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MÚSICA COM ATITUDE
VLADIMIR CUNHA
1/6/2000
O Asian Dub Foundation é mais do que uma simples banda pop. Misturando techno, punk, noise, drum'n'bass, música tradicional indiana, reggae e uma infinidade de outros estilos musicais o ADF atualmente é responsável por um dos trabalhos mais criativos e excitantes da cena musical inglesa. Numa época em que o rock da terra da Rainha vive de bandas sem criatividade, muita pose e pouco som Asian Dub Foundation :que o digam Oasis, Manic Street Preachers, Suede e outras excrescências Asian Dub Foundation :a saudável ousadia do Asian Dub Foundation é mais do que bem-vinda. Isso sem falar de sua postura política, que prova que a música pode ser usada para fins bem mais úteis do que servir de trilha sonora para propaganda de refrigerante. Em seu novo disco, o excelente "Community Music", a banda continua defendendo com a mesma paixão as causas que a tornaram um referencial em termos de ativismo político/musical, como o combate ao racismo e a busca pela paz através do respeito pelo próximo.

Vladimir Cunha: O Asian Dub Foundation não é reggae, não é punk, não é tecno e sim uma mistura de vários estilos, inclusive a música oriental. De onde vem o som de vocês? Quais as suas influências musicais?
Asian Dub Foundation :A nossa música é consequência da formação musical e da experiência que tivemos em bandas anteriores ao Asian Dub Foundation. Já tocamos em bandas de reggae, pós-punk, jazz experimental, banghra e em projetos que envolviam jungle, drum'n'bass e dub. Foi isso que fez da nossa música o que ela é hoje em dia. Nós não sentamos e dissemos: "vamos criar um estilo musical novo". Apenas queríamos fazer um tipo de som que fosse ao mesmo tempo inovador e acessível para a maioria das pessoas. A nossa música é também um reflexo das diferentes comunidades étnicas que existem na Inglaterra. E, claro, somos inspirados também pelo que ouvimos em nosso dia-a-dia e pelas coisas que ouvíamos em casa quando eramos crianças, principalmente a música asiática tradicional. As pessoas acham que a música asiática se resume a alguns samplers "exóticos". Mas não, ela é muito mais complexa do que isso. Tanto que boa parte das melodias de baixo e guitarra que usamos no ADF vêm da influência que temos da música indiana.

Vladimir Cunha: No disco novo vocês reeditaram o remix do ADF para "Tadeen", do Nusrat Fateh Ali Khan (N.E: cantor paquistanês morto há dois anos vítima de pneumonia). Qual a importância de sua música para o Asian Dub Foundation?
Asian Dub Foundation :Nusrat é uma grande influência. Ele é importante por várias razões. Todos na banda amam a música qawalli e, sem dúvida nenhuma, boa parte das pessoas de origem asiática também. Ele foi o melhor cantor de música qawalli que já existiu. Ao mesmo tempo que fazia a música tradicional fez fusões do estilo com o pop que, muitas vezes, se tornaram polêmicas. Nusrat nunca teve medo de experimentar e colaborar com músicos que tinham estilos e formações diferentes da dele. Além disso, ele fez com que todas uma geração de jovens de origem asiática passasse a gostar e a respeitar suas tradições culturais e musicais e sentir orgulho disso. Ao mesmo tempo, nos ensinou a olhar para frente e a não ficarmos presos somente à tradição. Ele era tão poderoso que sua música conseguia unir pessoas das mais diferentes origens. Hindus, muçulmanos, sikhs e ocidentais, todos amam a música de Nusrat Fateh Ali Khan.

Vladimir Cunha: Já que estamos falando sobre atitude, o ADF é uma banda extremamente engajada politicamente. Em suas canções vocês falam sobre os sem-terra da região de Naxalite e da prisão de Satpal Ram (N.R: imigrante asiático que atualmente está cumprindo pena por haver matado, em legítima defesa, um skinhead inglês), entre outros temas. Na sua opinião é possível misturar música e política? Vocês acham que o artista pode fazer mais do que apenas divertir as pessoas?
Asian Dub Foundation :Além da música, a gente tem uma série de projetos em Londres num lugar chamado Community Music, onde Dr.Das realiza oficinas sobre música e tecnologia. Recentemente, Chandrasonic também passou a integrar esse projeto. O nosso DJ, Pandit G, é um ativo militante das causas que envolvem direitos civis e combate ao racismo. Então, como você pode ver, essa atitude que você chamada de "política" faz parte do Asian Dub Foundation desde os seus primórdios. Para a gente é natural ter esse tipo de preocupação. Tudo o que a gente vivencia em nosso dia-a-dia acaba sendo transportado para as nossas letras ou nos incentiva a abraçar certas causas ou movimentos sociais. Música e política sempre se misturaram, não necessariamente no sentido partidário mas em termos de fazer as pessoas refletirem sobre os problemas sociais, às vezes até impelindo-as a tentar buscar soluções para esses problemas. Nos preferimos usar a palavra "consciente" do que a palavra "político". Veja só: Bob Marley, Bob Dylan, Curtis Mayfield, Gil Scott Heron, Public Enemy, Linton Kwesi Johnson, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Soulfly, The Clash, Mutabaruka, The Isley Brothers, Sepultura, Woody Guthrie, Nina Simone, Bad Brains, The Beatnigs, Rage Against The Machine, The Last Poets, Black Uhuru, Paul Robeson, The Specials, Manu Chau...a lista das pessoas que fazem isso é imensa. Nós não somos os únicos. Quanto ao Satpal Ram, nos envolvemos no movimento pela sua libertação porque existem dezenas de imigrantes negros e asiáticos que são atacados todos os meses por grupos racistas sem que ninguém faça nada a respeito. Então, quando alguém é mandado para cadeia apenas porque estava se defendendo é hora de fazer alguma coisa. Até porque é algo que pode acontecer a qualquer um de nós. É algo real, que acontece todos os dias na Inglaterra. Caso queira, o artista pode usar sua fama para atrair atenção para as questões sociais e conseguir que as pessoas passem a discutir esse tipo de assunto, o que é um pré-requisito para que elas tomem alguma atitude. As pessoas nos dizem que estavam um pouco cansadas da música na Inglaterra ter se tornado apenas uma forma de diversão e que se sentem felizes de ver uma banda falando sobre questões sociais, racismo e esse tipo de coisa. Não é que o nosso público seja atraído apenas pela mensagem. Temos consciência de que o que chama a atenção é realmente a loucura e a energia do nosso som mas, de uma maneira geral, percebemos que boa parte das pessoas realmente pára e presta atenção em nossas letras. Uma prova disso são as mensagens que recebemos todos os dias em nosso site na Internet (www.adf.com).

