(11) 96358-9727

 

1958 1990 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

 

A Barata Ao Vivo Biografi'As Baratas Discoteca d'A Barata Ensaios Musicais Coletâneas de Rock


OS DEZ MAIORES DISCOS DE ROCK DE CADA DÉCADA - PARTE 3 (DÉCADAS DE 90 A 2000'S)
Barata Cichetto
barata.cichetto@gmail.com

Década de 90


Falar que sabíamos, tanto eu e Dum de Lucca, quanto os próprios leitores do Jukebox, que a partir dos anos 1980, escolher dez "melhores" discos seria cada vez mais complicado, seria redundância. Qualquer ser humano na face da Terra, ao menos qualquer um que goste e conheça um pouco da história do Rock é capaz de dizer isso. A abundância, o excesso, o demais (sendo essas palavras no sentido positivo), das décadas anteriores deu lugar a escassez e ao excesso e demais, desta vez com as palavras no sentido negativo. As grandes bandas, as chamadas "clássicas", pareciam estar cansadas, velhas e exaustas, com lançamentos na maioria das vezes insossos ou no mínimo com pouca criatividade. Muitas tinham acabado, como o Led Zeppelin, outras se arrastavam, como o Deep Purple e o Black Sabbath, com formações equivocadas e reuniões caça-níqueis. E, se a profusão de rótulos, subvertentes (no sentido de subverter o sentido do Rock que pressupunha o inverso), a partir do Punk tinha dividido o Rock em embalagens muito bem produzidas, produtos de consumo de massa, para atingir nichos intermináveis, com a ultima década do século XX tomou ares absurdos. Centenas de rótulos foram estampados em camisetas, discos e principalmente na mente das pessoas. E foi assim que surgiram "marcas" como Metal Neoclássico, Visual Kei, Pop Punk, Nu Metal, Brit Pop... E o mais odiento de todos: Indie. Foi a década do início do "boom" da Internet, e as gravadoras, preocupadas com a possibilidade de perderem suas vacas do leite de ouro, investiram massivamente em produtos descartáveis, de consumo fácil e rápido. Se o Metal dos anos oitenta tinha mostrado a força do visual, através de penteados enormes e letras chulas e toscas, o Rock em geral dos anos 1990 tinha apelos bem mais imediatos: o sexo fácil e inócuo e o visual rebelde desleixado... Tudo de acordo como mandam os santos mandamentos da mídia. Portanto, não estranhem comentários bem mais curtos e "emocionais", como bem citou uma leitora, num dos textos anteriores.

--------------------------------------------

1 - PINK FLOYD - THE DIVISION BELL - 1994

Décimo quarto e último álbum do Pink Floyd. Depois do controvertido The Final Cut (1983), que era de fato um disco solo de Roger Waters tocado pelo Pink Floyd, como bem informa a capa e o quase dispensável - se é que existe algum disco do Pink Floyd dispensável - A Momentary Lapse of Reason (1987), a dupla formada pelo guitarrista David Gilmour e pelo tecladista Richard Wright foi a principal responsável pelas composições que tem como tema principal a falta de comunicação, além de outras questões como o isolamento e conflitos pessoais. Depois dos desentendimentos e uma tentativa de golpe dada por Waters após sua saída da banda, os três músicos remanescentes chamaram o produtor Bob Ezrin e o engenheiro de som Andy Jackson, além do saxofonista Dick Parry, que já tinha trabalhado com a banda no clássico dos clássicos "The Dark Side Of The Moon". O baixista é Guy Pratt, namorado da filha de Wright. Não é o melhor disco do Pink Floyd, embora tente repetir o clima de expressões de seu álbum mais famoso, mas é ultimo disco da banda e por isso merece estar nesta lista. "What Do You Want from Me" e "High Hopes" se tornaram clássicos absolutos.

--------------------------------------------
2 - LOU REED - PERFECT NIGHT: LIVE IN LONDON - 1998

A discografia de Lou Reed tem inúmeras coisas surpreendentes, mas nada surpreende mais que seus discos ao vivo. Se "Rock'n'Roll Animal" juntamente com "Lou Reed Live" são os melhores discos ao vivo da história do Rock, este, gravado durante o "Meltdown '97 Festival" em Londres, mostra um Lou Reed mais cadenciado, com versões mais "light", embora fortes. O disco soa intimista, clássico e empostado. No ano anterior ele havia lançado outro ao vivo, chamado "Live in Concert". A faixa de abertura "I'll Be Your Mirror", originalmente cantada por Nico, na era Velvet Underground tem uma guitarra acústica belíssima na abertura e a ultima: "Dirty Blvd", um peso que não está exatamente no instrumental, mas na voz furiosa de Mr. Reed.

