(11) 96358-9727

 

1958 1990 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

 

JUKEBOX

Dum De Lucca
Jukebox

Jukebox

Luiz Carlos "Barata" Cichetto, ou Como Produzir Arte Underground Com Qualidade e na Raça

A primeira vez que encontrei o chapa, poeta, escritor e editor Luiz Carlos “Barata” Cichetto foi em uma tarde na loja Medusa, na Galeria do Rock, em São Paulo, em 1998. Me pareceu um cara ousado, de ideias e sonhos que apenas com muita luta e suor poderiam dar certo. Conversamos e comecei a enviar alguns textos para seu site, “A Barata”. Hoje digo sem medo de errar, que ele atingiu o que muitos querem e poucos conseguem. Produzir através de um método REALMENTE independente – sem necessitar de verbas públicas mas com muito trabalho – e de forma artesanal, uma gama de itens culturais substanciais e de qualidade tanto artística como de acabamento (livros, CDs e revistas), reunindo um time de colaboradores, escritores e ilustradores de peso que acreditam em suas propostas e ideias, as vezes um tanto “loucas”. Enfim, assumiu um papel único e essencial na forma de raciocinar, fazer e distribuir arte no país. E o mais importante, ser respeitado pelo enorme peso da sua produção cultural, e óbvio, pela sua gana e vontade em FAZER. Sem muito mais a dizer, a melhor coisa é deixar o criador de sonhos reais falar. Como diz a jornalista Célia Coev, ele é uma “lenda” urbana!

- Quando o conheci você tinha o site A Barata, e isso foi em 1998, o que mudou na sua vida após isso??
- O site “A Barata” foi de fato criado em 1997, ainda no início da operação comercial da Internet no Brasil. Ainda não tinha esse nome e era um projeto pessoal. A partir de 99 criei o nome e o perfil mudou, agregando-se conteúdo de Rock, com a colaboração de outros autores. Fui pioneiro nesse lance de dar espaço a bandas, com a criação de páginas próprias, com endereço fixo, bem antes do advento do My Space. Em 2002, com a enxurrada de sites de Rock que apareceram, mudei o foco, agregando literatura, quando publiquei centenas de autores, a maior parte inéditos. Os blogs ainda eram pouco conhecidos e os acessos ao site explodiam, chegando a média dia de mais de 1.000. A partir da explosão das redes sociais, em 2005, o interesse por sites foi diminuindo com as pessoas preferindo publicar em blogues e Orkut, Facebook, etc. Isso fez com que a partir de 2009 eu decidisse voltar “às origens”, com um site pessoal, um portfólio meu. O site existe até agora.

- De fato muita coisa mudou. Quando descobri a Internet, em 1995, vi nela uma ferramenta fantástica que seria um “aperfeiçoamento” do mimeógrafo. As possibilidades de divulgação artísticas e culturais eram imensas. E foi assim durante um certo tempo. Mas depois com as grandes empresas percebendo o potencial comercial esse valor se modificou e, como sempre, perdemos. Se no começo acreditava nessa ferramenta como algo revolucionário, passei a fazer o caminho inverso nos últimos cinco anos, passando a me voltar às publicações impressas, e usando a Internet apenas como forma de divulgação.
- A nível pessoal, as mudanças nesses dezesseis anos foram substanciais: três casamentos, acompanhados de um crescimento artístico impar e o fato de encarar com mais seriedade a questão literária. Hoje tenho a coragem de colocar “Escritor”, ou melhor, “Artesão de Livros” quando tenho que preencher um documento.

- Fale de seu trabalho como editor. Quais as dificuldades e emoções em tocar uma editora alternativa, underground e bem sucedida, levando-se em conta o grande número de projetos executados?
- Primeiramente, detesto esse termo “editor”, pois infelizmente sempre vem relacionado a um simples comerciante que visa o lucro acima de tudo. E também porque não me considero um, por não ter nenhuma estrutura comercial ou administrativa. Trabalho sozinho e todo o processo é artesanal. A ideia surgiu no inicio de 2010, quando estava com Amyr Cantusio Jr. produzindo a Opera “Rock Vitoria”. O “libreto” tinha que fazer parte do produto e sabia que jamais conseguiria uma editora. Fiz testes de impressão e encadernação manual, comprei uma impressora laser usada e a coisa saiu. De lá para cá, em pouco mais de 4 anos, foram mais de 60 títulos, sendo 16 meus.

