SEREN GOCH: 2332
Barata Cichetto e Amyr Cantusio Jr.
Opera Rock criada em 2014 por Barata Cichetto e Amyr Cantúsio Jr, de forma totalmente independente, com parcos recursos técnicos e nenhum dinheiro externo.Da concepção da obra à elaboração artesanal do material físico, um CD no formato digipack, foi feito por Barata. As composições musicas e efeitos ficaram a cargo de Amyr Cantúsio Jr.
Ficha Técnica
Barata Cichetto Cichetto: Concepção Geral da Obra e Poema
Amyr Cantusio Jr: Synthesizers, Drums, Keyboards and Voices.
Narração: Barata Cichetto
Voz na Introdução: Izabel Giraçol
Produção Musical: Amyr Cantusio Jr.
Direção Geral: Luiz Carlos Cichetto
Capa: Barata Cichetto
Gravado no Home Studio Alpha III, Campinas, SP, em Março/Abril 2014

 

Parte I - Abertura

"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros."

São todos idênticos, esqueçam as suas diferenças
A igualdade é a verdade e a única de suas crenças.
(Parte do Hino da Seren Goch )

Parte II - 2332

E aconteceu em um tempo num passado um tanto remoto
Antes de a Terra ser assolada por um gigantesco terremoto
Em que seres humanos eram idênticos a qualquer ser vivo
E todas as cores eram únicas e todo o pensamento coletivo.

E nesse tempo, todas as pessoas tinham todo conhecimento
Não havia lembranças ou discórdia, só havia o esquecimento
Nenhuma palavra era dita ou ouvida, nem do bem ou do mal
E nos anulados sentimentos nada havia o que não fosse igual.

Parte III - Os Cientistas de Seren Goch

Há tempos acabamos com as guerras pelas diferenças
Deixamos o sangue escorrer apenas por suas crenças
E criamos a ilusão de igualdade entre todas suas castas
Mentindo sobre suas possibilidades ainda serem vastas.

Somos Cientistas de Seren Goch, temos um poder natural
Em fazê-los crer que o verbo não é singular apenas plural
Deixamos que se enxergassem das mesmas cores e formas
Porque assim estariam felizes cumprindo nossas normas.

Refrão:
Guardem as senhas, lembrem o numero do telefone certo
E esqueçam suas histórias, que não as queremos por perto.

Olhem ao seu redor e vejam que todos tem a mesma cor
Assim mantemos longe alegria e outros conceitos de dor
E não há terras de ninguém, nem famílias por que lutar
E se todos são propriedade de todos, ninguém a relutar.

Somos Cientistas e não há uma outra verdade sobre a Terra
E nenhum homem ou mulher com desejo de armar a guerra
E sem pais e nem filhos, ninguém existirá a nos desobedecer
Somos Cientistas e apenas a nós a humanidade irá obedecer.

(Refrão)

Maculamos os desejos transformando todos em apenas um
Falamos em orgasmo total quando não há orgasmo nenhum
E se não falam, é por acreditarem que muito sabem de tudo
E quando muitos sabem muito o verdadeiro sábio fica mudo.

A palavra pensada e não dita é inútil, mas a escrita é perigosa
Portanto, os que escrevem foram punidos de forma rigorosa
E deixar que pensem pensar é a maior descoberta da ciência
Pois assim são mansas cobaias doces para nossa experiência.

(Refrão)

Bombardeamos suas mentes com aquilo que queremos
E os deixamos pensar ser vosso o poder que nós temos
E deixemos que pensem que em silêncio é o seu pensar
Mas é sua quietude aquilo o que pode nos recompensar.

Lhes demos remédios para que curem as próprias doenças
Aniquilamos família, fronteiras e insuflamos as descrenças
As únicas coisas que poderiam afastá-los de nossa ideologia
E por fim lhes demos o falso poder com uma cara tecnologia.

(Refrão)

Parte IV - Surge "EU", o Falador

Um dia surgiu um ser diferente, quanto diferentes todos são
E sua diferença era apenas saber não ser igual a sua condição.

