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01 - G-8 DOS BONS SONS & UM PACTO MUSICAL
Marcio Alexandre Serra da Silva
wiredbysound@brfree.com.br
Publicação Original em: 10/7/2001
Sete de Julho de 2001. Um dia incomum. Raios verticais, como focos de holofotes espelhados no horizonte, rasgaram os céus com um tom suave verdejante, predominância da cor branca, filetes de nuvens douradas e traços rubros no suposto firmamento ali fundado. Arrebatador. De modo surpreendente, feixes aprumados desceram do céu em curvadas faixas coloridas feito cortinas. O fenômeno transverberava na matéria, traçando imagens incríveis nas cabeças daqueles que presenciavam aquele raro acontecimento. Fixando matrizes, os emblemas criados refaziam a forma e assumiam novos signos: Manchas, espirais, ralos, arcos, faixas e véus, todos desenhados com o capricho do dus Bóreas proveniente de ventos do norte e magníficos fiordes.

Ventos solares levaram elementos nucleares altamente carregados com energia positiva em direção ao Cine Íris, no Rio de Janeiro. Eram prótons e elétrons viajando a 1,4 milhão de quilômetros por hora. Não dava para acreditar em toda aquela magia melodiosa acontecendo na frente de todos. Como produto de manchas e labaredas solares, estas partículas em constante atividade cinética se depararavam com mais um fenômeno de transmutação. O choque delas com uma espessa camada de gases da atmosfera, as ionizavam e faziam assim arder em chamas. Partículas estas que liberavam energia sonora da ordem de um milhão de watts, penetravam no campo magnético da Terra e criavam os mais variados efeitos luminosos. Naquela noite, a lua consentira ao sol emitir matéria, o fenômeno se concretizara; Uma aurora musical em plena noite carioca exibia a psicodelia máxima de uma magnífica apresentação com assinatura do pshycadelic rock trio Violeta de Outono.

Há cento e quarenta e nove milhões de quilômetros do Sol, Fábio Golffeti desafiava a distância, desprezava a noção de tempo, a ciência do saber, a tecnologia, os preceitos e tabus imposto pelo homem. Naquele exato momento, Fábio ostentava um instrumento muito especial que se usado com inteligência, poderia servir como amuleto-chave para abrir o portal de comunicação entre a Terra e o Sol, a música e a matéria, o homem e o exterior, o corpo e a alma 

- A ferramenta era a guitarra. Suas cordas eletricamente tocadas produziam efeitos pirotécnicos jamais vistos aos olhos aguçados daquela platéia que ali os prestigiavam. Eram acordes etéreos que ecoavam no lugar, de modo imponente e ao mesmo tempo suave, sedutor, elegante, fulgurante e contemplativo. Presença irretocável de mensageiros dos deuses da música - o Violeta de Outono.


Nos primeiros acordes, ouvia-se psicodelia pinkfloydiana em ressonância; Executada pela primeira vez há quase 30 anos atrás, a canção viajou no tempo e foi transportada para fora da matéria, numa viagem fantástica pelas estrelas, planetas e galáxias distantes. Astronomy Dominé produzia ali naquele exato instante uma relação simbiótica delirante com o público, onde o espectador e a banda se conversavam espontaneamente. Tudo acontecia por telemetria. A linha de baixo tonitruante foi estruturada para conceber a base desta íntima relação. O tom vibrante da guitarra constituía o cerne da comunicação. A bateria ficava responsável pela dissipação de toda esta energia diatônica. Resultado: uma explosão de alegria e uma viagem de volta ao tempo de Syd Barret: " ...The sounds around, the icy water underground...".

Conexão estabelecida. Fachos resplandecentes convergiam em direção ao público e ecoavam, com rastros sonoros deixados no ar, as seguintes frases iniciais: "Silêncio em mim. Espelhos planos. Saídas falsas. Vão. Solidão". O dia é eterno e a música, celestial. O cinéreo palco dava lugar a um espetáculo de luzes produzido pela sonoridade da canção. A imaginação deu cambalhotas no espaço e viajou pelo infinito. Parecia que os 10 mil graus centígrados da superfície solar faziam parte também daquele momento na Terra. Fagulhas verde-rubra, amarelo-azul-fosforescente e violeta-fluorescente, espetacularmente eram disparadas de encontro à platéia. A estética musical subiu os degraus da magia artística sobre-humana e atravessando o portal que separava o mundo harmônico da poesia, desencadeou uma reação imprevisível de proporções incontroláveis. Fábio Golffeti novamente nos colocou em órbita. Chuvas de fogos passaram a cair sobre nossas cabeças. Mentes ganhavam asas, os sonhos, vida. Deus passava a existir mais do que nunca. E novamente a colisão destas partículas se transformavam em luz.

A exibição colorida e luminosa da aurora musical era uma constante na execução das canções guiadas pelo onisciente grupo paulistano de rock do Violeta de Outono. O vento solar continuava revelando mistérios. Do alto das nuvens, oxigênios e nitrogênios mais uma vez em choque etéreo. Faíscas sonoras. Presença da aurora. De muito longe, a psicodelia anos 60 invadiu corações e levou os pensamentos de volta a aquele lugar. Uma verdadeira viagem ácida não-corrosiva ao interior de Mulher na Montanha.

O chão não reflete imagem. Sombras Flutuantes dispensam os mortais. Aqui a voz não é mais necessária. A música fala por si mesma e assume novas formas. Agora, como um feixe de luz e longe de interferências humanas, o diapasão da estética moderna liberava uma sonora carga de elementos que atingiriam diretamente o epicentro da alma. A melodia viajaria anos-luz para acompanhar o ritmo, elevar o espírito e refazer a trajetória. É o ápice de tudo. O início do fim. O que existe, deixa de existir e o que não existe, desaparece da memória. A sonoridade é espacial, sobrenatural, extraterrena. Existe vida inteligente em outro planeta? Ouça-a e confira. 

wired by sound

Valores atuais perenes, símbolo da hipocrisia, foram destronados e destruídos para receber uma nova alma, agora destituída de fachadas, máscaras ou turbantes. Uma ordem vinha de dentro para fora - Deixe-se levar pela alquimia do sentimento. Entregue-se ao vazio, e com isso, viaje pelos delírios do Violeta, porque através de Faces, Em Toda Parte ou Outro Lado, você poderá saber qual é o grande sentido da vida. E qual será? Talvez a impressionante interpretação do Tomorrow Never Knows, composta por John Lennon e Paul McCartney, responda a pergunta: "... Listen to the colour of your dreams... So play the game of existence to the end of the beginning". É... Só vai entender mesmo aquele que esteve lá e, por exemplo, viu a lua alinhar com o Sol para executar uma Eclipse harmônica. Vai ficar guardado na memória de todos aquele sete de julho de 2001, dia em que houve uma aurora musical e acordes etéreos.

<< Se a nuvem
(dispersar)
E a música parar
(de tocar)
O tempo envolve
 Se o vento
(dispersar)
Outra face se apagar
O tempo envolve >>
Até a próxima.
[]'s ((m)) 
Wired By Sound
Wired By Sound é uma publicação de idéias e coisas legais.
Márcio Alexandre Serra da Silva
13/07/2001



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