- As dificuldades são sempre aqueles inerentes à falta de dinheiro para investimento de várias formas, como equipamentos e comercialização de títulos. As tiragens são sempre bem pequenas, em função disso.
- Agora, as emoções são indescritíveis. O fato de pegar um texto de um autor, revisar, diagramar, imprimir o “boneco”, criar a capa, montar tudo, encadernar, etc., dá uma sensação maravilhosa. A cada livro pronto é um orgasmo, mesmo. As vezes olho para a pilha de livros impressos e me dá vontade de não mandar pro autor, guardar comigo… rs

- Como é o processo de execução e distribuição da editora?
- O processo de execução é puramente artesanal. Depois de uma revisão, o conteúdo do livro é diagramado e impresso a laser. Juntados os cadernos, esses são costurados, da forma manual, com agulha e linha mesmo e depois colados. Quando é um livro de capa dura, antes da colocação dela, o miolo é refilado. Este é o único ponto em que uso máquinas, pois para um acabamento perfeito o livro é refilado em guilhotina industrial, feito em gráfica.
Agora, o processo de distribuição cabe a cada autor, pois o meu trabalho é com relação a execução do livro físico e é on demand. Ou seja, o autor pode pedir de 10 a 200 livros de acordo com sua disposição financeira ou qualquer outra. Os livros de minha autoria, vendo pela Internet ou, numa volta aos tempos do mimeógrafo, em shows, teatros, etc.

- Qual sua relação com a música e a poesia, como elas se relacionam?
São duas necessidades fundamentais, então eu as relaciono intimamente. Não sou musico por falta de paciência e empenho em aprender a tocar qualquer instrumento e como faço da poesia minha forma de expressão mais autêntica, busco uni-las. Sou apaixonado por artistas que conseguem usar as duas formas ao mesmo tempo, como Patti Smith, Lou Reed e Tom Petty e acho “Thick As a Brick” (Jethro Tull) uma espécie de “Paradise Lost” do Rock. O ruim é que como não sou musico, as vezes tenho ideias malucas ou não realizáveis nas minhas parcerias e isso as vezes me frustra um pouco. Mas, de forma geral, elas podem ou não se relacionar. Há musicas maravilhosas que não têm qualquer poesia, são horrorosas poeticamente falando. Outras, que são maravilhosas poesias dentro de músicas horríveis. Quando as duas se juntam é o casamento perfeito.

- Entre seus trabalhos, um que me chamou muito a atenção é “Seren Gogh 2332”. Nitidamente ele é uma crítica a sociedade consumista e pouco reflexiva, então, qual a motivação e o objetivo em produzir uma “ópera rock” progressiva desse porte? Você acha que existe espaço para obras desse tamanho hoje, mesmo porque as pessoas mal ouvem um CD inteiro?
- “Seren Goch, 2332” é a segunda “Opera Rock” que faço. Em ambos os casos em parceria com Amyr Cantusio Jr. Nas duas criei todo o texto, as situações, enredo e passei pronto ao Amyr para a criação musical. “Vitória”, de 2010, tinha a participação de outras bandas e músicos e era de fato um musical de teatro (ou cinema). É uma peça longa, em 33 temas, que contam a trajetória de uma prostituta, contextualizada entre 1977 e 2010.
Já Seren Goch (que significa “Estrela Vermelha” em galês) é inspirada nas obras de Ayn Rand, filosofa russa que viveu nos EUA, e no conceito de criação de “2112” do Rush. Trata de uma distopia futurista onde os seres humanos perderam totalmente sua individualidade, se tornando uma massa sem rosto ou vontade própria. Há um comando central, que chamo de “Cientistas”, que controla as pessoas dando-lhes a ilusão de que o que importa é o coletivo e não o individual. È de fato uma critica ao comunismo e suas armadilhas.
Talvez não exista espaço para esse tipo de obra justamente pelo que coloco em Seren Goch, 2332: as pessoas estão perdendo a capacidade individual de raciocínio, a capacidade de pensar individualmente, em serem críticas. O raciocínio é individual, e a arte é uma criação individual que deve ser pensada, sentida e analisada individualmente. O coletivismo destrói isso e o resultado nivela por baixo o raciocínio. E, portanto, é esse o papel principal dessa obra. O Amyr criou atmosferas densas, perfeitas para a introspecção, a analise de si próprio. O rock Progressivo é isso, e ele se presta positivamente pois induz ao ouvinte a um estado contemplativo e auto cognitivo.