--------------------------------------------

3 - DAVID BOWIE - OUTSIDE - 1995

Que David Robert Jones é um dos artistas mais criativos dos últimos cem anos pouca gente duvida. Músico, ator, mímico, compositor e produtor musical, David Bowie gerou os mais belos, criativos e, porque não dizer, geniais discos da história não apenas do Rock, mas da musica em geral. Bowie passeia com desenvoltura e classe por todos os gêneros, flerta com todas as tendências, todas as classes e sexos. Bowie sempre tem uma carta nas mangas bufantes, Bowie sempre tem um passo de dança, um refrão, uma nota, um toque diferente a dar. E não seria diferente com esse álbum conceitual: Outside, de 95. Depois de lançar álbuns com a Tin Machine, o retorno aos discos solo com "Black Tie White Noise" e do experimental "Buddha of Suburbia", David Bowie entra de sola na década de 90 com um disco experimental, uma obra conceitual que conta a história de um assassinato, através dos diários de um detetive, Nathan Adler. Nesse trabalho, o retorno de uma parceria antiga com Brian Eno, que criou obras fantásticas. Um disco que na primeira audição pode parecer um pouco chato e confesso: a primeira vez que escutei achei isso mesmo, mas que com o tempo e com maior atenção às nuances musicais, as climatizações, essa sensação se dissipa, dando lugar a uma viagem ao musical sem precedentes. E se há nesta lista o melhor da década, com certeza é este.

--------------------------------------------

4 - PATTI SMITH - GONE AGAIN – 1996

Conforme citado e recitado anteriormente, jamais poderia deixar de colocar um disco de Patti Smith em qualquer lista. E a ativista, poeta, cantora, compositora e principalmente mulher, Patti está em todas as minhas listagens desde o final dos anos 1970. E garanto que algumas são realmente inconfessáveis. Mas... Depois de um isolamento que se seguiu à morte de seu marido, Fred "Sonic" Smith, ex-guitarrista da legendária banda MC5, vítima de um ataque cardíaco em 1994, e do irmão, Todd, no ano de 1994, e encorajada por John Cale e Allen Ginsberg a procurar ajuda médica, Patti saiu em turnê com Bob Dylan em dezembro de 1995. No inicio do ano seguinte, começou a gravação desse disco visceral, como sempre, e que incluía a canção "About a Boy", um tributo a Kurt Cobain, embora tivesse ficado mais enfurecida do que triste a respeito de seu suicídio. O disco é ao mesmo tempo melancólico e furioso, com a voz rasgante e agora mais grave que antes de Patti bradando, lamentando e consolando ao mesmo tempo. A capa já avisa o que estará lá dentro: de cabeça baixa, como se estivesse chorando e triste, cabelos desalinhados, num tom sépia. Acho que esse disco é a cara dos anos noventa, que me perdoem (ou não) a turma da alegria.

--------------------------------------------

5 - DIO - ANGRY MACHINES - 1996

Procurando uma imagem para ilustrar a matéria, cai no Wikipedia, no verbete sobre o esse que é o sétimo álbum da banda "Dio": "É o segundo e último de estúdio gravado com Tracy G, que foi demitido alguns anos mais tarde. Vale a pena lembrar que esse é considerado o pior álbum de Dio." Esse é o problema desse site: quer ser uma enciclopédia e aceita esse tipo de definição "técnica". "Considerado" pelo autor do texto, decerto. Que Tracy G. é ruim de doer como guitarrista não há duvida, mas as composições e a voz de Dio salvam qualquer disco de ser ruim. E eu não "considero" esse disco ruim, muito contrário. "Institutional Man" e "Big Sister", por exemplo, são pérolas. A voz de Ronnie soa firme como sempre. Enfim, pode não ser "considerado" o melhor disco dele, mas, dentro do apresentado na década, eu "considero" tranquilamente um dos dez que merecem ser referenciados.

--------------------------------------------

6 - MOTORHEAD - 1916

"Lemmy is God", 1916 é a volta do filho pródigo. E "God" não faz discos ruins. Só isso!

