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SAUDOSO CECÉ, TRÊS ANOS SEM VOCÊ..."
MÁRIO PACHECO
10/6/2003
Brasília - DF, Abril de 2004

Saudoso Cecé, Três Anos Sem Você...


Eu sempre penso em você, debaixo do chuveiro ou no trânsito. Hoje mesmo num daqueles momentos ao volante descendo a Asa, o refrão ressurgiu: "eu vou plantar cenouras na sua cabeça...". Esse verso retirado da música Cenouras do Som Imaginário e repetida por você à exaustão em todos os ambientes, ainda me proporciona boas gargalhadas.

- Cecé o que a letra significa?- Que o cara só tem esterco na cabeça!

Você sempre foi o organizador da aventura, sem a sua participação o show não aconteceria. Então, eu penso que foi preciso esperar por dois anos para você acenar e permitir que o tributo ao seu falecimento acontecesse... E agora no terceiro ano da sua morte, nos conseguimos fazer o primeiro DVD de duas horas, um texto novo e estas fotos sobre a sua pessoa que chegam agora ao público via Internet.

Você sobrevive em todos nós. Meu filho, Virgílio fala em notas musicais diminutas e de pestana. Ele já sola a Asa Branca, passei para o garoto o Toque, o método musical que nas suas mãos por vários anos e nos últimos dias me devolveu...

Generoso, sempre dividiu comigo e o Ricardo os discos que ganhava de outras bandas (Sepultura) e até a sua cópia do Lp Inexistência Abandonada me passou. Acredito que sempre reconheceu que eu guardaria e divulgaria o seu legado, então porque ter medo ou receio de escrever linhas e laudas a seu respeito?
Eu quero/preciso divulgar o quanto e em volume as coisas que você/nós fizemos. Ricardo Lima escreve um livro...

A sua morte deixou um grande vacuo no coração daqueles que tiveram ocasião de admirar de perto quanto valia a sua alma privilegiada. E se faz necessário afastar o tom solene que a morte acomete. Ricardo Lima foi o último elo, no hospital, naquela UTI soturna, ele tocou com a mão na sua testa e ela era quente e febril. Ninguém mais do que ele acreditava na necessidade de um milagre; milagre que nessa vez não ocorreu...

Outro dia, o Carlos Quinau me contou que você caiu no mundo no ano de 1977, pela mãos dele, quando seu vizinho na QE 8 e desde esse dia você virou andarilho, morou no Núcleo Bandeirante, na Asa Norte em Sobradinho, em Valparaíso. Não medíamos distância e nos fins-de-semana estávamos lá no Fruta’s Point, uma barraca na frente do seu apartamento e cruzamos voando aquelas vias...

Eu não peguei o início das coisas. O conheci depois de um show e o convidei para uma festa em maio de 1984, você apareceu com uma garota bonita, acho que seu nome era Sandra, e eu falei, - Que gata! Na inocência dos meus 20 anos você me disse, - Vá lá... Eu estranhei e fiquei nervoso, dizendo, - não é nada disso... Cecé você era assim... Ainda na festa, você sumiu. Eu tinha a fita do show mais recente e a coloquei pra rodar no meio da festa. Depois essa fita e uma cópia foram apagadas. Acho que você apagou propositalmente a minha fita original porque nela pela primeira vez você aparecia cantando e não teria gostado...

Salto no tempo. Nos dias felizes perto do fim, você nunca deixou de bancar o garotão, ligava a guitarra e ficava tocando pro seus filhos, Vital e sua moto ou no meio dos ensaios pegava o violão e tocava Travessia do Eixão do Liga Tripa, eram as duas músicas que você arriscava a cantar. Seu momento de pop-star era quando algum garoto pedia pra autografar uma cópia da coletânea Fóssil do Liberdade Condicional.

