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NICO BATES
Barata Cichetto
Norman Bates

Nico Bates

O Norman Bates acabou de lançar seu CD oficial. Conheça um pouco mais dessa banda paraense nessa entrevista concedida por E-Mail por Elielton Amador (Nico Bates), com exclusividade para A Barata. Mais informações sobre a banda: www.normanbates.cjb.net . Para contato: elielton.amador@uol.com.br.

A Barata: Fale sobre a origem da banda, há quanto tempo existe, quem foram os fundadores, o porque do nome.
Nico Bates: A banda começou a se juntar em 1994, mas o Carlos havia tentado formar uma banda antes com nosso primeiro guitarrista o Eric e um outro amigo dele, o Mendel. A banda surgiu num período de baixa do rock paraense que seguiu uma grande efervescência. Alguns músicos que já estavam estabelecidos em suas bandas deram um tempo e participaram do projeto, como o Jayme, do Delinqüentes. O primeiro show foi em 1995 com uma formação que incluía baixo, bateria, dois guitarristas e três vocalistas que também se revezavam numa percussão. Com o tempo, fomos enxugando a formação, perdendo o caráter de projeto paralelo para criar uma personalidade própria. O nome foi sugestão de um amigo chamado Jonas, que tocou em duas grande bandas de Belém, o Solano Star e o Epadu.

A Barata: Quais foram a melhor e a pior fase do Norman Bates? Hoje, em que fase está?
Nico Bates: Na minha opinião, esta é a melhor e a pior fase do Norman Bates ao mesmo tempo. É a melhor porque estamos amadurecidos, são oito anos de estrada, estamos com um trabalho novo, nosso primeiro CD. Nos deu muito prazer produzir esse disco, apesar das dificuldades, e as pessoas estão reconhecendo a qualidade do nosso trabalho a partir dele. Por outro lado, como ninguém consegue viver de música ainda, fazendo um trabalho autoral e forte como é o nosso, esse um momento decisivo. Estamos todos numa idade em que, daqui a pouco, vamos ter que escolher entre um emprego comum e a carreira de músico. As dificuldades desestimulam um pouco, mas a vontade de continuar é muito grande em todos na banda.

A Barata: Vocês recentemente tiveram um problema com a Ordem dos Músicos do Brasil, fale sobre isso.
Nico Bates:Num dos shows que fizemos uns fiscais da Ordem chegaram e nos autuaram. Ameaçaram inclusive parar o show se não assinássemos o auto de infração. Nós passamos um tempo mal com essa história. Depois de pesquisar mais sobre o movimento que havia no Brasil inteiro contra a OMB, decidimos procurar um advogado amigo nosso, o Márcio, que também é guitarrista e tocou no Mangabezo. Entramos com um mandado de segurança contra a OMB e o juiz federal de Belém, Gláucio Ferreira, negou a liminar. Ele não analisou a lei dentro do contexto, ignorou muitas questões. Entramos com um recurso em Brasília e ganhamos a liminar, mas isso nos causou um desgaste muito grande. Às vesperas de um show importante para nós, na II Bienal Internacional de Música de Belém, o juiz de Belém deu sua sentença e, com era de se esperar, nós perdemos em primeira instância. Preferimos nos regularizar e perder mais tempo com nossa música do que com questões burocráticas. Pagamos as taxas, mas desde então não tivemos shows suficientes para concluir o processo de registro, que está em aberto. Esperamos que nossos parlamentares revejam essa lei este ano.

A Barata: Vocês musicaram um poema de Augusto dos Anjos, um poeta que não é exatamente dos mais conhecidos , sendo que sua poesia é tida como "difícil e crua demais" segundo alguns críticos. Falem sobre isso.
Nico Bates: O poema do Augusto dos Anjos, "A Esperança", foi uma escolha pessoal minha que a banda adotou logo que sacou que tinha tudo a ver, tanto na sonoridade quanto na letra, com a nossa personalidade. Ser original, de difícil classificação, cru e angustiante ajudou a nos identificar com ele. É bom encontrar paralelos com nossa arte dentro e fora da música. É preciso ter essas referências.

