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JAZZ ROCK, A FUSÃO ENTRE O CÉU E O PARAÍSO.
DUM DE LUCCA
11/11/2008
A partir de meados dos anos 50, a espinha dorsal da evolução do jazz é o Miles Davis Quintet. Além de revolucionar a música criando uma estrutura musical nova, o músico se revelou um dos maiores descobridores de talentos de todos os tempos. Artistas que iriam mudar a história da música ao misturar o jazz ao rock e criarem o jazz rock - John Coltrane, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Quince Jones, Chick Corea, Keith Jarreth, o guitarrista John McLaughilin, Tony Willians, Billy Cobham, Jack Dejohnette, Airto Moreira e muitos outros, saíram do berço de Davis. Foi o saxofonista John Coltrane que introduziu mais peso ao jazz e, junto com Miles Davis, levou a inquietação ao gênero – o que ficou conhecido como free jazz. No fim dos anos 1960 o rock passava por uma transformação – do psicodelismo ao hard – e o jazz começava a realizar suas incursões e fusões com o peso do rock and roll. No início dos anos 1970, a situação do combo jazz era semelhante à das big bands: três correntes principais e várias combinações entre elas: a dos famosos tipicamente jazzistas, como os conjuntos de hard bop; a dos conjuntos de rock que, do ponto de vista jazzístico têm uma importância especial e a do jazz rock, na qual o electric jazz de Miles Davis tem uma importância central.

As bandas de rock dos anos 60 e 70 não existiriam sem o blues negro. Ponto. Grupos como Rolling Stones, Beatles, Deep Purple, Yardbyrds, Led Zeppelin, Manfred Mann, Jefferson Airplane, Frank Zappa and Mothers of Invention, Hot Tuna, The Band, e uma infinidade deles, simplesmente não teriam nascido sem aquela música humana, rebelde e criativa que apareceu no sul e no norte dos EUA no fim do século 19. A grande integração que existe no rock é, na realidade, humana, e exerce direta influência na essência da experiência/música. O Modern Jazz Quartet, por exemplo, um grupo que no jazz atingiu o mais alto e refinado grau de integração e criatividade, no momento que parava de tocar, interrompia, também, o contato com o público. No rock isso nem pensar. No rock, a música é parte de uma grande confraternização e não um acontecimento que rola no palco para ser só visto, passivamente. Essa era a diferença básica entre o jazz e o rock, e que o jazz rock derrubou ao unir os dois gêneros. Esse aspecto humano do rock – que atingiu seu ponto alto nos festivais de Monterey, Woodstock e da ilha de Wight, é tão importante quanto à densidade musical do jazz.

Para se entender o jazz rock como estilo musical, é fundamental voltar aos grupos e músicos percussores de Chicago: Muddy Waters, Howlin Wolf, Buddy Guy, Junior Wells, Freddie King e, acima de todos, B. B. King. Eles foram os pais da grande leva de músicos brancos que, na Inglaterra e nos EUA, tiraram o blues da obscuridade de décadas. Chegou a ser comum, na segunda metade dos anos 60, a apresentação de bandas de rock acompanhando os mestres do blues. Entre os grupos que se orientaram diretamente do blues estão os que se formaram na Inglaterra como Aléxis Korner, Traffic, Grahan Bond Organization e John Mayall, assim como o Cream e, nos EUA, Paul Butterfield Blues Band, Electric Flag, Cannet Heat, Blues Project, Johnny Winter, The Band, Allman Brothers e muitos outros.

A perfeita integração do jazz com o rock, que havia se iniciado nos anos 60, ganhou formato definitivo e maturidade no começo dos anos 70 com músicos e grupos como Miles Davis, Return to Forever, Weather Report, Mahavishnu Orchestra, Billy Cobham, Tony Willians e etecetaras. Outra banda percussora do jazz rock foi a inglesa Soft Machine, ainda que o público e a crítica só tenham se dado conta da explosão do jazz rock com o disco “Bitches Brew”, de Miles Davis, em 1970. Mas, antes mesmo de Bitches Brew, houve também uma série de outros grupos, hoje infelizmente esquecidos, os quais, nessa fase, digamos, pré-fusão jazz rock, desempenharam considerável papel nos anos 60. Brotherhood, Contraband e Fourthway, por exemplo. Com o surgimento e o impacto de “Bitches Brew”, os músicos que dele participaram saíram imediatamente para produções próprias. Wayne Shorter e Joe Zawinul formaram o Weather Report, Chick Corea e Miroslav Vitous formaram o Return to Forever e John Mclauglin formou a Mahavisnu Orchestra. Os bateristas Billy Cobham, Tony Willians e Alphonzo Mouzon uniram-se a guitarristas virtuosos de rock, como Stevie Salas e Tommy Bolin, para ganhar peso. Porém, o grupo que oficializou, popularizou e estabeleceu o jazz rock, a fusion music, foi o Weather Report, em 1971, com o disco “Weather Report”. No ano seguinte o tecladista Chick Corea formou o Return to Forever com o baixista Stanley Clarke, lançando o excelente “Light as a Feather”, que teve também a contribuição do casal brasileiro Flora Purim e Airto Moreira. A partir daí, inúmeras experiências e associações foram sendo realizadas por esses músicos brilhantes e virtuosos, num crescente alucinante.

