nike shox hogan scarpe calcio Tiffany christian louboutin Scarpe Adidas superstar Scarpe Reebok Adidas Scarpe nike sb Scarpe nike air force air jordan adidas

Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor. Bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade".
nike shox hogan scarpe calcio Tiffany christian louboutin Scarpe Adidas superstar Scarpe Reebok Adidas Scarpe nike sb Scarpe nike air force air jordan adidas scarpe Tacchi Scarpe da donna Scarpe Scarpe Adidas adidas Scarpe Scarpe Scarpe hogan oakley nike air presto new balance nike air max adidas Scarpe nike free

 

Futurologia II (ou: Anjos, Papagaios e Cadeiras de Balanço)
...............................................................................................................................................................................................................
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com
A cadeira de balanço machuca minhas costas. Aquele sobe e desce tem horas que me deixa tonto. Que saco! Estou aqui, como todos os dias durante últimos anos - ou seriam séculos? - , sentado nesta cadeira, olhar perdido no tempo. Em um tempo em que não consigo mais precisar ou lembrar quanto. Estico a mão, apanho um cigarro e o acendo. Minhas mãos agora são trêmulas e quase não consigo acender. Tusso forte. O pulmão parece que vai estourar. Mas mesmo assim aspiro à fumaça e me sinto reconfortado. O cigarro é minha única companhia naquele lugar que eu nem lembro o nome. A única companhia não, desculpe, esqueci de Boris, um papagaio que parece mais uma coruja. Quase não solta uma palavra, mas parece prestar atenção a tudo que eu faço ou tento fazer, porque afinal não faço nada, além de esperar.

Há muito tempo, tempo demais, estou ali naquele lugar que também não consigo lembrar onde é. O que importa, de qualquer forma? Apenas estou ali, todos os dias acordando, sentando naquela bendita cadeira de balanço, relendo poemas escritos em eras remotas e chorando por horas a fio. Relembrando o que não aconteceu. Saudades é algo que não posso chamar, porque saudades é daquilo que a gente perdeu ou está distante. Nunca perdi e a distância sempre existiu. Boris apenas escuta minhas leituras e estou certo que as compreende. Aliás, com certeza ele conhece todas as minhas odes poéticas. E bem que poderia me ajudar declamando algumas delas. Ao menos eu escutaria outra voz além da minha naquele lugar, silencioso feito a ausência que me levou a ele. Mas ele não pronuncia um som. Nem um nome, o único que importa, que eu o ensinei ele pronuncia. Papagaio inútil!" "E o hoje é apenas o Amanhã do Ontem"" - Uriah Heep, ""Circle Of Hands"

A cadeira de balanço machuca minhas costas. Aquele sobe e desce tem horas que me deixa tonto. Que saco! Estou aqui, como todos os dias durante últimos anos - ou seriam séculos? - , sentado nesta cadeira, olhar perdido no tempo. Em um tempo em que não consigo mais precisar ou lembrar quanto. Estico a mão, apanho um cigarro e o acendo. Minhas mãos agora são trêmulas e quase não consigo acender. Tusso forte. O pulmão parece que vai estourar. Mas mesmo assim aspiro à fumaça e me sinto reconfortado. O cigarro é minha única companhia naquele lugar que eu nem lembro o nome. A única companhia não, desculpe, esqueci de Boris, um papagaio que parece mais uma coruja. Quase não solta uma palavra, mas parece prestar atenção a tudo que eu faço ou tento fazer, porque afinal não faço nada, além de esperar.

Há muito tempo, tempo demais, estou ali naquele lugar que também não consigo lembrar onde é. O que importa, de qualquer forma? Apenas estou ali, todos os dias acordando, sentando naquela bendita cadeira de balanço, relendo poemas escritos em eras remotas e chorando por horas a fio. Relembrando o que não aconteceu. Saudades é algo que não posso chamar, porque saudades é daquilo que a gente perdeu ou está distante. Nunca perdi e a distância sempre existiu. Boris apenas escuta minhas leituras e estou certo que as compreende. Aliás, com certeza ele conhece todas as minhas odes poéticas. E bem que poderia me ajudar declamando algumas delas. Ao menos eu escutaria outra voz além da minha naquele lugar, silencioso feito a ausência que me levou a ele. Mas ele não pronuncia um som. Nem um nome, o único que importa, que eu o ensinei ele pronuncia. Papagaio inútil!

