáculos dignos de um livro desse escritor, ou talvez de um bem mais promíscuo, o Marquês de Sade.

2005 seria reservado histórias cheias de som, de fúria, e por que não dizer, de Rock'n'Roll em seu estado mais ... Cristalino... Aguardem o próximo episódio!

Poesia do Ano

Todos os textos e poemas publicados em A Barata, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, registrados no Escritório de Direitos Autorais. Proibida a cópia e uso sem autorização do legítimo proprietário, sob as penas da Lei.

A Noite dos Desesperados
Barata Cichetto

Poetas são desesperados, loucos e desatinados
Louco é pouco, pois poetas são todos obstinados
Pela poesia sua e por sua loucura quase crua
Constrangem o mundo, afrontam a realidade nua.

Poetas são mal amados e são mal amantes
Imaginam amadas igual a belos diamantes
Mulheres são carnes e poetas imaginam perfeição
Doces amargos em lugar de corpo e coração.

Poetas são idiotas, tolos por acreditar em eternidade
O eterno da paixão, o eterno do sonho de liberdade
Mas o sonho acaba sempre que o dia amanhece
O Sol aniquila o sonho e nenhum sonho permanece.

Poetas acreditam em coisas além da imaginação
Acreditam em dores refeitas, crêem que há coração
Porque acreditar é o maior sonho dos tolos poetas
E então acreditam em deuses, amadas e profetas.

20/9/2004

 

PALAVRAS E PESSOAS-CHAVE (keypeople and Keywords)

Fábio Carvalho; Choose You Side; Marcio Baraldi; Malefactor ; Raging Fire; Kremate; Mephistus; Ataque Relâmpago ; Mauricio Augusto Percu; Sandro Mattos; Danilo Toloza; Ana Luiza Toloza; Tarja Preta; Danilo Corrêa Zanite; Gabriel Costa; Patrulha do Espaço; Lu Brandão; Branco Mello; Titãs; Baú do Lulu; The Eddie Of Darkness; Sabbath Trifásico, Abdalla Kilsan; Odair Cassani; Marcelo Diniz; Magic Bus, Carlos Marques; Vinho, Poesia & Rock'n'Roll; Alê Frata; Fabio Hoffman; Orkut; Xandra Joplin; Café Piu Piu; Carlos Marques; Ataque Relâmpago; Cristiane Fahr; Led Slay;

Trilha Sonora: Black Sabbath - Born Again
http://www.magicbusbar.com.br

Galeria 2004

 


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POSTAGEM



1958

O Início Antes do Início
Até chegar à Internet há um longo caminho.

1990

Antes da Internet Havia Vida (Também)
E o importante é que eu tinha Internet, eu tinha Internet, tinha Internet.

1997

O Banheiro da Internet
Na pífia Internet dos anos 1990, uma cidade chamada Geocities.

1998

A Melhor Decisão, ou a Pior Decisão? E a Segunda Edição do Banheiro da Internet
Começam as polêmicas com um manifesto contra o aborto.

1999

As Baratas Cascudas Crescem nas Alamedas
Mudança para Belém, PA. Inspirado nas enormes baratas-cascudas da região surge o nome A Barata, no HPG, primeiro host gratuito brasileiro.

2000

Belém com cheiro de sexo e cultura; e a A Barata na Vitrine.
Retorno a São Paulo, e entrevista ao programa Vitrine da TV Cultura. Em função disso, o site se projeta e alcança grande audiência.

2001

Rock é Atitude, com Dio em São Paulo, e A Barata Com Endereço Próprio
Dia 5 de Abril, dia da apresentação da banda Dio em São Paulo, passa a existir o domínio abarata.com.br. Criado o sub-slogan, "Rock é Atitude!", que passa a estampar as camisetas criadas nessa época.

2002

O Ano em A Barata se firma como uma referência no meio de Rock e Cultura Underground.
Um ano dos mais importantes e frenéticos, que começou em Janeiro, com a "1ª Fest'A Barata", continuou em março, quando fui convidado a escrever texto para o Jornal do Brasil, e terminou o ano com o já batizado "Barata" como gerente da Patrulha do Espaço.

