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TRÍADE DA MÚSICA PERFEITA: DEMOCRACIA, DIVERSIDADE E INFORMAÇÃO
DUM DE LUCCA
20/4/2008




Hoje é muito confortável, bacana e inspirador, procurar, ouvir e ver música. Existe diversidade e democracia como nunca houve, uma fronteira infinita, quase como um Star Trek audio-visual. Muita informação. Softwares, sites, Youtube, Myspace, e etecetaras, onde se acha de tudo e se divulga o que se quer. Falando mais especificamente do universo rock, e ai se coloca no caldeirão também a black music e o pop, a cena é absolutamente abundante, sinérgica, excitante e disponível para todos os gostos, formas, cheiros e desejos, mesmo os mais obscuros e baudelarianos. Que começo de século extremamente musical, cheio de opções!! Talvez nunca antes tenham coexistido de forma tão sutil e completa tantas estéticas musicais. Sejam elas acústica, elétrica, etérea, matadora, almatizada, visceral, violenta, gótica, negra, branca, oriental, ou o silêncio, apenas. Na primeira década da nova Era é possível navegar na volátil aldeia global de Marshall McLuhan, escancarada pelas mega corporações, e derreter na individualização extrema do Ipod. Tudo se pode. Em termos de música e informação não existem limites, ao menos vísiveis, por enquanto, acho, já que nada é impossível nesse mix.

Lembro dos anos 1970, quando uma banda lançava um disco (de Vinil!!) novo. Era um alvoroço. Por exemplo - o Black Sabbath Vol. 4. A gente ficava sabendo ou pelas poucas revistas e jornais especializados, a Geração Pop, o Rock História e a Glória, a primeira edição da Rolling Stone nacional, e outras que nem me lembro, ou pelo rádio, essencialmente através do mitológico programa Kaleidoscópio, apresentado de forma chapada pelo Jacques, um dos pioneiros do rádio rock brasileiro. Então, quando ele dizia - “saíram os novos discos do King Crimson, do James Gang ou do Frank Zappa” - eu e meus amigos tinhamos quatro saídas para conseguir o objeto de desejo: comprar o importado no Museu do Disco ou na HI-FI; pedir para alguém que fosse viajar trazer; ir para o aeroporto e pegar o primeiro vôo para Londres ou Nova Iorque ou esperar no mínimo, com boa vontade, seis meses, para o disco sair (quando saia) no Brasil.

Era uma situação totalmente oposta a de hoje, quando o Cd nem foi despejado nas lojas mas já caiu na rede. Ou proclamam – a cada mês - que uma banda nova, que ninguém provavelmente vai se lembrar no ano seguinte, é a salvação do rock. Claro que não é bem assim. Da mesma forma que o mundo era outro nos anos 70, mais calmo e com menos informação, as opções eram bem menores. Hoje é bem melhor, mais saudável. Como é bom ver a Juliette Lewis cantando rock no TIM Festival e detonando na premiação da tediosa MTV. Eu jamais esperaria ver a, sei lá, Raquel Welch, cantando furiosamente com uma roupa de couro e dando mosh nos anos 70. A única coisa que dizem que não resuscita, o que não acredito apesar do Luís Calanca jurar de pés juntos que acabou , é o ritual que havia quando a bolacha inédita chegava na casa de alguém – porque sempre um descolava. Fumar um baseado e ouvir o disco todo e depois sair de motocicleta pela cidade, ou a pé, ou de busão, curtindo aquela sensação inexplicável. Mas a oferta de música era menor, até mesmo porque não existiam rap, música eletrônica (com todas as suas vertentes), e outros gêneros. Chegar a esse ponto G, quando se pode encontrar a qualquer hora a música, a banda, o disco e o vídeo que você quer, no seu Pc, ou mesmo na loja - desde heavy metal até new age- passando pelo indie nacional que está bombando e criando um novo polo de cultura alternativa fantástica, dando as costas ao viciado e obsoleto mainstreain, é inspirador.


