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MEU ENCONTRO COM RAUL SEIXAS, MEU LIVRO VIVO
DUDA
16/10/2009
Acho que como a maioria naquela época minha mãe procurava um diagnóstico, tinha que ter uma resposta plausível para uma menina tão pequena entender tudo que os adultos falavam e escrevia coisas tão profundas.

Depois de tantos psicólogos veio o diagnostico de hiperatividade. Eu não queria saber.

Aos dez anos foi me dado um livro do Augusto dos Anjos e tudo em mim era mais intrigante. Eu precisava de alguém que me entendesse
já havia muitas poesias em meu caderno e não parava de procurar respostas.


Cadê esse Deus? O começo da minha adolescência era só medo! Eu não queria falar com ninguém! Eu queria ficar com meus pensamentos! Freqüentava as melhores escolas de são Paulo, nunca concordei com o regime educacional.

Isso me oprimia? Mas ninguém me explicava e só ouvia que era uma criança diferente. Sem muitos rodeios tudo foi caminhando assim.

Tinha um espírito de liderança que atraia muito amigos
Ate que um dia fiquei num mergulho sem volta um amigo me disse que havia uma musica que tinha sido feita para mim.


Ouvi Raul seixas pela primeira vez o nome da musica era eu sou egoísta quando ouvi na musica. Provo sempre o vinagre e o vinho, eu quero é ter tentação no caminho, pois o homem é o exercício que faz.

Eu escrevi no meu caderno. O homem é o exercício que faz a compreensão disso não era total ainda era uma criança, mas não parei de pensar mais naquilo passei três dias ouvindo a musica e decidi saber.

Quem era esse Raul seixas. Ai me encontrei mais uma vez em metamorfose ambulante. Por que tinha que ter aquela velha opinião formada sobre tudo? Por quê? Eu só queria ser eu mesma.


Mas incomodava meus pais. Decidi procurar por discos de Raul seixas estava conversando com alguém cada vez que conhecia outra musica dele! Ouro de tolo marcou minha vida.

Não! Não posso esperar a morte chegar assim quieta sem dizer nada! Quem disse que queria morrer? Quem inventou essa historia? E na musica havia a resposta.

Conversava com as musicas dele então e chegaram os doentes anos 80 estava me encontrando, já não estava mais só, morava no edifício sobradão na rua bela Cintra quando começou a rolar a noticia de que Raul seixas mudaria para lá. Meu Deus tinha que fazer alguma coisa antes dele chegar.


Nessa época já estava me aprofundando em sociedade alternativa! E achava aquilo magnífico, pois se eu quero e você quer então vá.


Nossa mais o livro da lei foi o que eu sempre pensei nada mais era, viva e deixe viver! Não estava sonhando! A única pessoa que me compreendia seria meu vizinho? Precisava fazer alguma coisa.



Só o que me lembrava era que ele havia olhado em minha direção, depois abaixou a cabeça e seguiu. Essa visão me atormentara a noite.

Dia seguinte sempre a mesma coisa. Mas não admitia falta de coragem para nada, lutava com esse antagonismo sempre. O medo e a coragem em quanto Raul falava na minha cabeça durante a aula: coragem, coragem se o que você quer é aquilo que pensa e que faz.


Coragem que eu sei que você pode mais! Exato, podia muito mais. Passei a aula absorta. Chegara a hora de voltar, será? Descia novamente a rua bela Cintra quando deparei com a mesma imagem descendo em rumo à tiete: Raul com sua jaqueta de couro e sua bota, igualzinho ao dia anterior.

Coragem. Vai e grita que você esta certa. Encostei-me ao muro novamente e esperei ele chegar ao seu destino. Bem, vou descer ate La. Com uma coragem de menina em busca da pessoa que mais lhe compreendia.

Pois cantava tudo que sentia, me agarrei àqueles cadernos e desci ate o bar da esquina da rua tiete, me deparando com ele, olhei simplesmente, Raul me olhou e perguntou na maior simplicidade, o que lhe era peculiar você quer autografo? Não? Na verdade nem pensava nisso e me lembrei que ele detestava autógrafo, Num ato abrupto, o primeiro que me veio à cabeça, taquei aqueles cadernos tomados da raiva que sentia deles e joguei os no balcão.


Foi uma resposta simples: _ não só gostaria de conversar com você, e na mesma simplicidade Raul então pediu ao garçom outro copo e agora eu estava lá, frente a frente com Raul Seixas com todas as indagações que me acompanhava.

Olhei-o nos olhos e a primeira pergunta que ele me fez é se conhecia Alceu Valença. Respondi que sim. Desde essa hora já sentia que éramos amigos.

Ele encheu meu copo e me contou à turnê que havia feita com Alceu inteira, puxa ele estava extasiado com a pessoa de Alceu vi que precisava falar.

Fiquei ali ouvindo e isso durou horas. Sei que saímos daquele bar duas horas depois porque ele lembrara que Kika o esperava para almoçar.

Saímos juntos. Raul me olhava como se perguntasse, meu Deus de onde surgiu essa menina? Paramos na direção do meu prédio e ele me deu um adeus meio chateado e perguntou se morava ali. Sempre cabisbaixo.

Disse que sim. Que agora éramos vizinhos. Ele parou. me olhou nos olhos, sei que falou com aquele gesto. Mas só depois saberia que o que queria dizer é que nos veríamos novamente.

No começo não tinha certeza que estava nascendo uma amizade, mas senti que tudo foi como se Raul já havia me conhecido faz tempo. Percebi isso em seus gestos no jeito de falar comigo, parecia que ele sabia que pra mim ele não era nada estranho.


Acompanhei sua ida até a Alameda Franca com o olhar até ele sumir e fiquei mais meia hora mais ou menos meio anestesiada, mas com uma sensação muito boa, como se tivesse conversado com um amigo.

Aquilo pra mim estava valendo muito. Não decididamente era um ser humano. Não devia comentar muito, nem correr atrás dele, pedir autografo ou então pedir pra tirarmos fotos.

Esse dia ouvi tudo que tinha dele e senti o quanto realmente aquelas musicas eram parecidas com a pessoa que conheci.

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