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Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor. Bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade".
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Antonio

Antonio "Tutu" Simmons
Destroyer Kiss Cover
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Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com

Antonio, conhecido por “Tutu Simmons” encarna Gene Simmons, baixista e criador do Kiss durante as apresentações da banda “Destroyer” que procura recriar toda a magia e a teatralidade da banda de Nova York. Também sempre à volta com outros projetos, Tutu Simmons foi responsável pela primeira Kiss Expo realizada no Brasil e que trouxe o batera Eric Singer. A convenção aconteceu em Limeira e em Curitiba em 2003. Agora, neste ano de 2006, ele foi o responsável pelo lançamento no Brasil do livro “Kiss Por Trás Da Máscara”, editado pela Companhia Editora Nacional, a biografia oficial, autorizada e definitiva, com dezenas de fotos, a história da banda contada por suas próprias palavras e comentários exclusivos, álbum a álbum, música a música. A entrevista a seguir foi gravada na Kozmic Blues da Galeria Nova Barão em uma quinta-feira, 16 de Novembro de 2006 e está reproduzida na íntegra, sem edição.

Barata: Bem, pra começar acho que legal a gente falar da tua banda, a Destroyer Kiss Cover que tem 22 anos de estrada. Como é que rolou essa idéia, essa paixão pelo Kiss?

Tutu Simmons: Tudo começou com aquela coisa de moleque, evidentemente... Mas quando o Kiss veio pro Brasil em 83, uma galera resolver se juntar e ficar fazendo graça em casa, se maquiar. E ai começou a ficar... Vamos fazer as roupas. Eu não conhecia essa galera. Quem começou isso foi a Lou, a Lourdes que hoje trabalha no Blackmore, ela é gerente lá, e ela fazia o Ace. Então ela chamou uma galera e eles moravam numa casona, legal pra cacete e eles faziam lá. Começou então a ser sério o negócio, mas eles dublavam. E ai começou a crescer, crescer, crescer e eles resolver fazer. E tinha uma banda, chamava Kiss Dublês que foram inclusive em vários programas de TV. Foram no Perdidos na Noite do Fausto Silva, no programa Flávio Cavalcanti, iam num monte de programas, porque era muito legal, apesar deles dublarem. Era muito legal porque o visual era perfeito. Era fantástico, assim. Tinha lança chamas, quebrava guitarra, tal. Era fantástico, tinham bombas. Era show de bola. E eu era fã, mas não conhecia essa galera apesar de que todo mundo que participou dessa banda estava lá em um hotel em 83 e a gente nunca tinha se visto.

Barata: Na época do Show do Kiss, né?

Tutu Simmons: É, A gente estava ali, cada um por si. E ai passou. Em 91 eu fui à casa da Lou, por causa do Steve Ray Vaughan, nem tinha nada a haver com Kiss. Fui lá pra ver porque eu adoro o Steve e tal. E ela falou "Eu tenho uma banda”. Ela colocou uma fita e achei muito legal. Mas eu falei: "Pô, legal, mas vocês dublam, que coisa esquisita! Porque vocês dublam e não tocam? Tocar é que é legal”. E ai eu demorei uns cinco meses para convencer o Fábio que fazia o Paul Stanley nessa banda para parar de dublar e começar a tocar. E sou guitarrista e minha praia era tocar. Eu queria quando crescer, ser o Steve Ray Vaughan. Mas ai como já tinha guitarristas, a Lou era o Ace e o Fábio o Paul Stanley, só sobrava o Gene Simmons. Ai eu falei, "Legal, vamo ai, eu faço!". E é divertidíssimo!

Barata: E foi a que começou...

Tutu Simmons: É, aí a gente começou a tocar. Ms até fazer as roupas todas, até fazer tudo, nos fizemos o primeiro show tocando mesmo, vestidos e efeitos, tudo mesmo em 94 no Aeroanta. Aeroanta lotado, porque só tinha a gente, naquela época a gente não tinha concorrentes. Então era legal. Hoje em dia tem um monte de bandas Cover e tal. Foi fantástico, a casa lotada. Era uma terça-feira, estava chovendo e o Brasil se não me engano tinha perdido. Enfim, era pra ter sido um lixo e foi fantástico, com gente saindo pelo ladrão. Muito legal.