E uma das coisas que mais chama atenção, e que deixa ainda mais democrático e diversificado esse panorama, é a volta de muitaaaassssss maravilhosas bandas clássicas, como o The Who, o The Police, Os Mutantes, o magnifico Led Zeppelin e até os impossíveis Sex Pistolls, por exemplo. Tá todo mundo ai, e não importa se é pela grana ou por amor. Afinal, John Lennon disse uma vez que fazia por dinheiro, e isso não é uma lenda do rock. Sem essa babaquice de “pô, tudo velharia!”, porque senão uma tela de Picasso, Dali ou Monet seriam velharias. Arte é atemporal, e boa música sempre é bem vinda. É muito gratificante a sensação de saber que tudo está por ai, que os caras do Zeppelin estão existindo no mesmo mundo do Rakes e do Arctic Monkeys, só para citar dois grupos novos. E, também posso baixar um dowload do Tupac, sempre politizado – não a toa, sua mãe foi ativista do grupo Panteras Negras, nos anos 60/70 – que é um dos maiores rappers de todos os tempos, rapidinho. Esse é o mundo perfeito para um rocker ou um maluco por música. Poder ter no seu Pc desde Aphrodite`s Child até The Fratellis, dois extremos do mundo do rock. O primeiro uma banda grega completamente psicodélica, dos anos 60, e a outra uma novidade tão fulgaz como o Tokyo Police Club, mas nem por isso não são legais e pertinentes. Faz parte do show, da mágia da diversidade e da democracia, do acesso livre/ou não as mídias e seus conteúdos.

Se o mercado e a relação com a música mudaram drásticamente o mesmo se pode afirmar em relação a oferta de shows no Brasil. O primeiro show que me lembro de ter ido foi em 1974, Alice Cooper, na tournê “Billion Dollar Babies”, que foi um evento apocaliptico para a ocasião. Ditadutra militar, pouca informação e uma total necessidade e sede por novidades. O grande pai dos andróginos, no qual o manso Marylin Mason se inspirou declaradamente, deu o start para a grande maratona de shows e festivais que colocaram o país no roteiro das melhores e das mais hypadas bandas do mundo, desde então. Quem me dera ter visto o Led Zeppelin no auge, ou o Marvin Gaye nos anos 70. Em contrapartida, mesmo com um delay de três décadas pude curtir a furia e a atitude da poetisa, compositora e cantora Patty Smith. Desde os primeiros grandes festivais, no começo dos anos 90, como o Hollywood Rock, quando vieram Nirvana, Red Hot Chilli Peppers, Aerosmith, Alice in Chains e tantos outros grupos, até os eventos como TIM, Nokya Trends, Claro Que É Rock, entre vários, até os Festivais Indies Nacionais e os muitos shows de grupos de metal – tanto de bandas novas como jurássicas - muita água rolou. Não foi fácil entrar no circuito.

O cenário nacional roqueiro nos anos 1960/70 com poucas bandas (em relação a hoje) – posso citar Vímana, Chave do Sol, Terço, Som Nosso de Cada Dia, Patrulha do Espaço, Made in Brazil e Mutantes - as três últimas em atividade até hoje, era de total falta de recursos e muita garra. É óbvio que não dá para comparar . Era complicado, caro e trabalhoso gravar, divulgar e tocar em terras tupiniquinis!! A Internet, a informática, e meios como o Youtube, Myspace e outras ferramentas, e a integração e convergência das mídias, fizeram desse passado uma lembrança até bizarra. Gravar e divulgar ficou super acessível para músicos e bandas novas e mesmo as mais veteranas. Sem discutir qualidade, a facilidade de produção de um disco e as formas de divulgação e venda dos Cds gerou um novo mercado. O resultado disso são os Festivais como Calango (de Cuiabá), Demo Sul (de Londrina), Varadouro (de Rio Branco, no Acre), Mada (de Natal), Goiânia Noise (em Goiânia, né bidu?) e Humaita Pra Peixe (do Rio), etc. E até a criação da ABRAFIN, Associação Brasileira de Festivais Independentes, que acaba de conseguir patrocínio da Petrobrás para alguns Festivais. Uma coisa impensável na época dos milicos.

A cada dia uma nova banda, ou uma velha nova banda, aparecem na mídia. Para mim é tudo essencialmente black music misturado com as influências locais. Essa democracia efervescente propiciada pelo acesso fácil a música, aos vídeos, aos dowloads, moldou essa bruxaria contemporânea. É evidente que os estilos são muitos, tem o reggae também, o ska, o trance, deep house, acid rock, que não caberia numa coluna. Mas o interessante é pontuar sobre a incandescente e democratica diversidade musical. E pensar que o embrião disso começou por volta de 1859, no Mississipi, no Texas, na Louisiana, na Geórgia, em todo o sul dos Estados Unidos, região em parte colonizada pela França. Os negros misturaram suas canções africanas com músicas folclóricas francesas e hinos religiosos ingleses católicos, protestantes e luteranos. E fizeram isso porque foram proibidos pelos fazendeiros de cantar seus ritos tribais africanos. Simplesmente deram um belo e classudo balão nos caras. Assim as melodias das plantações, música também identificada como work songs (canções de trabalho), o embrião do Blues, a ponte para o rock, a diversidade de hoje.


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