MEMÓRIAS DE UMA PUTA BARATA - CAPÍTULO 1
Barata Cichetto
"Quando há cerca de aproximadamente um ano atrás decidi mandar minha história, sabia de antemão a polêmica que a mesma iria gerar. As mulheres achariam que eu sou uma puta, a macharia de plantão que sou uma porca e todos estariam absolutamente certos que sou maluca, ou que na melhor das hipóteses que queria aparecer.

Muito bem, quase um ano depois e de ter recebido uma infinidade de correspondências dos tipos mais estranhos - de psicólogos analisando meu caso pela ótica freudiana e jungiana a economistas que ofereciam um programa milionário, de fotógrafos querendo fotografar com o corpo repleto de baratas a poetas que dedicaram odes inteiras, de tarados que queriam transar comigo com baratas andando sobre suas costas a bichas que trataram aquilo como recalque paterno (a barata era meu pai por quem eu tinha asco, falou uma delas) e nunca ter respondido a nenhuma delas, além de ler os esdrúxulos comentários colocados na página da Barata, decidi que seria o momento de começar, ou melhor, continuar a relatar minhas experiências.

Sei que muita gente irá pensar que o lugar de eu contar minhas orgias e fantasias eróticas seria em sites eróticos ou psiquiátricos, mas após ter consultado o editor da Barata e recebido dele um “OK”, decidi que seria aqui minha casa. Ou seria minha toca? Aliás, foi ele quem sugeriu o nome de Memórias de Uma Put'A Barata.

O presente “prólogo” é apenas um comunicado que aqueles que acharam que estariam libertos de minha nojenta pessoa estão redondamente enganados: Lady Barata está de volta, mais puta e mais barata, com sua gosma vaginal seu útero em brasa, sua caneta fálica e suas antenas balançando em busca de homens a serem devorados.

Àqueles que possam pensar que tratam com uma mulher bruta e inculta, saibam que estão lidando com alguém que cursou Jornalismo, Direito e Filosofia, leu todos os poetas antigos e transou com muitos dos modernos, conhece 6 idiomas incluindo japonês, e sabe a diferença entre o céu e o inferno por ter morado em ambos os lugares.

Minha experiência em assuntos literários não é menor que minha experiência erótica. Conheço livros e homens com a mesma profundidade e estou certa de que a única diferença entre ambos é que os livros nos ensinam - sempre e por piores que sejam - algo, enquanto os homens precisam sempre serem ensinados e guiados. Conheço todos os tipos de homens e de livros mas enquanto os homens sempre causaram apenas um arremedo de gozo, os livros foram o que me deram o real Tesão, com “t” maiúsculo.

Passei noites inteiras, centenas e milhares delas, digerindo homens e livros. Ou melhor, digerindo homens e sendo digerida por livros. Sim, porque os livros penetram em uma zona erógena que nenhum homem é capaz: na mente. Cansei de todos os homens mas de nenhum livro.

Parece portanto que o ideal a mim seria ter um retumbante, pungente e flamejante caso com um escritor, certo? Certo coisa nenhuma! Aconteceu, mas a história eu conto no próximo capítulo. Pretendo semanalmente ou na pior das hipóteses mensalmente publicar aqui minhas memórias e espero por comentários.
Gosmentos beijos.

Lady Barata
3/10/2001