2003

O Ano da Patrulha do Espaço, e da Segunda Fest'A Barata. O Sítio Rompendo Fronteiras da Internet
Um ano intenso, viajando pelas estradas do interior de São Paulo e do Sul do país a bordo do "Azulão" me fazem entender melhor os bastidores de uma banda e de um show de Rock, e do trabalho complexo do lançamento de um disco. E um dos meus maiores orgulhos roqueiros: ".ComPacto"

2004

Marcio Baraldi e o Mascote; A Barata no Ônibus Mágico
O cartunista Marcio Baraldi, "o mais Rock'n'Roll do Brasil" se envolve no projeto, através de apoio financeiro e da criação do mascote, uma barata hippie e simpática. "Vinho, Poesia & Rock'n'Roll, no Magic Bus Bar. Organizamos a apresentação da banda "Malefactor" em São Paulo no mesmo local. Projeto "Sabbath Trifásico" na Led Slay, com três bandas de três diferentes vocalistas.

2005

Betty Boop, Orkut e Morangos Com Chocolate
Muito Sexo, Muita Poesia e... Pouco Rock'n'Roll. E A Barata Que é Bom Nada! Ou Ainda: Bukowski Foi Até a Favela Buscar Cerveja e Ainda Não Voltou!

2006

- "Nóis Fumo, Mas Vortemo" ou Antes do Começo e Depois do Fim, ou Ainda: Racumin é Para Matar Ratos, Mas Eu Sou Barata
Depois de nove anos, por pressão financeira, o sítio fica fora do ar por um mês. O apoio de Marcio Baraldi e Belvedere Bruno foram fundamentais ao seu retorno. Mas em função do crescimento das redes sociais e dos blogs, a frequencia diminui. Um'A Barata sem eira nem beira.

2007

Barata, Um Quase Garoto de Programa; Sangue de Barata e Um Festival Ganho Com Prêmio Nunca Recebido; Uma Fofinha na Fofinho e Peixes no Meu Aquário
"Sangue de Barata", interpretada pela banda Tublues, vence o "1º Festival Rock na Net", que teve o apoio e a participação intensas do site. O poema "Desgraçados" leva Menção Honrosa em concurso literário "Elos e Anelos". E uma permuta estranha com uma garota de programa. Um ano agitado, Barata com voando alto. E no fim se esborrachando no chão.

2008

O Ano Que Nunca Deveria Ter Existido; E Que Não Foi Daqueles Que Nunca Acabaram, Mas Que Parece Que Nunca Sequer Começaram
As redes sociais mostram seu poder: ninguém está à Salvo. A Revist'A Barata passa a ser o carro-chefe; A Barata deixa de ser um Portal e se torna um site pessoal. Uma Revolução fracassada.

2009

Barata: Liberdade de Tesão e Tesão de Liberdade, Solidão, Poesia e Muito Rock'n'Roll, de Volta Para o Futuro
Rádio Barata Don't Stay Mais Aqui, e o que resta é uma Lágrima Psicodélica e uma loirinha má. Veteranos na Led Slay e putarias no Arco-íris. E entram em cena a Gostosona de botas pretas e decote honesto que só falava das filhas, e a Gostosinha de minissaia que queria prender o pai da criança.

2010

A Gostosona, Amyr Cantusio Jr, Vitória, Editor'A Barata Artesanal e Rádio Cultura
A Gostosona dá as caras... E muito mais: a união com Izabel Cristina Giraçol muda a trajetória de Barata. Uma visita a Fernando Pessoa no museu, criação da Ópera Rock Vitoria, em 20 dias. Participação em programas da Rádio Cultura de São Paulo, Rádio Barata, na Radio Lágrima Psicodélica.

2011

Criação da KFK Webradio, Oficina de Webradio, Visita a Uma Rádio AM. O Ano da Inauguração do Ódio no Poder
Enquanto Caetano Veloso é noticia na mídia se preparando "para atravessar uma rua do Leblon", Barata se prepara para cagar em Guaianases, e depois lançar a Opera Rock Vitória, e fazer outras coisas como criar a KFK Webradio, com o mote "A Rádio Que Toca Ideias."

