BARATAS ASSIM COMO ELEFANTES NÃO ESQUECEM
Barata Cichetto
Poesia Crônica de Barata Cichetto. Trilha Sonora: Alpha III - "Acron
 

Por enquanto permaneço vivo! À despeito da maioria que não me quer morto, e em respeito à minoria que me quer torto. E por efeito de qualquer um que me queira distante, sou restante. Resto à distância dos que não querem, dos que preferem a companhia de vencedores, de vendedores, e de herdeiros arrogantes, imponentes, prepotentes e impotentes. Estou por enquanto vivo. E vivo não sou procurado, nem morto. E morto não há recompensas por mim. Fiquem com seus olhos claros, seus óleos raros e seus carros caros, suas casas roubadas e seus andadores. Estão todos perdidos. Mas eu, mesmo perdido, ainda permaneço vivo. Para seu desgosto e perdição. Rezem nas cartilhas dos tolos, comam seus bolos, de aniversário, de adversário. Façam a festa, que o enterro já saiu. E não foi o meu. Foi o seu! Continuo vivo para seu desespero, vivo para seu desprezo. Vivo para meus sonhos e morto para suas peçonhas. Seu veneno é fraco, seu desejo impotente, e sua maldição bateu na parede e voltou como um tijolo na sua testa. É o que lhes resta. Quanto a mim, ainda sobrevivo. Daquilo que nunca tive, e, portanto, jamais perderei. Sem nada ter usurpado, sem nada de presente, mas com um futuro que não lhes pertence. Usurparam meu castelo, que foi tão belo de construir. Destruíram. E lhes foi tão fácil destruir. Pois então que morram à míngua, que mordam suas línguas; que rasguei minha certidão de nascimento, publiquei nota de falecimento, e agora faço um poema a cada acontecimento, poesia de cimento. Pesada e dura. E pouco me importa seu telefone e seu endereço, sou Barata, não esquecimento.

01/10/2018
28/11/2018
https://youtu.be/FYu7JUPK_FM