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EDU VIOLA
ANDRÉ MAINARDI
12/3/2007
Eu os vejo rindo, rindo, rindo...
Salve Baratas!!!Essa semana ficarei devendo a matéria do Apokalypsis e do Aard Vark devido algumas probleminhas...mas preparei essa matéria especial com esse figuraça que é o Edu Viola. Creio que vocês vão gostar!


Você já ouviu falar de Edu Viola? Se nunca ouviu falar provavelmente escutou alguma de suas músicas cantada por aí ou na trilha de algum filme ou ainda em uma peça de teatro, talvez você conheça os músicos com os quais ele já trabalhou. Enfim! Os mais de trinta e cinco anos de carreira deste cantor, compositor, luthier e liutáio, (inventor de instrumentos musicais) e descendente de índios cariri, se confundem com a história do underground e da vida cultural paulistana. Vale lembrar que compilar, catalogar e levar ao conhecimento de um grande público todo seu acervo seria um desafio homérico até mesmo para pesquisadores experimentados.

Eduardo Rodrigues de Oliveira e Silva é de origem humilde, o pai era artesão e a mãe, uma mulher que adorava cantar que foi amiga de Mario de Andrade, cantou para Villa-Lobos e deu aulas para Milton Nascimento. “Quando eu era menino minha mãe me escolheu pra ser cantor”, conta Edu, explicando que era assim que mestre Mozart recomendava que se fizesse, o aprendiz deveria ser escolhido quanto mais jovem melhor. A falta de especialização com algum instrumento fez com que ele se lançasse no ofício de liutáio. “São meras ferramentas. Ser cantor me tirou o medo dos instrumentos.”

Além de exercer esse curioso ofício de inventar e construir instrumentos ele é autor e diretor musical, compõe para cinema e tv. Transita pelo meio musical e o teatral, tendo trabalhado com os maestros Paulo Herculano e Jamil Malufi; diretores como Ademar Guerra, Silney Siqueira e Bibi Ferreira; atores como Sônia Braga, Lima Duarte, Paulo Autran e Tonia Carrero e músicos como Milton Nascimento, Hermeto Pascoal e Renato Russo.Gravou dezenas de compactos e LPs, conheceu os tropicalistas, se apaixonou pela guitarra elétrica. Lutou contra ditadura enquanto cursava arquitetura na USP, participou da famosa adaptação brasileira do musical Hair, flertou com os roqueiros por influência de Zé Brasil (músico, compositor e baterista do Apokalypsis) e, ainda nos “anos de chumbo”, tocou no lendário Alpha Centauri com mestre Dinho Gonçalves, um dos grandes nomes da percussão brasileira. Em 1980 lança seu LP em Brasília “O Direito ao Avesso” no teatro Galpão. De 1980 a 1985, ainda em Brasília, trabalha como autor e diretor em vários espetáculos com elenco da cidade: “A Hora e a Vez do Jumento” de Orlando Tejo; “Os Interesses Criados”, de Jacinto Beneventti, “Uma Tragédia Atual” de Peterson Diesel e outras duas do mesmo autor: “O Último Rango” e o “Pau do Homem”. Regressa a São Paulo em 1986, dirige o musical “Os Últimos Dias de Robson Crusué” de Jerome Savari. Funda então, com o maestro Tadeu Passarelli,o grupo Toda Opera, em parceria com a arquiteta e artista plástica Lourdes Calheiros, oficina permanente de construção de instrumentos musicais e instrumentalização para o teatro, promovendo um fórum de debates sobre a língua nacional cantada, originando vários espetáculos e congregando elencos variados:”Bandeira em Pessoa” com Mário nos lábios, ópera “Café” e “Meu Tiête”de Mario de Andrade. Do encontro em 2000 com o poeta Rodolfo de Souza Dantas nasce a oficina Orquestra Mário de Andrade, encontro entre música, poesia e artes plásticas, com dança, em busca da cidadania.

Atualmente Edu vive com sua esposa, a irlandesa Maureen e com sua parceira artística Lou Callheiros em uma centenária casa em Vila Mariana onde sempre morou e trabalhou; palco de inúmeras farras, ensaios e gravações musicais transformados hoje na Fundação Cultural “Constança Guedes”, em homenagem a sua mãe. Ele ainda continua tocando, compondo músicas e trilhas sonoras, se dedicando a invenção, conserto e restauração de relíquias como a coleção de violas e flautas de Mario de Andrade e afins.