Um dos pontos altos do jazz rock foi a Mahavishnu Orchestra de John Mclaughilin. Seus álbuns, em especial “Birds of Fire” e “Visions of the Elmerald Beyond”, são pesados e escandalosamente criativos. Ela representa a mais perfeita integração de todos os elementos que se tornaram importantes na verdadeira música atual. Boas composições, peso, solos talentosos, criatividade e, principalmente, uma linguagem inovadora. Três dos cinco integrantes da banda foram Jam Hammer (teclados), Jean Luc Ponty (violinos) e Billy Cobham (bateria), que depois também fariam trabalhos solo significativos dentro do jazz rock. O disco “Spectrum”, de Billy Cobham, é um marco e exemplo do gênero. O grande mérito do jazz rock foi unir a intensidade e a comunhão do rock com a preciosidade musical do jazz, num ritmo e música alucinantes, e absolutamente instigante e reflexiva. Uma música inteligente e extremamente criativa. Nova, visceral e pulsante.

Hoje o panorama da música mudou e o jazz rock, a fusion, transita num espaço restrito e até underground. É claro que, especialmente na Europa e no Japão, as bandas tocam, a mídia existe e a produção cria. Músicos como Steve Morse (Deep Purple), Jeff Beck, Scott Henderson, Joe Satriani, John Scofield Trio, The Scohorns, Will Calhoun's Native Land Experience, James "Blood" Ulmer Memphis, Eric Johnson, Marcus Miller, entre outros, vem desenvolvendo trabalhos criativos de fusion de acordo com o que preconizou o mestre Miles Davis. Porrada e intensidade, mas com classe e talento. Outras bandas, como Morphine, Baster, Sensitivity Jazz Emotional, trabalham numa linha a La John Coltrane, unindo os experimentos de viagens psicosensitivas ao jazz experimental. Saber, ou imaginar, quem sabe intuir, onde esse gênero pode chegar, é pura especulação. Contudo, em um mundo cheio de contradições, e de produções nada sinceras e pautadas pelo mercado, um caminho palpável e inevitável é o jazz eletrônico. O break beat com toques de funk e soul, que está bombando em Londres. Exemplo: break beat com sampler de Jimi Hendrix. Ou, quem sabe o eletro rock.

Existe uma tendência hoje de muitos jazzístas reinterpretarem hits - o que no jazz são os standards - do rock. É uma situação muito legal, porque a música verdadeira não conhece gênero nem fronteiras e rótulos. Só qualidade e criatividade (claro que 90% do indie está fora disso). Brad Mehldau, por exemplo, vem tocando rock direto: Beatles, Radiohead, Oasis, Nick Drake, Paul Simon e outras coisas. E o melhor, cada vez melhor! O jazz vem dissolvendo o rock e mostrando como o gênero ainda tem muito que ensinar. Sem essa de comparar e achar que um é melhor do que o outro, mas ele anda chacoalhando o rock. Para muitos, pode representar uma traição do gênero. Porém, é quase uma alteração alquímica. Como a lei de Hermes Trimegisto – tudo o que está encima está em baixo. Ou seja, tudo que está no jazz está no rock.


"É verdadeiro, sem falsidade, certo e muito verdadeiro
(A verdade nos três mundos)
II - "que àquilo que está em cima é igual àquilo que está embaixo
(Lei da polaridade, da imantação).
e que àquilo que está embaixo é igual àquilo que está em cima,
(Lei da analogia, lei dos sinais de apoio).
para realizar os milagres de uma única coisa.
(Lei do Ternário e de série, lei das correspondências)
III - "E da mesma forma que todas as coisas foram e vieram do Um,
(Lei da unidade e da criação divinas, lei do Número)
assim todas as coisas nasceram desta coisa única por simples ato de adaptação.





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