Mas em realidade sempre escuto outras vozes. Plantas e flores falam comigo sobre minha esperança. Sobre meus sonhos e meus desejos. Lembro, lembro, lembro. E ainda espero, espero, espero! Até quando? Um dia...! E minha pele está envelhecida pelo tempo, amarelada pelo cigarro e avermelhada pela bebida. Lembro de meu companheiro litro de Cynar e encho o copo. É amargo aquilo! Mas é doce ao mesmo tempo! Tão amargo e tão doce feito minhas lembranças. Embota minha mente um pouco e apenas assim consigo dormir e parar um pouco de lembrar. Ah, há quanto tempo estou ali??? Não lembro!

O lugar é uma construção muito antiga, uma taberna abandonada acredito. E em sua porta, por onde séculos atrás pessoas entravam para se divertir ninguém mais entra. Apenas eu e minha solidão e lembranças. Minhas lembranças têm as sombras maiores e mais escuras que as das maiores árvores que existem ali, mas no entanto minha esperança é ainda maior que elas. As árvores e suas sombras, juntas.

Meus olhos embaçados de tanta tristeza ainda procuram dia após dia, noite após noite naquele horizonte uma chegada. Um farfalhar de folhas é um som de esperança. O vento parece trazer o amor, mas traz apenas folhas mortas e lembranças vivas. Mais nada! Pássaros desapareceram pois parecem terem compreendido que cada bater de suas asas poderiam sendo confundidas com o anuncio da tão esperada chegada. Que eu as confundiria com o som de um Anjo chegando. Sim, um Anjo, é quem há anos eu espero. Um Anjo que fez este velho ateu acreditar em sua existência, mas que as asas do destino carregaram para longe, num vôo cego e sem sentido. Sinto muita dor em minhas costas, pernas e ombros. Sinto saudades da Paz, do Sol e da Crença. Nem consigo contar quantas vezes a Esperança também partiu, foi para longe, mas depois sempre voltou.

Agora sinto que minhas forças, desejos e a própria Esperança abandonarem meu corpo e minha alma. Uma tristeza imensa, maior que a costumeira tomou conta de mim. Boris, o Papagaio Mudo, parece ainda mais intrigado e fica olhando insistentemente em direção àquele Horizonte Perdido. A cadeira e minhas costas rangem. Estalam. Quase nem tenho forças para erguer a mão e tragar o cigarro. O Cynar está amargo demais e o atiro longe. Olho as paredes com seus tijolos se desfazendo e lembro-me de mim mesmo. Olho as flores, principalmente o girassol e lembro de meu Anjo de Sol que sumiu na poeira do Tempo e do Destino. Odeio o Tempo e o Destino. Odeio mesmo!

Apanho uma das folhas encardidas e amareladas de suor, esperma e Nicotina, onde há uma Eternidade eu escrevi um poema falando sobre as saudades que eu tinha de um futuro que nunca tive. O Passado é um dos filhos do Tempo e eu o odeio. O Futuro, filho mais velho do mesmo pai indócil também. O Presente é meu único aliado, o único dos filhos do Tempo que eu tolero.

Repentinamente, naquele dia escuro como todos os outros naquele lugar, um clarão. Sol? Nunca existiu Sol naquele lugar! Sim, Sol. E Boris, o Papagaio Mudo começa a agitar as asas e a matraquear. Solta alguns barulhos em uma língua que não conheço. Cale-se, seu idiota, pensou eu. Mas ele não se cala e eu não ouso calá-lo.

Olho em direção àquele clarão, e quase cego consigo vislumbrar um rosto ornado de cabelos curtos e louros, nariz aquilino... Não....! Não posso crer naquela visão! Minha alma parece ter deixado meu corpo e não consigo sequer erguê-lo da cadeira de balanço. E nem preciso, pois o Anjo chega até mim, planando e pairando no ar sentando-se em meu colo. E então nos beijamos com saudades e desejo. Ela coloca sua cabeça sobre meu ombro como da primeira vez na Aurora de meus dias de felicidade, e permanece ali por uns eternos cinco minutos... Ou seriam cinco séculos? A Paz se faz presente e todas as folhas arfam como que agradecendo ao Anjo sua presença e sua Luz. As árvores não fazem sombra porque aquele Sol é onidirecional. Uma lágrima de felicidade deixa meu rosto e rola pelo dela. Lágrimas de felicidade. Minhas mãos trêmulas e cansadas criam uma força que há muito eu perdera e apertam aquele rosto entre elas. Meus lábios rachados de tanta saudade apertam aqueles que por tanto tempo foram desejados num beijo sufocante. Nossos corpos se tocam e a cadeira de balanço resiste.

