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ABORTANDO A FOLHA DE SÃO PAULO
Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com
No último domingo (Abril, 2006) a Folha de São Paulo publicou um editorial de causar náuseas a qualquer pessoa. Há tempos que o jornal tem se mostrado desesperado, possivelmente por baixas vendas ou algo até bem menos nobre. Na semana anterior o próprio Ombudsman do jornal fazia duras criticas a seus colegas com relação a isso.

No editorial em questão, com o título de "Aborto em Plebiscito", o editorialista, completamente comprometido com a "Causa Abortista" assume sua posição ao afirmar: "...A interrupção voluntária da gravidez, dentro de certos limites, deixe de ser crime - como esta Folha defende..." Deixado claro a posição do Jornal e da Empresa, ele passa a citar números que demonstram que 65% dos brasileiros são contra a mudança nas leis atuais , mas preconiza, porque só assim seu ponto de vista se sustentaria, que esse números possa se reverter com a discussão ampla da sociedade brasileira sobre o assunto.

Alguns parágrafos adiante, depois de citar a experiência em Portugal (Não tinha um exemplo melhor?), nosso querido Editor, continua a citar números: em 2005 foram realizados no Brasil 1,1 milhão de abortos clandestinos. Nesse ponto se inicia um desfile de absurdos. "Seria descabido cogitar levar esse exército de mulheres - e seus médicos e parteiras - para trás das grades, como preconiza a legislação. Uma parte dessas brasileiras morre ou fica com seqüelas resultantes de abortos (naturais e induzidos) que se complicam. Elas já são a quarta causa de mortalidade materna."

Quanto besteira, quanta ignorância! O sujeito, em sua ânsia de defender a sua causa absurda afirma portanto que, esses carniceiros e assassinas devam ficar impunes após cometer tal atrocidade. Ele mesmo afirma, dentro do próprio parágrafo, que parte dessas mulheres morrem ou ficam com seqüelas. E defende que tal ato permaneça impune.

Não sou cretino a ponto de não compreender que o que pretende é dizer é que, se descriminalizado o Aborto, esses assassinatos possam ser feitos com Hospitais, em condições melhores. É, ele pretende dizer isso, mas sequer tem coragem de afirmar que é isso. Então a coisa fica parecendo mais ou menos o seguinte: O Editor da Folha de São Paulo quer apenas a descriminalização, pronto e acabou. 

Na seqüência do “maravilhoso” texto, escrito por alguém que cursou as melhores faculdades de Jornalismo e por fatores mais econômicos do que profissionais foi alçado a condição de editor de um dos maiores jornais do Brasil, e que faz questão de defender a “Reserva de Mercado” para jornalistas, o “Pregador do Crime Sem Castigo”. Solta uma pérola, digna de entrar para o rol das atrocidades literárias e contra a humanidade: “Nem a ciência nem a religião podem dar uma resposta satisfatória e universal sobre quanto começa a vida – se na concepção, ao longo do desenvolvimento fetal ou no nascimento.” Ora, ora, ora... Senhor Editor, estou certo de tanto uma quanto a outra têm posições claras quanto a isso e ambas afirmam que a vida principia no momento da concepção. Parece que apenas o Senhor Editor da Folha ignora isso. E portanto, em qualquer tempo o aborto é um assassinato e tem que ser passível de pena.

A propósito, segundo definições de dicionários: “’aborto’ designa apenas o resultado da ação, isto é, o embrião ou feto expulso do ventre materno. A palavra provém do latim ab-ortus, ou seja, ‘privação do nascimento’.

A mim, a irresponsabilidade do sujeito é de uma enormidade que fere os meus mais profundos sentimentos de liberdade de expressão. É para escrever um monte de besteiras dessas que lutamos e defendemos a Liberdade de Expressão? Claro que a saída não é a censura, mas existe uma forma de mostrar a alguém que o que ele escreve é lixo: boicotando seu veiculo. E é isso o que pretendo fazer a partir de agora: abortar a Folha de São Paulo.
16/4/2007
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.628 - Livro 973 - Livro 474

(11) 96358-9727

 


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