APENAS BARATAS
Barata Cichetto
P
A barata é assim mesmo: incomoda, perturba, enoja, invariavelmente arrepia. É esse seu papel. Aliás, destroçar papel, componentes eletrônicos, madeira. Qualquer coisa lhe serve de alimento: folhas de poesias e ensaios, computadores, mesas. Mas o principal papel d'a barata é resistir, resistir, resistir...
Uma barata incomoda; centenas, milhares, milhões, podem acabar com o mundo, mas apenas duas já fazem uma revolução.
O tempo é inimigo dos homens mas não d'as baratas, que chegarão antes e irão permanecer, depois.
Existem muitas baratas, algumas tontas, outras prontas a fugir do inseticida-dinheiro, outras embora tontas, prontas para enfrentar a chinelada do sistema.

Fossas, esgotos, quartos escuros, mesas de bar, à frente dos computadores e máquinas de escrever, elas estão escondidas, perpetrando seus planos de conquista, aniquilação do sistema-inseticida marca neo-liberal.

Mas será necessário o aparecimento de uma barata gigante com super-poderes carismáticos para guiar as baratas tontas? Depois de "A Revolução dos Bichos" teremos "A Revolução das Baratas"?
As antenas se mexem farejando comida! Ah, sim queria ser uma barata de verdade e comer qualquer coisa, jamais morrer de fome: comer o papel da poesia, o papel higiênico, o papel do dinheiro, o papel dos atores, o fígado dos poderosos, o cérebro dos loucos.

O chinelo que calça os pés de uma criança é o maior inimigo d'as baratas, mas elas resistirão ao que a humanidade fizer ao planeta...
12/11/2000