2012

Um Quase e Um Fim Para a KFK Webradio; Barata a Ferro e Fogo; Confraria dos Loucos, Oficina de Literatura; A Autobiografia Não Autorizada e Uma Enxurrada de Livros; Fanzinada e Politicamente Incorreto ao Quadrado.
Enquanto o mundo não chega ao fim, Barata se encarrega de escrever e lançar sua autobiografia não autorizada, e faz meia dúzia de lançamentos literários, incluindo um malfadado primeiro livro por uma editora, e ainda lança quatro edições de uma revista impressa. Surge o Barata À Ferro e Fogo e no final do ano, a primeira das belas edições de Politicamente Incorreto ao Quadrado.

2013

Sem Estripulias Eróticas, Um Ano de Muitos Livros, Revistas e Rock'n'Roll. PI ao Quadrado ao Redor do Mundo, e a Criação da Revista Gatos & Alfaces
2013, o ano em que a literatura do escritor Barata e a arte do artesão de livros Barata se deram as mãos e produziram muito mais que poderiam supor. E duas mortes no mesmo abalando minhas estruturas poéticas: Lou Reed e Paulo de Tharso.

2014

Barata e o Rock Brasileiro: Ainda Respira. Uma Estrela Nua na Gatos & Alfaces e Nua Estrela no Rock In Poetry na Vitrine da Galeria Olido
A Gatos & Alfaces aparece e se firma como alternativa à poeira irrespirável das publicações; surge o Barata Rocker; revelações bombásticas sobre a Gostosona; e Barata novamente no Talk Show. Tudo isso e mais, na "Saga de Uma Barata Rebelde".

2015

Barata e Aranha; Rock In Poetry and Rick'n'Roll; a Volta e Revolta na Galeria Olido; Muqueta na Oreia Sem Flores Nem Fogo; E o Fim Trágico da Gatos & Alfaces. Jesus Não Tem Dentes no País...
O que era para ser o ano da definitiva sedimentação da Gatos & Alfaces, se torna o de seu sepultamento. Depois de duas edições da revista, incluindo uma totalmente colorida, e três do evento, chega ao final um projeto, mais que isso, de um sonho. Lançamento de Troco Poesia Por Dinamite

2016

Barata: Meu Malvado Favorito e A Tartaruga Feliz, Alianças de Casamento; He Don't Me In Stay; Barata Reversa, Pictures (Not) In Exhibition à Sombra de Uma Morta Viva
Filhos da puta do mundo uni-vos: Barata está na área. A complicada experiência de escrever um livro infantil, o rompimento com a Stay Rock Brasil e a criação da Reversa Webradio. E do casamento oficial com Bell nasce o Senhor Giraçol e um "novo" artista plástico.

2017

Rock In Poetry no Sauer Rock Bar; Retorno da KFK Webradio Com a Devassa Cris Boka de Morango; Barata Num Vídeo Pornô e o Manual do Adultério Moderno
Uma Nua Estrela almoçando arte pornográfica com o Grande Guerreiro Louco; Juro não cumprir nenhuma promessa. Frank Zappa não mora mais aqui.; Barata, a Devassa e os Domadores de Tempestade: no Sauer Rock Bar; Blues Riders On The Storm and The Vikings Are Coming e um Manual do Adultério Moderno

2018

Sessenta Anos de Sacanagem. O Som e a Fúria; Barata Não Mora Mais Aqui. Mora Com o Sol. Deixem a Esquerda Livre. O Fim da Saga d'A Barata Rebelde. O Fim ou Começo?
Ao completar sessenta anos de idade, tudo o que podia ser chorado já foi chorado, como vovó dizia e Raul afirmava plenamente. O trem do futuro leva a Araraquara. Macunaíma, os irmãos Martinez, e a cidade das árvores. O futuro não pertence ao pensamento. Informação demais é pior que nenhuma.

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Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, e foram registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade". Lei de Direitos Autorais: 9610/98.

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