E Eu usava das palavras para falar e sabia usar a escrita
A arte humana que da humanidade tinha sido proscrita
E a palavra lhe era tão fácil, e a palavra lhe era tão comum
Que começaram a ver que Eu era um ser humano incomum.

E Eu via pessoas como de fato, com as cores que elas eram
Brancas, pretas e amarelas, não com cores que lhes deram.

E dizia às pessoas que existiam diferenças entre todas elas
Mas dizia ao vento, pois a verdade não era problema delas
E nem ninguém sabia sua origem e o destino da condição
Apenas que era diferente e essa a única e real contradição.

Todos se olharam e perceberam que Eu não era um Igual
Sem saber que ser diferente não torna ninguém desigual.

E carregaram Eu em triunfo diante do Conselho de Cientistas
Esperando deles que o cobrissem com as glórias dos Artistas
Mas não são diferenças que geram o mal nem geram o bem
E a injustiça que cobre o mundo apenas de vaidades provêm.

Parte V - A Batalha da Palavra

Cientistas:
Há centenas de anos trabalhamos em silêncio seu emudecer
E sabíamos que a palavra é o que os fazia conosco endurecer
Mas agora, ousam entrar no Templo trazendo diante de nós
Um ser diferente e ainda teimam dizer, fala também por vós.

Eu:
Não sou diferente de ninguém que não seja diferente de mim
Apenas entendo as diferenças como um meio e não como fim
E se penso diferente é porque pensamento é um ato solitário
Um gesto individual sem o qual jamais existirá o comunitário.

Cientistas:
Durante séculos criamos os mecanismos de ilusão
A democracia, as drogas e mesmo sexo sem tesão
Liberdade e felicidade são apenas conceitos abstratos
Apenas belas fotos guardadas em seus porta-retratos.

Eu:
Conceitos são pontos de vista individuais, são diferenças
E se eles existem é porque existem diferentes sentenças
O individual é o que trabalha e culmina para o coletivo
Este sim um conceito abstrato e completamente iletivo.

Cientistas:
Criamos a ilusão da igualdade, lhes demos tolices para lutar
Mas de fato são diferentes, coisa que não podemos refutar.

E ao lhes darmos uma mentira a qual chamamos por igualdade
Acabamos por roubar-lhes o real sentido da humana equidade
Pois não existe de fato senão outra apenas a absoluta realidade
Que são diferenças que mantém real o espírito de humanidade.

E não podemos permitir, em nome da nossa própria sobrevivência
Que alguém prove que desigualdade é necessária à sua existência.

Eu:
E qualquer ser humano é e precisa ser um apenas
As diferenças na humanidade existem às centenas.

O progresso humano é baseado em individual revolução
É nas diferenças que está o motor de qualquer evolução
O avanço de um é o avanço de muitos, é a história pura
E não há bem comum sem o individual, a verdade dura.

Coletivo é apenas um meio, nunca o fim ou ponto de partida
E nenhuma sociedade sobreviverá como a unidade repartida.

Parte VI - A Morte do Eu

Cientistas:
Matem-no, que o Eu é um ser demais perigoso
Ele pensa por um, é elemento mal e criminoso!

Iguais:
Nós o mataremos por ser perigoso demais
O Eu é o mal, não pode existir nunca mais.

Cientistas:
Assassinem-no, que é um ser individual pervertido
Ele fala e escreve, pois tem um cérebro invertido!

Iguais:
Morra, maldito Eu, pervertido que pensa desigual
Não precisamos de sua escrita e pensar individual.

Cientistas:
Trucidem-no, arranquem-lhe a língua e as mãos
E assim estarão protegendo a si e a seus irmãos!

Iguais:
Nós somos o coletivo e vence sempre o comum
Trucidaremos o Eu até não sobrar mais nenhum.

Cientistas:
Livrem-se do Eu e façam com requintes de crueldade
Porque a morte do Eu é a sobrevivência da Igualdade.

Iguais:
Estamos livres do Eu, não existe outro diferente vivo
Então viva os Cientistas e viva o ser humano coletivo.

Parte VII - Grand Finale

E vingaram-se do Eu, deixando que morresse a sós
Mas a morte de Eu é a morte solitária de todos nós.
16/11/2018
https://youtu.be/sXfZv8h4P4s