- Breve lista de discos e livros essenciais
- Leio e escuto muita musica, desde que me conheço por gente meu maior prazer é esse. Então…. deixa eu estabelecer um numero, para o seu “breve”: 5 de cada.
Discos: “The Dark Side Of The Moon, Pink Floyd; “2112” do Rush; “Black Sabbath”, Black Sabbath; “Survival”, do Grand Funk e “The Magician’s Birthday” do Uriah Heep.
Livros: “Eu e Outras Poesias”, de Augusto dos Anjos, “A Nascente”, de Ayn Rand, “Filosofia na Alcova”, do Marquês de Sade; “A Morte Organizada”, de Luiz Carlos Maciel e “Vontade de Potência”, de Nietzsche.

- Onde você espera chegar?
- “Você me pergunta aonde eu quero chegar, se há tantos caminhos na vida e pouca esperança no ar” Me desculpe, mas foi inevitável lembrar desse trecho da música de Raul Seixas. Não, não sou raulseixista, não sou “ista”, mas sou ego, sou egoísta. Por que não? A pergunta é ótima e não vou ser piegas e nem hipócrita. Quero sim ter meu trabalho conhecido por bastante gente, ser lido é o objetivo de qualquer escritor, ser escutado é o objetivo de quem pensa. E quero ser reconhecido, sim, enquanto estou vivo. Quero chegar, sim, a não ter tanta dificuldade financeira até mesmo para realizar coisas simples. Não tenho grandes objetivos, coisas mirabolantes, casas e carros, essas coisas, mas quero sim, ter o suficiente para ter as contas em dia e poder, por exemplo, tratar dos meus dentes. Coisas simples, mas básicas. Afinal, trabalho 15 a 18 horas por dia em minhas diversas atividades, escrevo há 40 anos e saber que tem gente enchendo o rabo de dinheiro fazendo muito menos que eu faço, em qualidade e quantidade, é frustrante. Sei que esse “onde” pode, digamos, nunca estar disponível, mas vou continuar trabalhando para chegar.
13/8/2013

