ESSE OBJETO DE DESEJO NADA OBSCURO
Esse Objeto de Desejo Nada Obscuro Barata Cichetto
O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei Uma Porrada

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Ah, não é o desejo um objeto
Sequer obscuro e nada abjeto.

Pois na temeridade do meu desejo intenso
Traço planos tensos e transpiro hipertenso
E dentro da promiscuidade da imperfeição
Busco a intensidade brusca de uma afeição.

Mas não é obscuro meu objeto de desejo
E um filme francês seria apenas o ensejo.

Procuro uma razão, por menor que seja
Que explique aquilo que de mim enseja
Pois sem razão não há desejo, nem pouco
E sem desejo não há razão, nem ao louco.

E não, não é escuro o desejo que tenho
É cristalino no lugar de eu onde venho.

E agora, nas linhas retas do meu caderno
Traço o seu nome, em um circulo eterno
Desenhando com esperma seu rosto lívido
Tentando matar um desejo de gosto vívido.

E portanto, não sejas apenas objeto indireto
De meu desejo direto, mas tolo e incorreto.

Salte então do trem e abrace o meu pescoço
E jante comigo, mesmo que seja no almoço
Pois em meu sangue ainda pulsa o que é vivo
E pelos desejos obscuros que ainda sobrevivo.
4/10/2015