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BBB - BIG BROTHER BARATA - 1ª PARTE
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com
Em primeiro lugar, um esclarecimento: quando passei o cetro real de Editor-Chefe d'A Barata ao Carlos Fernando, acreditei sinceramente que estaria me livrando de uma carga de trabalho e responsabilidade que me criavam uma grande pressão. O Carlos é uma pessoa muito competente e séria, e tem nos ajudado dignamente, dentro do pouco tempo que lhe sobra da atividade jornalística e de pai, marido etc., e tem implementado de uma forma muito interessante suas idéias.

Mas minha necessidade de falar, reclamar da vida, espernear eu não conseguia apenas em meus textos literários. Então pleiteei ao Editor-Chefe que criasse um canto onde, senão o editorial, mas algo como um espaço onde eu pudesse derramar toda a minha verborragia inútil. Combinamos então que o Editorial se chamaria Editorial mesmo e o Fal'A Barata, seria este meu espaço. E assim vai ser.

Muita gente acompanhou no espaço deste site, uma espécie de BBB, ou Big Brother Barata... E parecem ter gostado muito. Escancarar a vida pessoal é um ato de coragem ou de covardia? Talvez nem uma coisa nem outra, mas que você gosta, ah, isso gosta! Não fosse esse um fato, programas como o Casa dos Artistas e outros não fariam tanto sucesso.

Estou mesmo querendo escancarar de novo minha vida pessoal aqui. Aguardem os próximos capítulos. Mas não esperem histórias românticas, amorosas, declarações de amor lânguidas e doces. O que terão aqui é o retrato sombrio e triste que me tornei, alguém que não mais acredita em amor nem em paixão. Por causa disso, me afastei de quase todos os meus amigos, minha família ficou chateada, meus filhos não falaram mais comigo e eu, me sentia completamente perdido e desencantado. Alguém que dedicou o melhor de si próprio a uma pessoa que jamais o enxergou... Dessa pessoa, eu jamais falarei, não vale a pena. "É uma pena, mas você não vale a pena. Não vale uma fisgada dessa dor". Cupido está morto, Deus está doente e o Diabo é o pai do Rock.

Hoje a única análise que tenho sobre a geração nascida pós-Punk: egoístas, pensam apenas em seu prazer imediato, as mulheres se tornaram vulgares e pegaram todos os trejeitos e hábitos dos chamados "machos" e se transformaram em algo que nem elas entendem. Passaram a prezar o prazer erótico acima do prazer da vida, o prazer da cama ao prazer da companhia, o prazer da bebida ao prazer da comida. Tornaram-se frias e calculistas e exercem uma liberdade, usam uma liberdade, que não ergueram um dedo para conquistar. E nem sequer têm responsabilidade em assumir o preço dessa "liberdade", conquistada pelos que nasceram 20, 30 anos atrás. A história não se lhes apetece, porque se assim fosse, teriam que admitir que estão, digamos, "gozando com o pau dos outros". Na verdade, o prazer de meia hora, contando as preliminares, vale mais que o prazer de uma vida.

As drogas e a bebida deixaram de ser um componente digamos estético para se tornar o único componente. As pessoas não namoram, "ficam", não fazem amor, "transam" e vai por aí. A linguagem chula, digna das antigas rameiras é a única conhecida. Uma busca desenfreada de um prazer fácil. A caça e o caçador, a presa e o desprezo seguinte, já no dia seguinte. O prazer fácil e egoísta. A balada mais importante que a família, o gozo mais importante que amor... A própria vida em primeiro lugar, sempre e absolutamente. Em verdade, sempre respeitei muito essa geração, tenho dois filhos e sempre procurei tratá-los com amizade, a despeito do que diziam todos os psicólogos. Cometi erros que não foram aceitos nem perdoados, fui julgado sem direito de defesa. Uma vida kafkiana, um misto de "Metamorfose" e "O Processo..." Uma barata julgada sem saber exatamente pelo que, sem direito a defesa. Mas isso é fruto dessa geração, repito. "Se não for do meu jeito está fora".

Até 1976/77, as pessoas acreditavam que o Rock poderia mudar o mundo. Nessa época, estoura o Punk, algo com uma rebeldia pré-fabrica, totalmente chupada e distorcida dos movimentos rebeldes dos anos 50 e 60. E algo que significa qualquer coisa como "Podre" poderia dar no que? Uma geração inconseqüente, fútil, vazia, sem diretrizes nem objetivos, sem dogmas nem crenças... Sem nada, completamente vazios, inertes, que tentam preencher seus vazios existenciais, vencer sua inércia com momentos de prazer vazio: sexo, drogas, bebidas, baladas...

Claro que não vou cair na armadilha das pessoas de "meia idade" que acha que sabe tudo e os jovens não sabem nada. Não sou idiota a esse ponto. Mas uma análise simples do comportamento dos jovens dos anos 70, por exemplo, em relação aos dos 90/00, irá me dar razão. Analise, por exemplo, a música, o Rock, veja o que se faz de novo com algum conteúdo realmente importante, que tenha valor e que vá durar mais do uma estação do ano. A poesia seja ela de que forma for apresentada é algo sem valor, toda a questão ética e moral não tem valor. Amor não tem valor. Amor virou apenas um produto de venda e para eles apenas mais um canal rápido para conquistar sexo, poder, realizar fantasias, conquistar dinheiro... Apenas isso. E nada mais. E sinceramente fico muito preocupado em saber que existe ai fora uma geração que não acredita em Amor, que apenas o usa quando convém. Fico imaginando essas pessoas com 40, 50 anos... É de dar pena... Ou medo!
25/1/2006
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.628 - Livro 973 - Livro 474

(11) 96358-9727


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