-

-

16/11/2017 - André Marques - Debate no Programa 90 Por Hora
28/8/2017 - - - Frases em O Pensador
28/8/2017 - Isaac Soares de Souza - A Palavra é Um Acinte
28/8/2017 - - - Conectando Idéias
28/8/2017 - Marcelo Moreira - Combate Rock - UOL
28/8/2017 - Marcelo Moreira - Combate Rock - Marcelo Moreira
8/8/2016 - Crisberg Luan - Febre do Livro
21/7/2016 - Alexandre Quadros - Entrevista ao Blog Toca do Shark
13/6/2016 - Revista Biografia - Sociedade dos Poetas e Amigos - Luiz Carlos Barata Cichetto [Poeta,Escritor,Webdesigner, Artesão e Editor Artesanal Brasileiro]
14/12/2015 - Cassionei Niches Petry - Raio X de Um Poeta
19/11/2015 - Revista Biografia - Sociedade dos Poetas e Amigos - Poemas Inéditos [Luiz Carlos "Barata" Cichetto]
19/11/2015 - Matheus Narcizo - Escritor cria editora de livros para publicar suas obras e abrir espaço a artistas independentes
28/9/2015 - Mateus Narcizo - Entrevista a Mateus Narcizo
16/9/2015 - Fabio Makarrão - Entrevista Programa Sleevers, Participação Paulão Thomaz
22/8/2015 - Hélio Barbosa - Entrevista de Barata com Hélio Barbosa, do Canal Interface
19/7/2015 - Programa Partitura - Psychotic Eyes e Barata Cichetto no Programa Nº. 56
13/2/2015 - Fabio Da Silva Barbosa - Reboco Caído
1/1/2015 - Joana D'Arc - Entrementes
25/9/2014 - Mateus Narcizo - Revista Sampa USJT 11-2014
24/9/2014 - Célia Coev - Barata Cichetto - Entrevista a Célia Coev - Programa Talk Show - FlixTV
19/4/2014 - Mateus Souza - Depoimento a Mateus Souza
20/2/2014 - Artut Mamede - Gatos & Alfaces - O Mundo Underground Em Revista
13/2/2014 - Adriana Ferreira dos Santos - Memória e Rock and Roll na Paulicéia Desvairada: a Apropriação do Rock Pela Juventude Paulista na Década de 1970
1/1/2014 - Gilberto Santana - Materia On AIR - Entrevista Gilberto Santana com Barata Cichetto
30/11/2013 - Barata Cichetto - Poemas no Bar do Escritor
10/11/2013 - Emanuel R. Marques - Em Busca da Criatividade
13/8/2013 - Dum De Lucca - Jukebox
24/5/2013 - Paulo Ragassi - Entrevista ao Programa Tah Ligado
29/1/2013 - Célia Coev - Barata Cichetto - Entrevista no Talk Show - Celia Coev
17/1/2013 - Diego El Khouri - Molho Livre e Fetozine
17/11/2012 - Rob Gordon - Carta Aberta 2
1/10/2012 - Marcelo Moreira - Combate Rock - Estadão
13/9/2012 - Jackson - Programa Momento Rocktime 57
5/9/2012 - Rob Gordon - Carta Aberta
22/7/2012 - Combate Rock - Combate Rock
17/7/2012 - Jackson - Programa Rocktime 49
5/7/2012 - Pinnas - Portal Megaphone
6/4/2012 - Ian o Da Rocha - Ninguém Presta
13/12/2011 - Jackson - Barata Cichetto no Programa Rocktime
2/12/2011 - Jackson - Video Institucional Para o Programa Rocktime
9/9/2010 - Alceu Maynard - Participação no Quadro "Cinco Sons", do Programa Radar Cultura, da Rádio Cultura Brasil
9/9/2010 - Alceu Maynard e Roberta Martinelli - Barata no Radar Cultura, com a Banda Pedra
1/2/2010 - Alex Alves - Segunda Entrevista ao Blog "Dengue, É O Fim da Picada"
1/10/2009 - Alex Alves - Entrevista ao Blog "Dengue, É O Fim da Picada"
18/8/2008 - Ricardo Noblat - Blog do Noblat
1/6/2007 - Pedro Vicente - Entrevista ao Site ClubRock
1/5/2007 - Janailson Nogueira - Texto de Matéria de Capa do Jornal "O Pajeu"
24/7/2005 - Antonio Dimas Simão de Oliveira e Maria Irles de Oliveira Mayorga - Citação de Texto de Barata Cichetto no XLIII Congresso da Sober
12/12/2003 - Fábio G. Carvalho - Entrevista Por Fábio G. Carvalho com Luiz "Barata" Cichetto, em Outubro de 2003
6/2/2003 - Claudia Bia - Entrevista Claudia Bia
1/1/2003 - Fábio G.Carvelho - Matéria no Site Choose Your Side
21/3/2002 - Jornal do Brasil - Jornal do Brasil
1/1/2002 - Rock Brigade - Revista "Rock Brigade"
1/1/2002 - Cezar Heavy - Entrevista ao Fanzine Rock e Cultura
20/9/2000 - Fernanda Danellon - Entrevista Programa Vitrine
1/1/1997 - Barata Cichetto - Barata no Whiplash

1958 1990 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

CONHEÇA NOSSOS PARCEIROS

 

(11) 96358-9727

A Barata - O Site

A Barata Ao Vivo

Amigos & Livros

A Arca do Barata

Arquivos Abertos

Artesanato

As Faces d'O Corvo
Augusto dos Anjos

Ataraxia

Barata Cichetto, Quem É?

Barata Rocker

Biografi'As Baratas

Camisetas

Cinematec'A Barata

Coletâneas de Rock

Colunas Antigas
Conte Comigo, Conte Pra Mim
Contos d'A Barata
Convergências
Crom

Crônic'As Baratas

Depoimentos

Des-Aforismos Poéticos Baratianos

Discoteca d'A Barata

Download Free

Ensaios Musicais

Entrevist'As Baratas

Eventos

Facebookianas
Fal'A Barata!
Fotos
Gatos & Alfaces
Kakerlak Doppelgänger
Livrari'A Barata
Livros
Madame X
Memória A Barata
Micrônic'As Baratas

Na Mídia

O Anjo Venusanal
Pinturas
Pi Ao Quadrado

Poesi'a Barata

Ponto de Fuga
Pornomatopéias
PQP - Puta Que Pariu
Projeto Sangue de Barata
Psychotic Eyes
Renato Pop
Resenhas

Retratos e Caricaturas

Revist'A Barata Digital

Revist'A Barata

Seren Goch: 2332

Sub-Versões

Tublues

Versus

Videos

Vitória

Webradio

Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, e foram registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade". Lei de Direitos Autorais: 9610/98.

 On Line

Política de Privacidade

Free counter users online