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O Corvo - Tradução: Raphael Soares (2010 - Brasil)



Numa meia-noite distante de melancolia, quando fraco e cansado, refletia
Sobre uma grande quantidade, de uma curiosa sabedoria esquecida -
Enquanto olhava, quase dormindo, subitamente, algo batendo,
Como de alguém gentilmente batendo, batendo a porta do meu quarto.
"É algum visitante", murmurei, "batendo na porta do meu quarto -
Apenas isso e nada mais. "

Ah, distintamente me lembro que foi num gélido e sombrio¹ dezembro.
E cada brasa individualmente a morrer, desenhava um fantasma sobre o chão.
Ansiosamente, a próxima manhã desejei - e a própria aceitação, em vão busquei
Naqueles livros cessar minhas tristezas - tristezas pela perdida Lenora
Pela rara e radiante dama que os anjos chamaram Lenora
Sem nome agora para sempre.

Triste e incerta, a seda fina, ladra de cada roxa cortina
Emocionou-me - preencheu-me com fantásticos terrores que nunca sentira antes:
Assim agora, meu coração batendo, eu parava, repetindo.
"É somente um visitante pedindo para entrar na porta do meu quarto -
Uma visita muito atrasada, pedindo para entrar na porta do meu quarto -
É só isso e nada mais".

Atualmente minha alma, força avante: sem mais momento hesitante,
"Senhor ou Senhora", disse eu, "verdadeiramente imploro seu perdão:
Mas o fato é que eu estava adormecendo, e você suavemente veio batendo,
E tão levemente você veio batendo, batendo a porta do meu quarto,
Tenho certeza que ouvi você, mesmo o som escasso" - quando abri meu quarto -
Escuridão e nada mais.

Profundamente na escuridão, esperando, muito tempo amedrontado, contemplando.
Duvidando, sonhando sonhos que jamais nenhum mortal atreveu-se a sonhar antes:
Mas o silêncio não quebrava, e nada, nada mudava,
E a única palavra dita, foi uma palavra sussurrada, "Lenora"?
Sussurrei, e um eco murmurou de volta essa palavra "Lenora!" -
Meramente isso e nada mais.

Voltando à sala onde, estando, toda a alma em mim queimando,
Pouco depois, escutei uma batida pouco mais alta que a de antes.
"Certamente", disse eu, "certamente isso é algo na grade da janela;
Deixe-me ver, então, o que lá está, e esse mistério explorar -
Deixe meu coração ser calmo em um momento, e esse mistério explorar -
Isso é só o vento, e nada mais!"

Abri então com força a janela, quando, rapidamente através dela
Saltou num passo majestosamente O Corvo, dos sagrados dias de outrora;
Não fez ele nenhum cumprimento, nem sequer parou ou ficou por um momento;
Mas, com o semblante do senhor ou senhora, ficou empoleirado na porta do meu quarto -
Ficou empoleirado sobre o busto de Palas, na porta do meu quarto -
Empoleirado, e só, e nada mais.

Então essa ave de ébano belíssima faz sorrir minha fantasia tristíssima,
Pelo túmulo e o misterioso decoro de seu semblante vestia,
"Apesar de sua pena ser cortada" disse eu, "tu, realmente não se acovarda,
Medonho, sinistro e antigo Corvo, vindo das profundezas,
Diga-me teu imponente nome, lá no terreno de Pluto², as profundezas!"
Disse o Corvo, "Nunca mais".

Muito admirei-me, dessa ave desajeitada, quando ouvi a tal palavra pronunciada,
Apesar da resposta pouco clara - pouco relevante;
Pois não podemos, concordando, que nenhum ser vivendo
Já foi abençoado com a visão de tal pássaro acima da porta de seu quarto -
Pássaro ou demônio, em cima do busto esculpido sobre a porta de seu quarto,
Cujo nome é "Nunca mais".