--------------------------------------------

7 - STEVE HOWE - PORTRAITS OF BOB DYLAN - 1999

Legal, eu confesso! Odeio o Yes! Acho a banda mais chata do planeta. E por conseguinte detesto todos os seus membros. E confesso mais: só fui escutar esse disco uns dez anos depois de lançado, pelos motivos explicados. A primeira reação foi de espanto. Espanto em saber que um dos guitarristas mais chatos de uma das bandas mais... Tá, eu páro! Vou falar desse disco. O álbum “Portraits of Bob Dylan”, lançado em 1999, é o nono da discografia de Steve Howe, que também tocou em outra banda mais chata ainda... o Asia (Azia?)... Steve Howe é tão fã de Dylan que seu filho, o baterista desse álbum, se chama Dylan Howe. A proposta foi juntar músicos amigos e convidados para fazer versões de musicas de Dylan. E a pluralidade dessas vozes é que transforma esse disco em algo delicioso de escutar, uma viagem dylanesca bem mais agradável do que ouvir a voz (chata) de Bob Dylan, em canções absolutamente maravilhosas. Os destaques ficam por conta da deliciosa voz de Annie Haslam (Renaissance) que dá vida nova a uma música belíssima mas manjadíssima: "It’s All Over Now, Baby Blue", a voz forte de Keith West com "Lay Lady Lay" e Allan Clark, vocalista dos Hollies, em "Don’t Think Twice, It’s All Right". O próprio Howe canta: "Just Like a Woman", sem comprometer, mas sem maiores surpresas. Um disco para ser escutado com atenção e respeito até mesmo por caras chatos como eu, que detestam o Yes.

--------------------------------------------

8 - RADIOHEAD - OK COMPUTER - 1997
Sabem que musica me vem à cabeça quando falam em anos 90? Ah, adivinhou! "No Surprises". Certo, o Rock nesses anos se manteve graças à dores de cotovelo, frustrações, lamentos e instrumental um pouco certinho e bem produzido demais para o Rock. E esse disco mostra tudo isso. Até backing vocals chorosos. Enfim "No Surprises". E se eu tenho que relacionar os discos de uma década, no caso a de 90, então por que não colocar o que tem a musica tema? Ah tá, mas as duas primeiras faixas: "Airbag" e "Paranoid Android" até que tem algumas boas "surprises".

--------------------------------------------

9 - MY BLOODY VALENTINE - LOVELESS - 1991

Quando o Dum de Lucca me chamou para participar desse projeto, embora tenha ficado entusiasmado com a idéia, fiquei com receio, em função das épocas mais recentes. Eu fiquei mais velho, mais chato e mais seletivo... Mais ranzinza, talvez. Mas, imaginem o que é crescer ouvindo Led Zeppelin Pink Floyd e outros direto na fonte e depois chegar a épocas tão pouco criativas como essas. Pensei: ah, não vou ter que escutar de novo aquelas coisas sem criatividade dos anos 90... Mas lembrei de algo que realmente, mesmo na época, me chamou muito a atenção, justamente pelos experimentalismos, tecnologia e referencias que esse disco possui. Segundo informações, "Loveless" demorou mais de dois anos para ser gravado, usou 19 estúdios diferentes, um sem numero de engenheiros de som e uma quantia de mais de 250 mil libras, o que quase faliu a gravadora Creation Records. O vocalista e guitarrista Kevin Shields compôs todas as musicas e dominou todo o processo de gravação; procurando alcançar um som particular, com o uso de várias técnicas como guitarras com tremolo, sample de batidas de bateria e vocais obscuros. O resultado é bem inusitado e criativo para a época. Talvez esse disco marque o fim da época do experimental, com a curva da criatividade fazendo uma descendente.

--------------------------------------------
10 - NIRVANA - NEVERMIND - 1991

Então, chegamos ao final de mais uma lista. E uma duvida me assola: listas são sempre pessoais e, por conseguinte, vão não ao gosto do freguês, no caso o leitor, mas gosto do dono da padaria, no caso especifico o autor. E então, devo colocar nessa lista um disco que não gosto, de uma banda que detesto, levando em consideração que esse disco, de uma forma ou de outra mudou o cenário, abrir flancos e derrubou estigmas? Sim, claro que devo. E por esse motivo, embora não gostando nem um pouco de Nirvana e de seu astro covarde suicida, muito menos desse disco o coloco nesta lista... Em ultimo lugar, entretanto. E como não gosto, não vou ficar aqui vomitando impropérios a Kobain e companhia limitada, com suas camisas de flanela. Esse disco tem importância histórica dentro do contexto do Rock. E ponto!

