EU CONFESSO: COMETO ERROS
Barata Cichetto
Eu confesso: cometo erros! E podem ser pequenos ou grandes, mas são de fato erros. E se não fosse por eles, não teria feito tanta coisa. Certa ou errada. Os erros advem das tentativas de acertar, ou os acertos das de não errar? A resposta, meu amigo, não está soprando com o vento, mas escondida entre os ponteiros do relogio, atrás das cortinas do tempo. Estou cansado, exausto e inseguro. O tempo me assombra como o vento na madrugada que penetra pelas frestas das portas e janelas com seu uivo de lobo faminto. Sou história, uma história que o vento do passado sopra em meu presente e me empurra para o futuro. Estou atordoado e confuso, como uma canção que tenta se impor ao som da tempestade. Perdido num espaço sem estrelas. Não tenho medo do passado, nem do futuro, meu medo é do agora. É já. E o sussurro do vendo gela meus ossos. Meu coração bate mais rápido e tenho medo que o dia amanheça sem mim. O que será de minha mulher e de minhas gatas? O que será da tristeza que ficará, dormindo com elas em meu lugar? Sou meu próprio pesadelo e custo a dormir por causa disso. Estou muito cansado. Muito! Mas nem assim consigo fechar os ollhos e dormir. Elas dormem e eu, com olhos pregados na escuridão tento. Não tenho medo da morte, porque a morte é o nada e não tenho medo do nada. Nem de nada. Há um nada que nada em direção a mim. Sou um poeta, sem eira nem beira. E se não nada mais a perder, sobra apenas o nada que posso perder. Alucinação na madrugada. As gatas dormem com minha mulher e eu, que não consigo dormir, penso em quanto estou cansado de ingratidão, desrespeito e lutas perdidas. Nada. Nada mais a dizer. Tento me calar. E dormir!
1/1/2014