DISCURSO DE ÓCIO
Barata Cichetto
Video Poema de Barata Cichetto, trilha sonora de Amyr Cantusio Jr. (Spectro) Gates of Valephor.
 

Feito qualquer poeta tenho delírios, insanidades; prosas e proezas, glosas e tristezas. Notas de rodapé, prosaica literatura sem pé nem cabeça. No cemitério da ingratidão enterraram meu coração. Agora sou podridão, esqueleto morfético caminhando sobre o asfalto quente de um deserto sem saída. Ainda morro. Morro íngreme, morro de pedra; pedrada, porrada, e um sem número de mortes sem sentido. Tenho sentido muitas dores, e elas tem tantas cores, que nem consigo enxergar. Cerro meus olhos, e dentro de mim enxergo um buraco. Não há mais o que ser feito, meu defeito foi conjugar verbos errados, com efeito encarnados. Sou de ferro, sou de aço. Amoleço, adoeço e não sei se derreto. Escorro. Morro. Sem pensar. Há um sinal riscado no céu, não é um anjo, apenas rastro de um jato. O que é melhor? Dilemas. Faço poemas, sem julgar. Sangue escorre da minha jugular, há vampiros no ar. No portão de ferro da rua tem um cadeado. Trancado. Por fora. E de dentro de mim grita um prisioneiro arrastando correntes. Rangendo dentes. E eu lhe digo: nós dois estamos mortos.

02/01/2019
3/1/2019
https://youtu.be/jNIq7o0BHKc