:A Barata: Como vocês avaliam o Rock de uma forma geral e particularmente o brasileiro, hoje? Falem sobre a Cena Rockeira em Belém, casas, como é o público etc..
Nico Bates: Há muito modismo no rock do mainstream. A própria cena paraense vem se consumindo em modismos. Muitas bandas covers tiram nosso espaço por causa desses modismos. Até tocamos covers, mas nossas escolhas nunca são influenciadas pelo que toca nas rádios. Pode ser rock mas não garante que seja bom.
Por conta disso há hoje uma cena mais diversa em Belém, que está menos preocupada em ser rock do que ser autêntico, buscar uma identidade. A nossa é uma identidade que se assemelha e se aproxima do rock, com essa rebeldia adolescente, romântica. Mas, tecnicamente, como já disse o Lobão, podemos ser MPB. Afinal somos músicos, não somos eruditos e, antes de tudo, somos brasileiros.

A Barata: As letras de vocês têm, digamos, um compromisso social? Quais são as influências na composição das letras e quais as preocupações da banda com relação aos problemas sociais?
Nico Bates: Nós temos um compromisso social, como cidadãos e como artistas. Mas isso não é uma obrigação nas nossas letras. Não somos panfletários e nem apontamos caminhos que desconhecemos. Sobre muitos assuntos somos individualistas e cada um na banda tem uma posição a respeito. Mas sempre achamos que deveríamos fazer algo não só por nós, mas por um bem e uma consciência coletivos. Acho que isso é inerente à arte. Não ao processo criativo, mas à função posterior da arte. Participamos de muitos eventos beneficentes nos nossos oito anos de carreira, mesmo quando nós mesmo erámos os carentes e tínhamos que "pagar" para tocar. Gostaríamos de fazer mais, de ser mais engajados, mas não temos hoje muita estrutura. De qualquer estamos ligados principalmente nos movimentos sociais e culturais independentes.

A Barata: Dá para viver de música no Brasil. É preciso, digamos, vender a alma ao diabo ou o almoço para comprar a janta? Vocês vivem de música?
Nico Bates: Infelizmente, ninguém no Norman Bates vive de música. Eu sou jornalista também, mas há engenheiro, estudante e desempregado na banda. Viver de música, modestamente, já seria gratificante, mas não reclamos e continuamos tendo paixão pelo que fazemos. Não vendemos a alma ao diabo, não. Há momentos em que, para ter uma carreira, é necessário fazer concessões ou se adequar a processos burocráticos, como ocorreu no caso da OMB. Mas não fazemos música pensando em vender, se é o que você quer saber. Fazemos música do jeito que sabemos e achamos que devemos fazer e nos propomos a vender esse trabalho, o que é legítimo. É diferente da música que antes da criação já é comprometida com o mercado.

:A Barata: Com relação a discos, quantos vocês já lançaram, existe algum em processo de gravação?
Nico Bates: Estamos lançando nosso primeiro CD oficial pelo selo Na Figueredo Rec, de Belém. O disco foi gravado e produzido por nós e pelo Beto Fares, que uma cara que acompanha há muito tempo nosso trabalho e nos ajudou muito, como tem ajudado muitas bandas de Belém. Fizemos o lançamento no início do ano e a receptividade foi muito boa. Recebemos muitos elogios pelo trabalho.


A Barata: Como é a relação de vocês com gravadoras, vocês lançam seus CD's de que forma? De uma forma geral, acham que as gravadoras são um "mal necessário" ou dá pra viver sem?
Nico Bates: Nosso disco foi gravado de forma independente, com o apoio fundamental da Rádio Cultura FM de Belém. Depois do tape pronto oferecemos ao Ná Figueredo que topou fazer na hora. Agora estamos tentando fechar contrato com alguma distribuidora nacional. Sobre as gravadoras, devo dizer que não esperamos trabalhar nas majors. Se ocorrer, legal, pode ser bom ter uma estrutura por trás e toda a produção que a gente sempre quis. Mas sabemos que o mercado não funciona mais desse jeito. O negócio é batalhar no mercado independente e fazer nossa carreira num público segmentado.

A Barata: Rock é Atitude?
Nico Bates: Rock é bom quando tem atitude, fica cada vez pior quando vira só uma marca, um modismo.

A Barata: Alguma pergunta que não fizemos e que você acha que deveria ter sido feita?
Nico Bates: Acho que não. Só queria mandar um recado aos nossos leitores: mandem um e-mail, visitem nosso site, comprem o disco e se gostar indique a um amigo, a um jornalista ou a um produtor, peça pra tocar na rádio, no bar, na boate. Chega de dizerem o que nós temos que consumir.
27/1/2003
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