Naquela noite o Sol brilhou. Naquela noite aquele Anjo me cobriu com suas asas. Naquela noite a Paz cobriu minha alma. Naquela noite compreendi finalmente o sentido de algo maior: a face de Deus que eu procurara durante minha existência inteira agora era nítida á minha frente. Naquela noite nós nos amamos de uma forma e de um jeito que nunca ninguém ousou amar. Éramos apenas uma unidade, indissolúvel, inseparável; grandiosa e extrema. Éramos amantes na acepção máxima. E nem o Tempo nem o Destino poderiam nos impedir de Amar. A Paz éramos nós e nós éramos a Paz.

Não sei quanto tempo durou aquela noite ou se foi mesmo uma noite, um dia, ou algo que nem era dia nem noite. Aquele momento era apenas um pedaço que nós roubamos do Tempo e guardamos apenas para nosso desfrute, deleite e prazer. O Tempo ficou furioso, mas nós nem nos importamos com sua ira. Éramos duas crianças sem Tempo, sem Destino e sem Espaço. Apenas crianças que não conhecem o limite para o prazer de estarem vivas.

Mas o Futuro, filho bastardo do Tempo, chamou Destino e ambos perpetraram outra vez seu plano sórdido. Quando despertei, o Sol tinha sumido. A escuridão se fazia presente e nenhuma alegria existia. Tudo ali era apenas o que era antes: Nada! Apenas em meu lençol jaziam estampadas as estrelas da tatuagem de seu corpo. Nada, nada mais!

O silêncio era mortal, completo e inominável, com exceção de uma única palavra agora gritada por Boris, o Papagaio Mudo: um nome, o único que realmente importava: "Puta!, Puta!, Puta!"
10/11/2008
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.629 - Livro 973 - Folha 475
A Troca – Um Conto Pornográfico
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
A Verdadeira Puta Barata
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Aquele Dia o Palhaço Gargalhou
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Criaturas
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Crônica de Uma Morte Adiada
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Futurologia II (ou: Anjos, Papagaios e Cadeiras de Balanço)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Memórias de Uma Puta Barata - Capítulo 1
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Memórias de Uma Puta Barata - Capítulo 2
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Memórias de Uma Puta Barata - Capítulo 3
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Missa Negra
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
O Dia Em Que Transei Com Janis Joplin
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Sangue de Barata, O Filme
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Um Sujeito de Merda (Micro Peça de Teatro)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Uma Mendiga Urinando na Praça
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Uma Senhora Com Uma Bolsa de Plástico Branca
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Uma Simples Questão de Perdão
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Arca do Barata
Contos d'A Barata
Crônic'As Baratas
Entrevist'As Baratas
Fal'A Barata!
Resenhas de Filmes
Resenhas de Livros
Micrônic'As Baratas
Camisetas
Livros
Revist'A Barata
Revistas Impressas
Artesanato
O Anjo Venusanal
Ponto de Fuga
Convergências
?/span>pera Rock Vitória
PQP - Puta Que Pariu
Webradio
Sub-Versões
Videos
A Barata Ao Vivo
Biografi'As Baratas
Discoteca d'A Barata
Ensaios Musicais
1a. Coletâne'A Barata
2a. Coletâne'A Barata
Festival Música Independente
A Barata - O Site
Fest'As Baratas
A Barata na Midia
Barata Cichetto, Quem ?
Depoimentos
Amigos & Parceiros
Fotos
Arquíloco (1981)
Sangue de Barata
Impessoal e Transferível
1958
A Verdadeira História da Betty Boop
Emoções Baratas
O Olhar Gótico da Morte Dentro da Cibernética Taverna
O Câncer, O Leão e O Escorpião
O Cu de Vênus
O Êxtase
Poemas Perdidos

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

 On Line:  235