COISAS LEGAIS E COISAS ILEGAIS
Barata Cichetto
Existem coisas que são legais, outras que são ilegais. O conceito depende do contexto e da mentalidade vigente no momento. Coisas que hoje nos causam repulsa e indignação, em alguma época foram consideradas normais, inevitáveis. Um zoológico humano, onde pessoas "diferentes" eram expostas, fumar em qualquer lugar, a virgindade de ambos os sexos e outras coisas que hoje nos causam estranheza e comentários destemperados. O que já foi considerado moderno um dia hoje pode ser considerado criminoso. Tudo depende de que época estamos falando. A escravidão humana, em determinados momentos foi considerada normal, hoje é criminosa, embora ainda seja praticada de força diferente, disfarçada na mioria das vezes.

Existem conceitos que mudam, e nem sempre ao sabor dos ventos, mas por tempestades de interesses de algumas pessoas, corporações, etc. Basta com que façam as pessoas acreditem que tal coisa agora é considerada ilegal ou imoral, para que tudo o que já foi, mude de lado. Há não muito tempo atrás, fumar em qualquer lugar era considerado normal, ou até charmoso, agora é crime. Há não muito tempo atrás, a ingestão de bebidas alcóolicas era considerado normal, e se esquecia todos os crimes que eram cometidas por causa dela. Hoje ... ainda é... São pesos e medidas diferentes e que nunca são explicados convenientemente. Não interessa, pois no fim, os valores mudam, muito raramente por conta de interesses democráticos, onde a "vontade coletiva se sobrepõe a individual". Eles mudam de acordo com interesses na maioria das vezes financeiros. Ah, sim, qualquer pessoa que pense um pouco chega a essa conclusão. Não sou eu gênio em chegar a ela.

Toda a escala de valores da humanidade já passou por varias mudanças e ao contrário do que a maioria pensa, ela não vem de encontro ao objetivo de tornar a humanidade mais justa e humana, com raras exceções. E se formos perceber, a maioria dessas mudanças na escala, são de fato cosméticas, funcionam apenas para um determinado grupo que delas se aproveita, não importando, dependo do posto que se ocupa, o que diz tal ou tal lei.

Em muitas dessas pseudo mudanças, o que de fato ocorre é uma mudança do lado do ódio, principalmente no que tange ao contexto "racial", que desde ao conceito inicial é equivocado e propositalmente elevado a um patamar extraordinário que não existiria sem a intervenção externa. Equivocado em função de existe apenas uma "raça", a humana. Isso é óbvio, o restante são obliterações causuísticas e interesseiras, adulteração do sentido em proveito próprio de qualquer lado que se sinta no direito a usurpar de seu sentido. Uma brincadeira passa a ser crime, um crime de fato deixa de ser crime, com o interesse de uns poucos sendo definido como padrão e carregado nas costas por uma manada inutil, imbecilizada e burra, que acredita ser pensante. E o pior ignorante, é sempre aquele que pensa que pensa. E infelizmente é que mais tempos dentro das massas que se acreditam "modernas". Não nenhuma modernidade na estupidez. E uma massa de estúpidos é apenas uma massa de estupidos, que no fim, sob o manto sagrado da democracia, acredita excercer o poder. A balela de sempre.

"Liberdade" é um termo perigoso quando mal usado, pois a maioria das pessoas ignora o fator "Responsabilidade" a ele inerente. Todos querem a primeira parte, se acham donos de si, donos de suas vontades absolutas, sem esquecer que do outro lado sempre existe um outro ser humano pensando exatamente do mesmo jeito. Então, acaba-se sempre com o império da força de alguma forma e o fim do conceito básico das relações humanos que diz que "o direito de um termina onde começa o de outro". Podem trocar "direito" por "liberdade" e fiquem com a pergunta na cabeça: o que é "direito" e o que é "liberdade". Liberdade é um direito? Sim, é um direito. E todo direito pressupõe um dever, então voltamos ao mesmo ponto.

Alguém disse que "liberdade não é um direito, mas um dever". Alguém disse, talvez não com essas palavras, mas decerto ela é presente nas bocas de defensores da anarquia, do socialismo e todas as tendências populistas. E sim, a liberdade é um dever, mas como todo dever pressupõe uma responsabilidade, amais uma vez recaímos no mesmo ponto.

A liberdade só existe no campo estritamente pessoal. Apenas nele. Qualquer ato ou ação que envolva direta ou indiretamente a outrem, tem que seguir o respeito a ele, a liberdade do outro. Se não for assim não é liberdade, é ditadura. Basta ampliar esse raciocinio, testando todos os seus limites, para chegarmos a conclusão que de fato a liberdade é uma balela, diante do conceito vendido (caro) pelos defensores ferrenhos, irresponsáveis, que adoram usar palavras de impacto forte, e sempre de definição subjetiva, para conquistar seus quinhões, milhões e grilhões.