Seu negócio era tocar com os dentes e com os elementos e os vegetais e a força da natureza, sua guitarra comandava a nuvem e os raios abria ou fechava o tempo. Quantas vezes ficamos em cima do caminhão esperando a chuva ir ou ficar e correndo o risco de sermos eletrocutados? 3 relógios ajustavam a nossa vida/rotina, e nos finais de semana, a operação era cronometrada! Aos domingos você voltava de táxi do Carrefour cheio de compras. Eu passava no Núcleo Bandeirante e seguíamos para o Guará. No final da manhã, Ricardo descia da Torre de Tv, e tínhamos até às 5 da tarde para fazer o rango, montar a aparelhagem e tocar/filmar/fumar/beber/orar o que tivesse no scripiti. Algumas vezes conversávamos sem grilos sobre a família, sobre grana, aparelhagem. Sem tragédias, imbuídos em fazer as pedras rolarem ou chorarem.

Um grande domingo, foi quando gravamos uma fita de 30 minutos com você e Rockdrigo Terra duelando nas guitarras. Eu e Ricardo Lima, estávamos no backstage e deixamos o gravador ligado... Ricardo Lima voltou e sentou na bateria e pau rolou... Lya Lilith, disse, - Ainda bem que esse som é em chácara. É muito barulhento! Propositalmente para abrandar os egos, eu displicentemente não gravei o lado b da fita. E o Mamute teve a sua melhor encarnação, você e Rockdrigo nas guitarras, Ricardo na bateria e Lya no vocal. Vocês fizeram uma jam mágica de I fell little spaced out (Mutantes), antes você posicionou o microfone e deu um toque para a Lya como ela deveria empostar a voz, nisso você sempre foi um gentleman!

Nossos filhos nasceram e cresceram e muitas vezes você fazia a festa com uma lata de sorvete.

A 28 de março de 2002, prestamos um triibuto a você e até agora foi a última vez que tocamos no caminhão-palco, estavam presentes Lourenço Junior, Célio Soares e Bruno Lobão nos contrabaixos, Ricardo Lima na bateria, nesse tributo havia uma trinca de baixistas e Rockdrigo Terra e Juca alternando na guitarra e Lya Lilith também cantou... Foi uma sonzeira a noite toda, eu e Ricardo Lima sabíamos que aquela era a última vez, pois logo em seguida Ricardo iria para o Sul da Bahia e a magia o encanto se dissiparam depois dessa noite.

No meio desta noite, lá fora nos trilhos de trem, Zezinho Blues ouvia tudo, - porque você não desceu? - Era aquele tipo de música-tributo ao Cecé e eu não quis descer...

Quando no final de 1996, Joelzinho me levou para assistir a primeira jam do Além eu pirei, eu ainda estava naquele esquema de assistir ensaios repetitivos e sempre malhando as mesmas músicas eu achava isso normal. Vocês tocavam uma longa versão do Bolero de Ravel e na hora eu pensei”, - cadê a minha filmadora? Passei os próximos quatro anos filmando e gravando. Registrar em diário era fixação demais e nós não tínhamos tempo. A harmonia invisível da acústica do Além foi uma revolução auricular para quem ouviu. Minha audição e métrica foram alteradas. Sem perder o equilibrio eu estava ouvindo algo novo até então expressão da mente.

O lado grotesco e ingênuo e decantado: ninguém acompanha ninguém 24 horas por dia. Depois de um ensaio, depois do trabalho, ninguém acompanha ou monitora. Você estava fazendo tratamento dentário e nos falou que seu fígado estava “novinho” você até parara de fumar as carteiras de Carlton. Ninguém jamais sem diagnóstico chega e diz, - você vai morrer! É mórbido. Se alguém sabia das suas condições físicas era você mesmo. Na nossa última filmagem, eu só percebi o peso dos anos da estrada e do vício depois que você morreu. Aparece um garrafão de vinho que foi o que precipitou o seu fim terreno... Não foi aquele garrafão o derradeiro mas ele sempre esteve ali. Escrevo isso por conclusão minha. Quantas vezes, tirei copos descartáveis da suas mãos?

Ou briguei com alguém que camufladamente lhe passava um copo de vódica? Em casa, eu nunca tive bebida! Bebo no bar. E assim como Raul Seixas, você só obedecia à sua vontade vocês eram insubmissos, chega ser falta de consideração para o boêmio errante dizer que alguém precipitou o seu futuro.

Cecé, deixei outras estórias malucas íntimas para os outros contarem como é o caso do Zéantônio e do Carlinhos Guimarães e de alguns desconhecidos que falam sobre você nas mesas do Beirute.

Cumplicidade eterna, Mário.

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