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Durval Discos

Durval Discos
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
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Título Original: Durval Discos
Produção: Dezenove Som e Imagens e África Filmes
Ano de Produção: 2001
Roteiro: Ana Muylaert
País: Brasil
Direção: Ana Muylaert
Duração: 93m
Atores: Ary França (Durval), Etty Fraser (Carmita), Marisa Orth (Elizabeth), Isabella Guasco (Kiki), Participação Especial: Rita Lee, Theo Werneck, André Abujamra, Letícia Sabatella.
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Resenha
“Durval e sua mãe Carmita vivem há muitos anos na mesma casa onde funciona a loja Durval Discos, que já foi muito conhecida no passado mas hoje vive uma fase de decadência devido à decisão de Durval em não vender CDs e se manter fiel aos discos de vinil. Para ajudar sua mãe no trabalho de casa Durval decide contratar uma empregada, sendo que o baixo salário acaba atraindo Célia (Letícia Sabatella), uma estranha candidata que chega junto com Kiki (Isabela Guasco), uma pequena garota. Após alguns dias de trabalho Célia simplesmente desaparece, deixando Kiki e um bilhete avisando que voltaria para buscá-la dentro de 3 dias. Durval e Carmita ficam surpresos com tal atitude, mas acabam cuidando da garota. Até que, ao assistir o telejornal, mãe e filho ficam cientes da realidade em torno de Célia e Kiki.”(Texto: www.adorocinemabrasileiro.com.br).
Crític'A Barata
"Durval Discos" é um filme sobre a modernidade. Não sobre a modernidade em si, mas sobre como ela entra na vida das pessoas, queiram ou não. Sobre os efeitos que a modernidade pode causar em quem resiste á ela. No roteiro, muito bem construído e alinhavado por Ana Muylaert, Durval é um quarentão que, junto com uma mãe possessiva e que o trata como uma criança, é dono de uma loja de discos de vinil, o título do filme. Moram em um sobrado com mobiliário antigo e decoração “kitsch”, têm uma vida aparentemente tranqüila e insossa. Durval usa camisetas de Janis Joplin e Raul Seixas, cabelos compridos e acredita que nada será capaz de substituir seus amados discos de vinil. É capaz de se enervar com um cliente que lhe peça por um CD e aparentemente sequer tem uma vida sexual. Assim vivem Durval e Carmita sua mãe, interpretada magistralmente por Etty Fraser. A monotonia só é quebrada eventualmente pela presença de Elisabeth, personagem de Marisa Orth, balconista de uma doceria ao lado da loja, que vai até ali para fumar e conversar com Durval. Além disso, nada no mundo parece poder quebrar a quietude daquela vida até que chega a modernidade na vida dos dois. E ela, a modernidade, faz sua entrada da forma mais cruel que existe: por intermédio do crime e da violência. A partir daí, o que parecia ser um filme simples sobre pessoas simples que aceitam e não discutem sua simplicidade, muda completamente de rumo. Ao contratar uma empregada, vivida por Leticia Sabatella, Durval e sua mãe começam a viver primeiro um sonho que aos poucos transforma suas vidas em um pesadelo com cores modernistas. A loucura começa a tomar conta das personagens e a modernidade, encarnada de início como uma rósea, ingênua e doce criança, passa ás cores vermelhas da violência absurda que nos deparamos diariamente, principalmente nos centros urbanos modernos. Isso a diretora mostra de forma muito clara em uma seqüência antológica em que a criança, montada sobre um cavalo branco pinta com sangue uma parede. É melhor cena do filme e Ana Muylaert consegue nesse ponto mostrar a loucura a que todos nós estamos sujeitos ao adentrar á modernidade. O filme conta com participações muito especiais, como a de Rita Lee, hilariante no papel de uma cliente que procura um disco de Caetano Veloso que tem “Irene” e fica perguntando do que Irene tanto ri. Theo Werneck no papel dele mesmo, André Abujamra de rastafari, um “doidão” que não abre a boca. A interpretação da garota Isabella Guasco também é digna de destaque. A trilha sonora do filme é um capitulo á parte e contém grandes clássicos da Música e Rock Brasileiros dos anos 70, como “Mestre Jonas” de Sá Rodrix e Guarabira”, “Pérola Negra” de Luiz Melodia, “London London” de Caetano com Gal Costa, “Alfomega” de Gilberto Gil, Tim Maia, Novos Baianos, Jorge Ben e outros. A direção de Ana é impecável e trás componentes extremamente interessantes como a própria abertura do filme com os nomes dos atores aparecendo em lambe-lambes de postes, tabelas de preço de lanchonetes, maquinas de fliperama e o nome da própria diretora em uma placa de nome de rua. A demolição da casa onde funcionava a “Durval Discos”, segundo informações é real e foi a base da idéia original do roteiro. Um ótimo mas simples filme sobre pessoas e sobre como apenas um fato pode desencadear uma seqüência de acontecimentos desastrosos.
Cotação:
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.861 - Livro 974 - Folha 209
Corra Lola, Corra
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Dogville
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Durval Discos
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Johnny e June
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