Barata: E ai tá na estrada...

Tutu Simmons: Na estrada há 22 anos sem sair de cima...

Barata: E rola muitos shows?

Tutu Simmons: Graças a Deus! Pra caramba. A gente viaja bastante. Muito show mesmo.

Barata: E como o fã do Kiss vê esse trabalho de vocês? Fã de Kiss é meio exigente nisso né?

Tutu Simmons: Ah depende do fã. Existe fã de Kiss e fã de Kiss. Ele que ter na cabeça, que ele está ali vendo uma banda cover, não o Kiss. Se ele for ver o Kiss, ele vai se decepcionar, evidentemente. A gente é uma banda cover e tem essa limitação. A produção deles é milionária, a gente faz uma coisa reduzida. Primeiro lugar é tamanho de palco, tamanho da casa, tudo é muito complicado. O que a gente tenta fazer é que você embarque com a gente, nessa viagem. Então eu finjo que eu sou o Gene Simmons, você finge que acredita e nós voltamos pra casa todos felizes. É essa a idéia. Se o cara quer ver o Kiss, eu sugiro que ele pegue um avião, vá até os Estados Unidos e gaste até 1.700 dólares de ingresso com direito a ir até o camarim tirar foto. Agora, banda cover é banda cover, eu gosto de deixar bem claro isso. Quando você entende isso, é legal você curte, você viaja.

Barata: Quem é hoje fã de Kiss? Que idade tem? É molecada, pessoal mais velho?

Tutu Simmons: Molecada. Nossa média de público é 15 anos. Nosso grande problema é com o contratante, porque ele diz que nosso publico vai lá e toma água da torneira em vez de consumir. O público mais velho, ele pode contratar um Beatles Cover, pode pagar um cachê legal porque ele sabe que o cara vai pagar um uísque, vai consumir tal.

Barata: O problema acho que tai. Os lugares para tocar, independente de ser banda cover, está muito limitado a bares...

Tutu Simmons: Exatamente. E nós não temos hoje dia aqui em São Paulo uma casa de médio porte, por exemplo. Por exemplo, o Aeroanta chegou a ser uma casa top era uma casa de médio porte onde artistas consagrados fizeram show lá. Era uma casa pra 700 pessoas. Depois teve o Dama Xoc que era muito maior. Era bacana até. E hoje em dia não tem, hoje em dia é só bar.

Barata: E você só toca na Destroyer, ou tem algum trabalho paralelo, som próprio?

Tutu Simmons: Não, eu tenho um trabalho paralelo que é uma coisa assim que eu me vejo apesar de ter uma banda cover, de estar toda hora na mídia, se r meu ganha pão, eu fico muito chateado por essa coisa que tem aqui no Brasil que é só darem valor a bandas cover. Eu fui no Jô Soares, e era eu quem estava lá, embaixo daquela maquiagem, dentro daquela roupa, mas ao mesmo tempo, eu tava vendendo meu trabalho honestamente, legal, foi du caralho. Mas ao mesmo tempo eu ficava pensando, pô eu tô aqui ocupando o lugar de uma banda, até mesmo da minha de som próprio. Então acho que o que vale, ao menos no nosso caso, que é mais fácil compreender, pelo fato do visual, dos efeitos, essas coisas. E tem a questão da teatralidade, porque a gente não toca apenas, a gente não coloca uma calça jeans e toca. É um teatro. Você sabe que naquele ato o cara vai cuspir sangue, você sabe que naquela música o cara vai cuspir fogo, você sabe que naquela música o cara vai quebrar a guitarra. Enfim, é a mesma coisa que você ir assistir o fantasma da Ópera. È o original? Não, não é o original, nem existe original, mas enfim, não é o cara de lá, é um brasileiro, uma produção nacional, mas evidente que é uma escala menor.