Mas o Corvo, sozinho imovelmente em cima do busto plácido, falou somente
Essa única palavra², e em sua alma, essa única palavra deixava fluir.
Nada mais em seguida ele falou, nada mais falado, e ele brevemente balançou -
Até que eu, mal murmurei, "Outros amigos foram embora antes -
Na próxima manhã ele irá levar-me, como as minhas esperanças foram embora antes."
E o pássaro disse, "Nunca mais."

A sensação de silêncio foi quebrada, pela resposta habilmente falada,
"Por certo", disse eu, "isso que falas e repetes agora
Pegou de algum infeliz mestre, que em um impiedoso desastre,
Fugiu rápido e mais rápido, até que ficou suas canções -
Até que o refrão de melancolia ficou de suas canções
Este - Nunca mais."

Mas o Corvo tentar continuou, tudo para alegrar-me, mas não adiantou,
Sentei-me no confortável sofá, em frente ao pássaro, ao busto e à porta,
Em seguida, no veludo mergulhado, percebi que estava acorrentado
Fantasia a fantasia, pensando o que este pássaro agourento de outros tempos -
O que este desagradável, deselegante, medonho, magro e agourento pássaro de outros tempos
Afirmava ao repetir, "Nunca mais".

Estava empenhado especulando, mas nenhuma sílaba falando
Para a ave, cujos ardentes olhos queimando agora no centro do meu peito;
Isto e mais, ia cismando, com a cabeça reclinando
Na almofada de veludo que a lâmpada aplicava sombra em tudo
Mas cujo forro de veludo, violeta com a lâmpada que aplicava sombra em tudo
Ela compele, ah, nunca mais!

Então o ar ficou mais denso, perfumado pelo cheiro de um incenso
Passou por serafins cujos leves passos tilintaram no chão tufado.
"Miserável", gritei, "de Deus foi emprestado - por estes anjos foste enviado
para interromper - interromper os resquícios das memórias de Lenora!
Apaga, oh, apaga estes resquícios e esquece a perdida Lenore! "
Disse o Corvo, "Nunca mais".

"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, mesmo se ave infernal!
Veio somente para tentar-me, ou veio por acaso, de uma tempestade,
Desolado, ainda assim inabalado, nesta terra deserta encantado -
Nesta casa pelo Horror assombrado - diga-me a verdade, eu imploro
- Há - Há bálsamo em outros mares? - Diga-me - diga-me, te imploro! "
Disse o Corvo, "Nunca mais".

"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, mesmo se ave infernal!
Pelo céu que se inclina sobre nós - pelo Deus por ambos adorado -
Diga a sua alma de sofrimento denso, caso ouça no Éden imenso,
Que prendeu uma santa dama que os anjos chamaram Lenora -
Prendeu uma rara e radiante dama que os anjos chamaram Lenora."
Disse o Corvo, "Nunca mais".

"Essa palavra é nosso sinal para ir avante, ave ou diabo!" Eu gritava, arrogante -
"Levanta-te de volta à tempestade a ao terreno de Pluto, as profundezas!
Não deixe pena negra nenhuma como sinal da tua alma e de mentira alguma!
Deixe minha solidão ininterrupta! - sai do busto sobre minha porta!
Desaparece com tua garra de meu peito(4), e desaparece de cima da minha porta!
Disse o Corvo, "Nunca mais".

E o Corvo, nunca mudado, ainda está sentado, ainda está sentado
Sobre o busto pálido de Palas, acima da porta do meu quarto;
E seus olhos têm todo o ardor de um demônio sonhador,
E a lâmpada joga sua mórbida sombra sobre o chão,
E a minha alma como morta presa na sombra flutuando no chão
Voltará a viver - nunca mais!



¹ Novamente a palavra bleak. Veja a tradução de Greek de Pound.
² Deus romano, equivalente ao Hades grego. Deus do mundo inferior.
³ "Nunca mais em inglês" é uma única palavra: "Nevermore", embora possa ser escrito "Never more".
(4) A expressão: "Take thy beak from out my heart" é: "Retira teu bico do meu coração", o bico é
pelo fato de ser um pássaro, mas a intenção é de retirar as "garras" do "peito".

http://blogelaphar.blogspot.com/2010/07/o-corvo-edgar-allan-poe.html

 


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