Conforme coloquei acima, as mudanças nas graduações da escala de valores, são de fato hipócritas. Ah, sim, eu não usei em outra parte tal termo, mas é o que de fato são. No que essas mudanças colaboraram de fato, na maioria das vezes, para o crescimento da raça (RAÇA) humana? Pergunto, pois se houve um ganho por um lado, por outro houve uma perda substancial naquilo que deveria ser (e é) mais "sagrado" na convivência humana: o RESPEITO.

Aquilo tudo que nos orgulhamos e acreditamos ser vitória são apenas disfarces mal feitos e derrota do ser humano enquanto... Espécie... Valores que de fato deveriam ser RESPEITADOS, são jogados por terra, pois o objetivo é sempre construido em cima de uma escala podre. Em outros termos mais simples: o objetivo é não corresponde a essência humana. Será?

Para estarmos certos disso, precisariamos entender qual é essa essência humana. O bicho homem (bicha mulher, bicho ser humano) não é o que pensa ser: pacífico. Somos brigões, vaidosos e competitivos. Todas as ações humanas são baseadas nisso. E portanto, esse é o nosso maior valor, que nunca é medido em nenhuma escala.

Se quisessemos de fato, evoluir como espécie, teriamos que eliminar esses fatores a nivel genético, limpar esses fatores do DNA humano durante algumas gerações.. E daqui a umas cinquenta chegariamos a ser a espécie que pensamos ser. Antes disso, a humanidade não conseguirá atingir nenhum valor de RESPEITO.

Como podemos ser tão hipócritas em achar que somos um ser coletivo? Como podemos ser tão mentirosos em acreditar que buscar coisas efêmeras com rótulos bonitos como "amor" e "liberdade", nos faz melhores. Não, seres humanos não acreditam de fato nisso, ou pelos não buscam de fato essas coisas. E a partir do momento em que a própria vida humana, não definida por conceitos religiosos, misticos ou efêmeros, mas pela constatação lógica e básica do significa "vida" (cerebro funcionando, sangue correndo, pulsação, etc) é colocada no mesmo patamar que absorve conceito tãos efêmeros como "liberdade", jogando por terra a unica coisa que não poderia, o ser humano retorna a nivel mais rasteiro da escala evolutiva de qualquer espécie.

Reprisando: o ser humano tem liberdade sobre si próprio. E apenas e exclusivamente a si. O que aliás torna a liberdade algo muito menor do que a idéia vendida sob holofotes de mentira. Nunca e jamais sobre outro ser que, dentro ou fora dele, seja outro ser. Em nenhuma circunstância. Uma mulher tem direito a dar a buceta a quem achar que deve, cortar uma perna fora, arrancar o cu e colar na cabeça. E até mesmo dar um tiro no próprio crânio se achar que deve. Mas nunca, jamais, em nenhum tempo e sob nenhum apelo, por nenhum motivo ou circunstância, matar uma criança dentro dela. Colocar isso como "liberdade" sobre o próprio corpo é muito mais que ingênuo e estúpido, é mentiroso e criminoso. Se aceitarmos isso como desculpa, a próxima talvez seja admitirmos que uma mãe tem o direito de matar essa mesma criança se esta lhe causar algum impecilho a tal da liberdade.

Aqueles que defendem tal espécie de crime - não há outra palavra que eu consiga pensar para definir aborto - chegarão com milhões de argumentos, todos requentados por cabeças pseudamente pensantes. Não me importo e não dou ouvidos a nenhum deles, pois nenhum deles irá mudar tal conceito. Absolutamente nenhum, pois todos estarão embasados em valores humanos que não reconheço como válidos. Nenhum argumento que defenda a morte de outra pessoa tem qualquer espécie de legitimidade. São todos baseados em vaidade e competição e conceitos tão absurdos como a defesa de qualquer guerra.

O curioso nisso é perceber pessoas que, apropriadamente condenam Hitler e seus crimes contra a humanidade que foram cometidos em nome de fatores tão ignorantes e criminososos como "pureza racial", "hegemonia da raça", estética germânica, e conceitos similiares, defenderem o crime de aborto sob um manto tão hipócrita? Como podem, então usar argumentos tão próximos para exterminar em campos de concentração particulares uma vida? São melhores em quê, essas pessoas? Ah, sim, o exterminio coletivo é crime, mas o particular não. Juntemos todos os abortos e teremos um numero de mortos muito superior a qualquer guerra. Cada pequeno Hitler praticando seu genocídio, cada pequeno ditador, em nome da liberdade sobre o próprio corpo, trucidando outra vida a qual se arvora em proprietária.

E lembrando que as pessoas que defendem o aborto só o podem fazer porque suas mães não as abortaram, talvez por algum conceito vigente na época, ou talvez apenas e simplesmente, mesmo que tivessem os motivos que essas pessoas defendem cegamente, ainda tivessem por esses serem um apreço.. Talvez mesmo as "amassem" acima da "liberdade".

O ser humano não respeita sua própria espécie. Ele quer sobreviver e pouco se importa com a vida alheia. Que tipo de raça é essa? É, realmente talvez seja o caso de todas as mulheres do planeta abortarem, mesmo. Assim essa espécie, sub-espécie aliás, abreviará seu fim.
31/8/2014