Barata: É, um show do Kiss ou de uma banda cover do Kiss, a coisa deixa o terreno só da música, é uma coisa teatral.

Tutu Simmons: Música faz parte. Então você vai em nosso show e vai achar ou engraçado ou legal, ou do caralho porque tem caras e bocas... É um musical. Por acaso tem a música, que é uma coisa que todo muito gosta, todo mundo curte, mas tem a teatralidade da coisa, que eu acho que é bacana.

Barata: E você particularmente conhece a história do Kiss, você estuda, lê sobre ela?
Tutu Simmons: Eu já fui fanático, hoje em dia eu sou um fã. Mas hoje em dia é meu ganha pão, é diferente. Quer dizer... Quando era molecão eu colecionava, hoje eu não sou um colecionador. E gosto de livros, eu pesquiso, tem esse lance do livro. A minha praia não é tão passional como normalmente os fãs encaram. Sinceramente se você vier me falar que o Kiss é uma merda, eu vou ouvir tua opinião e não vou sair na mão contigo por causa disso, eu tenho a minha opinião, você tem a sua. Agora, se você vier me falar que minha banda é uma merda, eu vou com os dois pés no peito... Ai lógico. Mas se você disser, pô o Kiss é uma merda, que o cara é satanista e tal. Ai você vai me permitir argumentar que não, peraí, não é nada disso, é assim, é assado. Ah, mas eles matavam pintinho, ai eu digo você está enganado, nunca rolou isso, esse assunto...

Barata: É, tem aquelas histórias que são criadas para virar lendas...Até por eles mesmos

Tutu Simmons: É, até por eles mesmos.

Barata: E Kiss é uma banda que tem lendas ás pencas. É, tem aquela história que rola por ai, aquela história dos Secos e Molhados.

Tutu Simmons: É, isso é só o Ney (Matogrosso) que jura de pés juntos, que eu acredito que surgiu de uns tempos pra cá, porque antes não se falava muito...

Barata: Bem...

Tutu Simmons: Não existe. O Kiss cita a fonte de onde se inspiraram, isso fica muito claro inclusive no livro "Kiss Por Trás da Máscara", eles desmistificam tudo. Por exemplo, eles tinham como referência o New York Dolls, mas eles achavam muito colorido. Ai eles disseram, vamos deixar só o preto e o branco, uma coisa mais agressiva. Ai eles foram no show do Alice Cooper e disseram nós queremos quatro Alice Cooper na banda. Essa foi a proposta. Em nenhum momento eles se inspiraram em Secos e Molhados. Foi uma coincidência danada. Por exemplo, o Ney fala que os empresários do Kiss abordou eles no México, acho que é mais ou menos assim a história... O Kiss não tinha "Empresários", tinha "Empresário". E tinha uma assistente que trabalhava diretamente com eles. A mulher do Neil Bogart que era dono da Casablanca Records...

Barata: A primeira vez que eu li essa história foi ainda em 75 ou 76 se não me engano, uma matéria na Folha de São Paulo. Não sei alimentado por quem...

Tutu Simmons: Mas é muita coincidência. Eu acredito que é apenas coincidência, porque era tendência na época. A proposta era diferente. A do Secos e Molhados não era de não mostrar o rosto, era talvez de chocar, era uma outra coisa. Então em nenhum momento o Kiss cita isso. É evidente que só o Ney Matogrosso pode saber.

Barata: É, mas tem também a declaração do outro do Secos e Molhados... O... Gerson Conrad que conta a mesma história.

