POESIA, O PRETEXTO DA VIDA
Poesia, o Pretexto Da Vida Barata Cichetto
O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei Uma Porrada

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Ontem escrevi meu milésimo poema de merda
Mas como trabalho, dor e talento não se herda
Deletei o tal arquivo do computador do quarto
E me deitei triste como quem sai de um parto.

Poemas não são filhos, e poesia não é criança
São problemas que sequer nos dão esperança
Portanto aborto, sem remorso e nem piedade
Essa arte fútil que é a tragédia da humanidade.

Ontem deletei todas as palavras escritas a esmo
E se não eram poemas, eram pouco do mesmo
E pensei ter ficado sem palavras para poder viver
Pois sem elas não respiro, nem posso sobreviver.

Matei outro poema afogado no tanque da tristeza
Esquecendo que nem só de poesia se faz a beleza
Mas amanhã escrevo meu milésimo primeiro texto
Sabendo que a poesia não é vida, mas seu pretexto.
20/7/2016