*Uma noitada na casa do Edu Viola:

(obs.) Este texto fala das três, (ou quatro), oportunidades que tive de visitar a casa de Edu Viola. Resolvi compilar todas essas experiências curiosas que observei num só texto redigido de acordo com as técnicas de Jornalismo Gonzo de Hunter S. Thompson.

Eram mais ou menos onze horas de uma fria noite de sábado. Rodávamos calmamente pelas já desertas ruas de Vila Mariana. No volante Zé, com seu característico sorriso malicioso no rosto, dissertava a cerca da figura de velho amigo o qual estávamos ansiosos por conhecer. “Hoje vocês estarão entrando em contato com o que havia de mais underground na São Paulo dos anos setenta”.Entramos numa travessa qualquer da rua Tutóia, próximo às instalações do antigo D.O.P.S. e estacionamos na frente de uma simpática casinha de porta, janelas e portões caiados de verde cercada de um pequeno jardim à entrada. “É aqui!” Anunciava Zé enquanto a tão mencionada figura vinha ao nosso encontro acompanhado de um jovem e de uma mulher. Era um homem que aparentava quase sessenta anos, rosto duro, moreno, marcado e caprino contornado por barbas e cabelos longos e agrisalhados.Usava óculos e nos cumprimentou timidamente pondo à mostra seus dentes amarelados por longos anos de militância tabagista. Trazia uma viola caipira às costas e nos convidou a entrar juntamente com seus dois asseclas. A porta abriu-se como que por encanto, adentramos uma pequena sala adornada de candelabros, velhas estantes abarrotadas de imagens de santos, adereços e amuletos indígenas e toda a sorte de instrumentos musicais. Velhas violas e rabecas, cor de moldura de quadros antigos, guitarras elétricas, berimbaus e flautas de todos os tipos e tamanhos empilhados à entrada e por toda sala em estrados e móveis de anamórfica irregularidade. Do lado esquerdo, passando por um pequeno pórtico, tínhamos o corredor com dois cômodos à direita, provavelmente uma oficina e um quarto de dormir e um banheirinho o qual, por alguma misteriosa razão, fomos admoestados a “não trancar por dentro” ao usar. Tal corredor nos levava à vetusta cozinha semelhante a uma verdadeira tenda indígena. Uma grande mesa de madeira ao centro e cada vez mais objetos antigos e instrumentos musicais ímpares entulhados em uma confusão de cores e poeira temperadas com um forte olor de pimenta, incenso indiano, café torrado e o adocicado aroma que indicava o uso recente de la yierba buena.

Nosso anfitrião nos jogava às mãos tutti quanti e ia contando a história de cada um daqueles cacarecos. — coisas curiosas como revistas dos anos vinte, baionetas e capacetes da datados da Revolução Constitucionalista, flâmulas da Força Expedicionária e instrumentos de sua própria invenção como a fantástica “Violétrica”, uma espécie de guitarra elétrica com um braço de viola caipira adaptado, que ele utilizava nos tempos do Alpha Centauri. Café passado, Let’s roll another joint! Começava a noitada na casa do Edu Viola...

...Cabeças feitas a rolar na névoa das intensas fumigações, um maço de folhas secas pendia mumificado, da abóbada do recinto, oscilando levemente à brisa da noite, ao fosco clarão de uma só lamparina elétrica, ou de muitas — ou de nenhuma. Ao centro diante da mesa Edu, na presença de nós roqueiros, atacava seus velhos rocks dedilhando com um cão danado, um violão Del Vecchio dos anos quarenta e balbuciando sem cessar, como um rabino velho a murmurar blasfemamente os setenta e dois nomes de Deus. Melodias em harmonias modais, causos sobre espíritos antigos, guerreiros atemporais marchando para fora do plano astral invadindo nossas trompas de eustáquio! Êita que baita fumacê! Puta que os pariu!

- Zé! Acho que estão roubando nosso carro! — Alarme falso e brusca aterrissagem. Até hoje não sei ao certo o que se passou naquela noite. Será que foi o café?

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