Tutu Simmons: Tem outra coisa que é assim, segundo a história que eu sei, era que era para o Ney entrar na banda. O Kiss era Paul Stanley e Gene Simmons. E nenhum momento eles iriam admitir uma coisa dessas, nenhum momento. Isso é o ponto um. Quem criou a banda foram eles dois... Então como é que eu posso criar uma banda pra você cantar? Um outro cara cantar. Não existe isso. No Kiss não existiu. Agora se existiu outro cara que foi atrás, viu, achou interessante e falou vamos fazer uma outra coisa tipo Kiss e vamos fazer uma coisa assim, ai beleza, mas no Kiss exatamente, é uma coisa muito estranha, porque a banda já estava fechada. Já existia a banda, eram quatro caras iguais. Quando eles abriram para fazer testes, foi um cara negro, que tocava como o Hendrix e eles falaram a gente não tem nada contra negro, mas a gente quer quatro caras iguais, a gente quer quatro caras que se pareçam, tipo Beatles. Pô, eles se parecem um com outro, eles pertencem á mesma banda. Era isso o que eles queriam. É complicado esse lance, então prefiro achar que foi coincidência mesmo.

Barata: Bom, vamos falar do livro, como é que surgir essa idéia de trazer esse livro, “Kiss Por Trás da Máscara”. Como foi o processo?

Tutu Simmons: Eu sou um cara muito impaciente e inconformado com algumas coisas. Eu não quero sossegar com uma banda Cover só. Pra você ter uma idéia, com relação a banda, eu fiquei doente e tive que sair da banda por um bom período, quando eu voltei em 99, ela tinha se separado em duas bandas, só que uma estava capenga. Então disse pro Fábio, que é meu sócio na banda, eu estou na ativa de novo e tudo bem. A gente tem que fazer alguma coisa pra chamar a atenção de alguma forma. Era uma festa Kiss, onde iam tocar um monte de bandas Kiss. Eu sei que existe um preconceito imbecil de quem toca Deep Purple, de quem toca Led achar que você não é músico porque você toca Kiss. Isso é um preconceito imbecil. Tanto que eu acho imbecil que eu liguei para um amigo e falei “Cara, você topa tocar com a gente, fazer duas, três músicas?” E ele falou, “Meu, do caralho, quero sim”. O cara era o Paulo Zinner. E ai eu pensei: pô, o cara é referencia! Então isso serve pra desmistificar e acabar com essa babaquice de quem toca Deep Purple, porque toca Rush, porque toca não sei o que, achar que você que toca Kiss não é músico.

Barata: Isso é parte daquelas lendas que dão conta que nos primeiros discos do Kiss não eram eles quem tocavam porque não eram músicos.

Tutu Simmons: Eu acho isso uma babaquice, eu não devo nada pra ninguém. Então o Zinner aceitou e não só aceitou como ele queria se maquiar. Ai eu falei, amigo eu não quero você maquiado. Eu quero o Paulo Zinner tocando. É isso o que eu quero, é essa atração pra gente. E foi du caralho.

Barata: E isso foi quando:

Tutu Simmons: Foi em 99. Foi du caralho, du caralho. Ah ele tem fama de chegar atrasado... Ele não chegou atrasado uma vez, tocou com a gente, tocamos duas ou três músicas com a gente. E foi sensacional. Ele curtiu e a gente curtiu e isso serviu como um tapa na cara desse pessoal que se acha super músico porque Deep Purple, toca Rush, toca Led. Isso não quer dizer nada... A não ser que o próprio Led falasse alguma coisa, agora cover não. Mesmo assim eles jamais falariam porque se respeita. Eu posso não gostar do tipo de som que tu faz, mas eu dizer que você não é musico ou não te respeitar como musico ou como artista porque tu toca uma outra coisa, eu acho isso uma infantilidade.