Vladimir Cunha: A Inglaterra tem uma tradição em movimentos racistas e intolerância racial. Sendo filhos de imigrantes asiáticos, como vocês encaram isso? Algum de vocês já foi discriminado ou sofreu algum tipo de agressão?
Asian Dub Foundation : O racismo aqui na Inglaterra não é apenas verbal ou físico e sim parte de um sistema que colabora para que ele exista e que não nos permite ter a noção exata do quanto ele pode nos afetar. Claro que, sendo de descendência asiática, nós sofremos com o racismo e continuamos sofrendo. A diferença é que, atualmente, o racismo ocorre mais no sentido de negar oportunidades do que na discriminação propriamente dita. É difícil dizer se um dia isso vai acabar mas nós continuamos lutando para mudar essa situação.

Vladimir Cunha: Alguns meses atrás eu vi o ADF tocando em um festival em benefício da Anistia Internacional. Vocês costumam participar ativamente desse tipo de organização ou apenas colaboram com elas em nível musical, tocando em festival a ajudando a arrecadar dinheiro?
Asian Dub Foundation :Ajudamos e participamos de campanhas como essa pela libertação de Satpal Ram, um homem que foi condenado injustamente por se defender em um ataque racista, e a “Keep It Real” (veja nosso site para obter maiores informações). No entanto, não temos nenhum tipo de ligação com nenhuma organização política em particular e nem estamos interessados nesse tipo de coisa.

Vladimir Cunha: Falando nisso, qual a sua opinião a respeito da condenação de Mumia Abu Jammal?
Asian Dub Foundation : Nos Estados Unidos, como em qualquer lugar do mundo, a democracia é algo que existe apenas na teoria ou em um pedaço de papel. Mummia foi incrimado e preso por sua luta constante contra os abusos raciais naquele país, muito dos quais perpetrados pelo próprio governo norte-americano. O fato é que o governo não tolera críticas ou pessoas que lutam pelos seus direitos e que procuram mostrar as coisas como elas são. Daí eles terem incrimado Mummia Abu Jammal.

Vladimir Cunha: Aqui no Brasil os fãs do ADF são muito diferentes entre si e incluem góticos, skatistas, clubbers, punks…enfim, uma variedade muito grande de pessoas e estilos. O que você acha que o ADF tem de tão especial assim para conseguir atingir tanta gente diferente?
Asian Dub Foundation : Acho que é porque essas pessoas se identificam com certos elementos que compoem o som do Asian Dub Foundation. Os clubbers, por exemplo, gostam das batidas dançantes. Já os punks gostam das guitarras distorcidas, do barulho e a da energia de nossas músicas. O mais legal de tudo é que, devido ao fato de agregarmos todo o tipo de influências ao nosso som, as pessoas acabam tomando contato com outros tipos de música através dele, estilos musicias que eles normalmente não ouviriam. É o que chamamos de “A Comunidade do Som”.

Vladimir Cunha: E qual a sua opinião a respeito dessa história de que o techno é o futuro da música?
Asian Dub Foundation : Nós não fazemos distinção entre computadores e instrumentos tradicionais. Para gente, se der para tirar um som está tudo bem. É por isso que no ADF usamos tanto instrumentos convencionais, como baixo e guitarra, quanto computadores e samplers. Todos os instrumentos podem ser o futuro da música, depende de como você os utilizar.

Vladimir Cunha: Alguma mensagem final para os fãs brasileiros?
Asian Dub Foundation : Obrigado pelo apoio e pelas mensagens que vocês têm mandado para nós através do nosso website. Esperamos sinceramente poder tocar aí ainda este ano. Paz e respeito

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