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Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor. Bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade".
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Ricardo Alpendre

Ricardo Alpendre
Tomada e Jardim Elétrico Discos
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Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com

Ricardo Alpendre, vocal da banda Toma e dono da Jardim Elétrico Discos

Barata - Ricardo, fala um pouco da sua banda, o Tomada. Como surgiu, a quantas anda e qual é a proposta musical. é uma banda "elétrica"?. Por que o nome "Tomada"?

Ricardo - O Tomada tá na estrada desde o final de 2000, quando o Pepe (Marcelo Bueno, baixista), Fernando Conde e Pedrinho Ayoub quiseram continuar um trabalho após a saída so Marcello Schevano que foi para a Patrulha do Espaço. Teve um cantor chamado Rodrigo, mas com essa formação só fizeram um show. Logo depois eu entrei na banda. Lembro-me que foi no carnaval de 2001. Aí houve algumas mudanças de formação. O time atual vai gravar junto pela primeira vez, no terceiro álbum do Tomada. Elétrica, sim senhor! E o nome veio quando o Pedrinho jogou essa palavra, na mesa do bar, naquelas intermináveis tentativas de se achar um nome pra uma banda.

Barata - Conta pra gente sobre sua loja de discos, a Jardim Elétrico. Qual é a proposta da loja, como surgiu e qual é a especialidade?

Ricardo - Eu e meu irmão, Sérgio, montamos a loja pela primeira vez na Augusta, numa galeria super legal, jeitosinha, mas que infelizmente não entrava muita gente. Perto do CineSesc. A proposta sempre foi vender música boa, de qualquer época, embora tenhamos, não uma especialização, mas uma predominância de rock, e sem a preocupação com os lançamentos. Gostamos mesmo é de trabalhar com LPs e CDs usados.

Barata - Aliás, é apenas coincidência: "Tomada", "Jardim Elétrico"? Tens alguma obsessão com eletricidade? És um camarada "elétrico"?

Ricardo - Hehehe! Pura coincidência...

Barata - Porque e onde surgiu sua alcunha de "Paul Rodgers Brasileiro"?

Ricardo - Eu canto rock por causa do Rogério Fernandes. Ouvi-lo nos bares cantando rock'n'roll foi o que mais me incentivou a levar a sério minha vocação de cantor, que era evidente mas eu não levava adiante. Todos nós gostamos do Paul Rodgers, é claro, mas a princípio minha influência por ele veio através do Rogério, que é um grande fã do cara. Fantástico Paul Rodgers! Um intérprete bem peculiar. As pessoas me associam um pouco demais ao estilo dele. Ainda bem que não tento imitá-lo. Nem a ele, nem a ninguém. Eu prefiro a versão do pessoal do Bar do Amadeu, que diz que eu sou o "Paul Rodgers Paraguaio", hehehehe! Se fosse para ser um seguidor de algum artista, eu queria ser mesmo é o Big Joe Turner Brasileiro.

Barata - Fala sobre seu gosto musical. Quen são seus ídolos, musicalmente falando. Em quem você se inspira para cantar.

Ricardo - Seleciono música pela qualidade, e não pelo estilo. Faço rock'n'roll e adoro isso. Digo com conhecimento de causa, porque sei do rock'n'roll original: o rhythm & blues e o Chuck Berry que o trouxe para o mercado multi-racial; o rockabilly e o Elvis que o urbanizou. E depois vem toda uma história e estilos de rock, que a gente tem que ouvir um pouco de tudo. Há uns dez anos eu tenho ouvido um cara que só hoje reconheço como uma influência fortíssima no meu canto: Louis Prima. Aliás ele e sua mulher, Keely Smith. Mas que peso teria minha opinião se eu não fosse conhecedor de outros gêneros musicais? Eu não tenho ídolo maior que Noel Rosa, por exemplo, e gosto muito do samba de verdade, da música brasileira antiga, Assis Valente, Ismael, Cartola...Ouço muito blues também, da antiga mesmo, lá dos anos trinta. Esses caras, sim! E hoje nós nos dizemos loucos... Também os chamados girl-groups dos anos 60, aquelas meninas fantásticas que fazem você se perguntar se não deveria ser proibido homem cantar.

Barata - O que acha que mudou na maneira de se fazer e ouvir Rock? Pra melhor ou pior?

Ricardo - O LSD e a sofisticação dos anos 60 tiraram muito da espontaneidadeo do intérprete de rock. Em contrapartida, passou a haver em maior quantidade os grandes músicos, entre cantores e instrumentistas. Depois do final dos anos 60, pra mim tudo é conseqüência das quatro décadas anteriores. Há muito boas conseqüências, que se diga. A forma de se ouvir? Sei lá... Eu tô preocupado com que me ouçam, hehehe!

Barata - Quais são seus projetos futuros, tanto da banda quanto da loja. Lançamentos de discos etc. A loja mudou a pouco para um novo local, quais suas espectativas.

Ricardo - No Tomada, estamos preparando o material para o terceiro CD. Talvez comecemos a gravar em breve. Tudo depende das nossas condições financeiras e de um eventual acerto com selos. Já a loja está em uma localização propícia para dar uma opção interessante a quem gosta de música. Somos em doze estabelecimentos voltados exclusivamente à música. E mais a loja da Re Joplin, estilista, com roupas e acessórios relacionados ao que estava em voga no período da Janis, enfim, daquela época da contracultura. É um ambiente legal este da Nova Barão. A expectativa que temos é tão boa quanto o mercado do disco permite. Ou seja: público restrito, é verdade, mas fiel e interessado.

Barata - Esse lance de violência e insegurança que anda muito forte. De que maneira isso o afeta, como ser humano, como cidadão e como artista?

Ricardo - Estamos todos perplexos, não é? Só penso em fazer, pelo menos, o mínimo que me cabe. Não posso ter medo de sair à rua. Ando nas ruas de São Paulo de madrugada e vou continuar fazendo isso, sim senhor. Como artista, tento extrair algo positivo, que é facilmente encontrado no povo.

Barata - Tem um lance, um movimento que vocês juntamente com outras bandas esquematizaram chamado de "Rock Popular Brasileiro", como é isso? É um movimento organizado? O que vocês pretendem?

Ricardo - Não sei quem veio primeiro com esse nome. Mas é uma boa denominação para um movimento cultural, que é o que, de qualquer forma, ja temos. Será um movimento organizado, e recuperaremos espaços que o artista perdeu ao longo dos últimos anos para a vitrola humana.

Barata - Agora, aquele lance: suas considerações finais, toques pra galera. Obrigado pela entrevista.

Ricardo - Muito obrigado aos que prestigiam o artista independente brasileiro, seja ele de rock ou qualquer outra forma de música popular. O Tomada está contribuindo em seu segmento, que é o Rock, com a cultura brasileira. Contamos muito com seu apoio.

Site Oficial do Tomada: www.tomada.czpublicidade.com
28/8/2006
Registro no E.D.A. da F.B.N. : -
Amyr Cantusio Jr.
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Antonio "Tutu" Simmons
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Bento Araújo
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Fabio Sliachticas
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Fabrizio Michelloni
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Gerson Conrad
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Marcelo Diniz
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Marcelo Watanabe
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Marcio Baraldi
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Nico Bates
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Pedrão
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Percy Weiss
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Rê Joplin
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Ricardo Alpendre
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Rolando Castello Júnior
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