Barata: Eu acho que isso rola só em alguns segmentos, de algumas pessoas, mas não vejo isso como regra. O ideal é que todo mundo pudesse se manter fazer trabalho próprio. Mas o cover, por exemplo, é opção para muita gente boa. E daí acabou. Na verdade tinha que ter espaço pra todo mundo e todo mundo se respeitando;

Tutu Simmons: Tinha que ter esse espaço. Na década de 80 era assim, não tinha banda cover. Tinha espaço, tinha o Carbono 14, tinha não sei quem. Eu não sei quem criou isso, não fui que criei, não fomos nós da banda Destroyer que criamos essa coisa de que só banda cover presta, muito contrário tem muita banda cover que é um lixo. Agora tem espaço pra todo mundo, batalhe o seu. Você tem que ter um diferencial, eu acho. Agora é evidente que é revoltante a gente viver no país gigantesco como a gente vive e só ter um produtor musical que vai decidiu se teu trabalho é bom ou não. Se a tua arte o público vai gostar ou não. Nós temos um cara, assim como nós temos uma emissora de TV, o resto não presta. Nós temos um escritor que presta o resto é esquisito. Eu acho isso uma imbecilidade. Tirando o Norte e Nordeste que tem vida própria. E ai quando desce a banda Calipso pra cá, eles já foram pra Europa, já encheram o cu de ganhar dinheiro e ai é que eles vão no Faustão. Senão é assim. Tem um produtor musical, um cara que faz capa de disco, o cara que faz cenário pra show. É sempre um cara só. Sabe, é uma coisa tão imbecil. Tem tanto talento cara, olha o tamanho desse país porque sempre um só. E quem sou pra dizer se teu trabalho não presta.

Barata: É, a questão do monopólio. Por isso que a gente de A Barata tem fazer é justamente despolarizar a coisa, dar espaço a todo mundo. Quando eu cunhei o slogan “Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade” isso vale pra tudo. Logicamente que a liberdade tem que ter responsabilidade. Pra gente tanto faz o tipo de trabalho que o cara faz.

Tutu Simmons: Então, e o pior é não é muito pouca gente, é um cara só. È só ele que manda. Eu fui levar meu trabalho de som próprio que se chama “Bicho Preguiça”, um trabalho que eu gastei minha grana, que é um trabalho pra molecada, como se fosse, mau comparando, como se o “Mamonas” tivesse amadurecido, é música descartável. Um trabalho pra achar graça e acabou. O que na verdade é o intuito do Rock’n’Roll, não sei onde ele se perdeu, mas é diversão. Então não é nada, ah, poesia, vou pensar no vou escrever, nada disso. Ai gravei, gastei minha grana, gastei o que eu podia e o que eu não podia pra investir no meu trabalho e fui até o escritório dele levar. E a moça nem me deixou entrar, meu amigo. Ela me atendeu por um interfone e ai tinha um guardador de carro e ela pediu pra eu deixar meu material com ele. E ai eu disse, escuta, querida, eu não tenho nada contra seu guardador de carro, mas eu vim lá do cu do mundo até aqui, é lá na Casa Verde o escritório dele, trazer um trabalho que eu fiz com tanto carinho e entregar pra uma pessoa que não é responsável por isso. Então se o produtor não está, você por gentileza tire sua bunda da cadeira e venha me atender.

Barata: é, é esse o problema.

Tutu Simmons: Ai vão dizer que eu sou metido, não eu não sou metido. Por acaso se o tal produtor ouvisse meu trabalho e tivesse curtido ela ia me tratar daquele jeito ela iria me tratar daquele jeito ou ia perguntar se eu queria uma água gelada, um refrigerante talvez, alguma coisa? E ai ela desceu e nem quis me dar um cartão. Eu não sou um bandido, não estou roubando, eu sou um músico, e vim aqui trazer um trabalho. Não é assim que se deve tratar com as pessoas. Agora, você acha que ela entregou? Não sei, não tenho idéia, isso tem mais de um ano. Ouviram meu trabalho? Não ouviram? Não sei. E ai beleza. Então o que eu posso fazer da minha vida? Ai eu tenho que me submeter a tocar num bar onde o cara, que é “muito legal” e vai me deixar tocar lá numa segunda-feira e não vai me pagar nada e eu vou ter que levar o meu público, meu equipamento... Então vou montar um bar. Isso é injusto. Esta é a minha vida e história do meu som próprio e assim como é a de um monte, de todo mundo com raras exceções.

Barata: Muito raras, infelizmente.

