DOIS DE JUNHO DE MIL NOVECENTOS E SESSENTA E CINCO
Dois de Junho de Mil Novecentos e Sessenta e Cinco Barata Cichetto
O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei Uma Porrada

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Oras, sou um poeta, mesmo que não o queira
Já fui o rei e também um sem eira nem beira
E mesmo depois de jurar jamais cometer poemas
Penso que a poesia é o menor de meus problemas
E já que se me enseja um evento que me fez trair
Penso que o melhor mesmo é de tudo me abstrair.

Pois que, veja, surge-me o dia que precisa de poesia
Em tantos dias que ela deu lugar a ódio e hipocrisia
Urge-me então que eu permita por falta de um bem
Recorrer à arte que nunca fez a glória de ninguém
E se dela por hora é a quem em desespero recorro
É a poesia desprezada que chega em meu socorro.

Mas penso que poesia não é presente com dignidade
Apenas uma bobagem etérea que desfaz a realidade
E ainda insistindo na minha traição de um juramento
Cometo outro poema tolo em nome do acontecimento
E se tudo vale, digo-lhe em poesia aquilo que me enseja
Que tenhas a felicidade por todo o tempo que a deseja.
2/6/2017