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O QUE É UMA CRÔNICA?
VIEGAS FERNANDES DA COSTA
19/7/2002
O Cichetto, que também atende pelo codinome Barata-Mor, sugeriu, eu relutei, então pediu, eu questionei, por fim ordenou, eu acatei. Afinal, sou cucaracha nova no pedaço! Mas já vou avisando, não escrevo sozinho não! Chamei o Ernesto, que além de grandão é entendido nestes assuntos de literatura.

Mas... enfim! Barata-Mor me pede para explicar o que é a crônica, defini-la, esmiuçar o conceito. "Diz aí pro cara que crônica lembra cronos" - sugere o Ernestão. Boa! Cronos, o Deus grego que devorava seus filhos a fim de que nenhum deles pudesse usurpar seu trono. Claro que Zeus escapou, mas também foi só ele, nós, que do Olimpo estamos muito distantes, continuamos tentando, até enganamos um pouco, mas no fim Cronos sempre vence! Cabe-nos então, como consolo, eternizar alguns momentos desta vida através da palavra, e se o médico clinica, eu cronico, ou seja, escrevo das coisas do tempo, do meu tempo. Gostou Ernesto? Cronicar, êta palavra bonita, resta saber se existe!

O Ernesto explica que normalmente a crônica é um texto curto, mas lembra que neste momento algum monge pode estar nos lendo, e por isso completa: "há exceções". Sim, o crônicon, por exemplo, que era como se chamavam as volumosas crônicas medievais. Gostou ô monge? 

Exceções à parte, a crônica moderna nasceu nas redações dos jornais, carregando consigo o ambiente tumultuado e dinâmico de um jornal. É quase uma fotografia, um flash, a realidade percebida pela objetiva do cronista e por ele transformada em texto, transformando-a em prosa do cotidiano, do circunstancial ou, até mesmo, daquilo que parece banal - "Apenas parece", ressalta Ernesto. E por ser dinâmica permite um contato direto com o leitor, com o qual dialoga. Daí a sua popularidade.

Assumindo agora um ar professoral, Ernestão, a fim de me deixar em bons lençóis com "Mister Baratão", manda acrescentar que o primeiro documento oficial escrito sobre o Brasil, a Carta de Caminha, não deixa de ser uma crônica. Afinal, se cabe à crônica registrar o circunstancial, há algo mais circunstancial do que o espanto de Caminha quando, sobre a nudez das nativas, escreve: "e suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha"? Só faltou escrever onde meteu ele suas vergonhas, mas basta darmos um olhada para nós mesmos e teremos a resposta. 

Caminha fez escola, e hoje a crônica assume estatuto de estilo literário. É claro que há sempre uns literatos aí que insistem em dizer que ela é gênero menor e outras bobagens desse tipo, mas Ernesto diz que é tudo balela, coisa para não se dar importância. O que vale mesmo é que os cronistas estão aí, e não poucas vezes criam textos antológicos, como é o caso da crônica "Urupês", onde Monteiro Lobato dá vida ao personagem Jeca Tatu, caipira esquecido pelo governo mas lembrado pelas verminoses, metáfora do brasileiro que habitava o interior paulista nos tempos do café. E não foi só Lobato não! Só para humilhar, Ernesto cita ainda Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Stanislaw Ponte Preta, Luis Fernando Veríssimo além de muitos outros, que só não coloco aqui porque o espaço está acabando.

Bem, é isso! Ernesto está atrasado, tem compromissos, eu também, e como acreditamos que a cucaracha madre superior deve estar satisfeita com nossa diligência, vamos nos despedindo, antes que este texto venha a se transforma no tal crônicon que tanta satisfação trazia aos monges.

Blumenau, 19 de julho de 2002
Viegas Fernandes da Costa 

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