Tutu Simmons: Isso é revoltante. Agora, o que eu vou fazer? Ficar em casa? Eu tenho uma banda cover que me abre. Eu toco sábado, toco por cachê fechado, cachê que muita banda cover não recebe, eu viajo de avião. A gente faz show com bandas top do Brasil, por exemplo. Você vai tocar numa festa, numa feira. Aquele é seu dia, é você quem fecha, você é a atração principal. No outro dia foi o KLB, no outro foi o Erasmo Carlos, no outro o Jota Quest. E no outro foi a Destroyer. Olha que interessante! Ah, é revoltante. É, ao mesmo tempo é, porque você está ocupando espaço de alguém. Mas o que eu posso fazer?

Barata: È uma situação que ninguém sabe quem ou quem começou...

Tutu Simmons: Exatamente. E ela se torna ruim pela falta de opção. Porque na década de 80 não existia isso, existiam algumas bandas que tocavam covers diversos e o resto era tudo banda que você gosta. Era o Patrulha, era o Golpe, era o Sepultura, o Vírus que era uma banda de Heavy Metal maravilhosa dos anos 80, sei lá, Salário Mínimo, Chave do Sol. Eles tocavam e a gente ai pra ver. Hoje em dia não. E quem criou isso? Se a culpa é do dono do bar ou se a culpa é do público que não quer ver.

Barata: Mas ficar caçando culpados não vai levar a nada.

Tutu Simmons: É, você precisa entrar no esquema, e o esquema é esse.

Barata: Ok, é um trabalho, é isso que as pessoas e isso que as pessoas têm que ver.

Tutu Simmons: Isso é bacana, isso é legal. Eu quero ser respeitado como músico. Não é porque eu não sou guitarrista do Chitãozinho e Xororó ou do CPM 22, que o pessoal não possa me respeitar. Porque nós somos músicos. Não é porque você é jornalista do “Estadão” e eu do “New York Times” que você é menos que eu. Nós somos profissionais.

Barata: E isso de cover, também é legal porque tem muita mística dos dois lados. Se você pegar a música brasileira dos anos 30, 40. 50, os compositores não gravavam, quem gravava era os cantores, que não compunham. Então de certa forma podemos dizer que aqueles grandes cantores eram covers.

Tutu Simmons: Exatamente, exatamente.

Barata: É pouco de exagero talvez...

Tutu Simmons: Vamos combinar então que Roberto Carlos nada mais era que cover dos Beatles...

Barata: Muito do que se fez da Jovem Guarda era cópia ou versão de músicas dos Beatles e outras bandas inglesas.

Tutu Simmons: E as vezes literalmente, muitas eram pura tradução, mesmo.

Barata: Durante os anos 70 teve aquele lance de pessoas que não tinham espaço que botavam o nome em inglês, como Fábio Júnior e muita gente que está por ai que gravou em inglês. Era muito pior isso, porque esses caras enganavam as pessoas, que pensavam que eles eram americanos ou ingleses e eles não eram.

Tutu Simmons: Morris Albert...

Barata: Baseado nisso, as bandas cover são mais honestas, pelo menos ninguém em sã consciência acha que o que está ali o original.

Tutu Simmons: Até acontece. É divertido até, mas pé delicadíssimo. O problema é o músico é achar que é, ai é complicado...

Barata: Mas ai já é uma outra coisa. Bom, mas voltando ao lance do livro “Kiss Por Atrás da Máscara”...

Tutu Simmons: O livro começou com a coisa de eu não ficar quieto e tinha esse projeto de lançar alguma coisa. Meu Deus do céu, a gente está falando que o Kiss tem mais de 30 anos, o maior público deles foi aqui no Brasil em 83, 180 mil pessoas no Morumbi, qualquer coisa assim. Fãs de Kiss, todo mundo sabe que tem pra cacete aqui. Porque é que ninguém fez nada ainda? Porque ninguém tinha feito uma Expo? Os caras estão ai há mais de 30 anos... Então foi isso que eu me perguntei: o que é que falta? Falta alguém querer. E não falar, ah não é impossível. Ah, chegar neles é impossível. Porque chegar neles é impossível? Até se você mandar uma carta lá pro Bush é de repente o cara te responde... Não tem nada de impossível. O cara é normal, é igual, a diferença é que ele é um artista, ele tem uma aura, diferente. Enfim, ai eu comecei com essa idéia. Em 2003 deu certo de eu trazer o Eric Singer, ao mesmo tempo eu tinha esses projetos de trazer essa literatura. Não existe nada oficial do Kiss aqui no Brasil. Então esse livro é o primeiro livro oficial do Kiss, tem umas biografias autorizadas, traduzidas, é igualzinho ao original, tem fotos, tem quase 500 páginas... E ai deu certo, era um projeto meu e eu levei esse projeto pra Editora Nacional, eles acreditaram no projeto e foi fantástico. E hoje está aí, é realidade e está ai e se você é fã do Kiss tem a obrigação de comprar o livro.

Barata: E o livro conta a história toda da banda?

Tutu Simmons: Desde o Wicked Lester, cara. Como banda e em separado, tem a vida de cada um desde quando nasceu, depois tem como banda, desde o Wicked Lester, antes do Kiss e outras bandas antes disso até a formação atual. Depois na metade do livro tem disco por disco, música por música, desde “Wicked Lester” que não chegou a ser lançado na época, foi lançado depois, sem maquiagem, era uma outra praia, um lance que tinha até flauta, meio Jethro Tull, uma coisa bem psicodélica, estranha. Sendo que algumas coisas desse disco viraram “Let Me No”, “She”, um monte de músicas que eles regravaram como Kiss. Disco por disco, música por música falando quem toda o que, quem era o engenheiro de som, quem fez a capa do disco. Tu falou que existia a lenda de que eles não tocavam no começo, então, lá tem escrito quem tocou realmente no disco. Que musica que inspirou. “Ah, eu a Firehouse porque eu me inspirei numa música do Led, se você prestar atenção a música é num acorde invertido da musica assim.” Uma música do Led que eles inverteram o acorde porque eles adoram o Led, Paul Stanley adora, coisas assim. E é sensacional por causa disso, essa desmistificação toda inclusive, contando como eles começaram com maquiagem. Os acertos, erros, as bolas fora, como eram os efeitos.

Barata: Tem muitas fotos no livro...

Tutu Simmons: É, isso é legal, mas o mais legal nem é isso. Hoje em dia tem Internet e tem até fotos mais legais. O mais importante é o que está escrito mesmo. Essa história. O lance de Marketing. Como é que começou isso.

Barata: O Kiss hoje tem marca pra todo lado...

Tutu Simmons: O Kiss hoje tem mais de 3.000 itens licenciados. Então é uma coisa assim, se vende Kiss. Quando eles tiveram a Reunion Tour, quando eles voltaram com as maquiagens, o Gene Simmons ganhou um milhão de dólares vendendo camisetas no dia do show. Então o poderio dos caras é indiscutível.

Barata: Dizem que até caixão de defunto...

Tutu Simmons: É, tem caixão de defunto, camisinha, tem vinho, tem perfume.

Barata: E o livro conta tudo isso ai...

Tutu Simmons: O livro fala todas sobre essas jogadas de Marketing, essa coisa que acaba irritando eles também, mas é uma fatia importante, você não pode negar aquilo. Isso faz parte... Grana, isso te move. Infelizmente você precisa de grana pra qualquer coisa...

Barata: é não vamos ser hipócritas, grana também te possibilita, por exemplo a adquirir cultura.

Tutu Simmons: Exatamente, senão... Sei lá... Sem falar que, por exemplo pensando com a cabeça deles: é a minha cara, se você quer ter a minha cara, você vai ter que comprar, não é verdade.

Barata: As pessoas se referem a Gene Simmons como um cara que gosta de dinheiro.

Tutu Simmons: Ele gosta de dinheiro, e isso tem no livro, ele até os oito anos de idade não sabia o que era papel higiênico, de tão pobre que ele era, porque ele nasceu em Israel, em Haifa, uma cidadezinha. E o cara foi pros Estados Unidos e não sabia nada de nada. A mãe dele era pra morrer no campo de concentração e não morreu porque era cabeleireira do chefe do campo. Então a cabeça do cara o que que é? É grana, cara! O cara é judeu...

Barata: As pessoas colocam muito aquela coisa de que dinheiro é ruim...

Tutu Simmons: Ele diz assim, e eu até concordo com ele: “Dinheiro não traz felicidade? Então eu vou dar o número da minha conta pra você mandar todo seu dinheiro pra mim, já que você é infeliz com dinheiro.”

Barata: Acho que pelo menos é extremamente fascinante você conhecer a história de uma banda tão polêmica.

Tutu Simmons: É isso que eu acho o grande barato.

Barata: Desmistificar algumas coisas

Tutu Simmons: E lendo o livro você vai ver aquela história; “Ah, mas o Kiss matava pintinho no palco” Você vai descobrir que Gene Simmons até os 25 ou 28 anos não comia galinha porque ele tinha trauma de infância, porque lá no condado onde ele morava, em vez de terem cachorro eles tinham uma galinha, que era do vizinho que era criada como animal de estimação. E um cara cortou a cabeça da galinha e ela saiu andando, pra cima dele. Ai, ele ser acusado de pisar em pintinhos... Quando o cara não podia nem ver...

Barata: Porque essas lendas... Então é importante um trabalho desses, porque no Rock o tem mais é lenda mesmo.

Tutu Simmons: Assim como tem do Led... Tem milhares de coisas ai.

Barata: Isso é tudo mídia. E quando você precisa de mídia...

Tutu Simmons: Ele é até exagerado. Eu até concordo que ele é exagerado, mas eu acho muito engraçado. É a história do Silvio Santos, compra o carnê do Baú quem quer...Não compre, ninguém te obriga a comprar. E ele fala uma coisa que é engraçado mas é meio estranho: “Eu não me importo que você limpe a bunda com a minha cara, desde que você compre o meu papel higiênico.” Então, foda-se, você vai discutir com um cara desses? Você dá risada...

Barata: E se você for pensar bem ele está é certo...Se você acha meu CD uma merda e quer quebrar? Então compra e quebra E tem aquele lado de que sucesso dos outros incomoda...

Tutu Simmons: Em 76, 77 só dava Kiss mesmo. E no livro você vai saber porque só dava eles. È o lance do Marketing... Porque só dava eles? Porque tinha um acordo entre a gravadora e as revistas. A gravadora comprava capa e contracapa. E o contrato dizia que em algum momento eles tinham que falar do Kiss. E ficou anos e anos com eles sendo capa e contra-capa de tudo quanto é revista. Isso é Marketing.

Barata: E é isso que move o mundo.

Tutu Simmons: Eles já tiveram crises com esse negócio de Marketing, Merchandising, mas isso passa. A hora em que entra o número na tua conta, aí você fica legal.

Barata: Bom, estamos terminando. Você quer falar mais alguma coisa?

Tutu Simmons: Não. O livro está vendendo em tudo quanto é livraria, pela Internet no http://www.rmcobol.com.br/rock/, aqui na Galeria Nova Barão, tem na Galeria do Rock. E agradecer a você, com o espaço e pode contar com a gente também.

Barata: Bem, e acho que a gente te que agradecer Rê, aqui da Kozmic Blues por recepcionar a gente e falar pra galera interessada em história e histórias do Rock em geral e do Kiss em particular a comprar o livro “Kiss, Por Atrás da Máscara ”.

Links:
Destroyer
Kiss - Site Oficial
Kozmic Blues
16/11/2006
Registro no E.D.A. da F.B.N. : -
Amyr Cantusio Jr.
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Antonio "Tutu" Simmons
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Bento Araújo
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Fabio Sliachticas
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Fabrizio Michelloni
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Poemas Perdidos

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