4/12/2013

Década de 2001 a 2013


A maior dificuldade que encontrei, particularmente, na elaboração destas listas, foi o temor da injustiça, não proposital, mas por eventualmente por não ter conhecimento de um determinado e importante disco. A quantidade de bandas e artistas aumentou muito desde a década de 90. Se na década de 70 tínhamos dois, ou até mais, discos de uma única banda lançados no mesmo ano, o que dificulta por um lado e ajuda pelo outro, a partir do último decênio do século XX, diminuiu sensivelmente a quantidade de lançamentos, mas aumentou o numero de bandas. E isso faz com que, mesmo alguém ligado em todas as coisas do Rock, possa ter deixado de lado algum lançamento. Ademais, desde o fim dos anos 1990, com o chamado “boom” da Internet, e com as facilidades tecnológicas em gravar um disco, fez surgir milhares de bandas instantâneas, naquilo que Andy Warhol chamou de “fama de 15 minutos”. A substituição do conteúdo pela imagem, já desenhado na década anterior, tomou conta do, mas não apenas dele, Rock. Entretanto, se nem tudo são flores de plásticos nos primeiros anos do século XXI, também nem tudo é merda. Nem tudo fede ou, pior que feder, nem tudo é inodoro. Neste ponto, mudamos o projeto inicial de ter 7 listas de 10 títulos, uma de cada década, para aglutinarmos os quatro anos desta que começou em 2010. Talvez o correto teria sido colocar 14 discos, mas da minha parte decidi manter nos mesmos 10, já que mais do que isso, nesses tempos insossos seria forçar a natureza (ao menos a minha).

1 - SWANS - THE SEER (2012)

Cisnes são criaturas de extrema beleza, de aspecto majestoso, mas também são conhecidos por um temperamento horrível. E segundo Michael Gira criador da banda, ainda em 1982, era o que melhor definia seu som. Com relação a este "The Seer", lançado em 2012, o segundo depois do retorno da banda em 2010, é um disco gigantesco. Não apenas por ter praticamente duas horas de música, dividido em dois CDs, mas pela qualidade e criatividade presentes. Cheio de elementos “estranhos” e experimentalismos,. "The Seer” não é um disco de digestão tranquila. Música intensa, distorção, riffs repetidos “ad “nauseam”, faixas de grande duração, vocais hipnóticos. Expressão musical num esquema caótico, por horas até mesmo dolorosa, de que transportam o ouvinte à uma dimensão histérica, frenética e subversiva. A uma realidade desconexa, onde a ligação com nossa pobre realidade estéril parece não fazer sentido. Catarse. Não é um disco para mentes fracas ou ouvidos acostumados com a mesmice que impera nessa era de transição, onde sabemos que existem apenas dois caminhos: ou a mudança real de nossos pensamentos, ou a pura e completa aniquilação da raça humana. E a isso chamo realmente de Apocalipse. E "The Seer", do Swans é sua melhor trilha sonora... Seria o "swan song"?


2 - LOU REED - ANIMAL SERENADE (2004)
Desde a década de 60 até esta em que vivemos, existe uma presença constante quanto fazemos listas: a de Lou Reed. E este Animal Serenade, é mesmo como seu título informa: uma “serenata animal”. Se “Rock’n’Roll Animal”, o melhor disco ao vivo de todos os tempos, mostrava Mr Reed como uma fera á solta, cuspindo o sangue e as vísceras de uma sociedade podre, onde a ferocidade das letras e a distorção da guitarra de Steve Hunter dava o tom sinistro e cruel, o trabalho acústico de Fernando Saunders, que participou de discos de uma porrada de artistas do Rock e já tinha também tocado com Lou em “The Raven”, mostra o Maior Poeta do Rock, mais calmo, talvez fruto da experiência como mestre em Tai Chi Chuan, ou talvez pela idade. Canções clássicas, antes elétricas e paranóicas ganham arranjos acústicos e todo um clima da “serenata” nesse disco gravado ao vivo em Los Angeles no Wiltern Theatre em 2003. Lou conversa com os músicos, com a platéia e é como se estivesse chegado à sua casa para um bate-papo. Ameno, tranqüilo. Delicioso de escutar. A critica desceu porrada nesse disco, talvez por não compreender determinados estágios que artistas passam, talvez por sempre esperar de Lou Reed uma outra cuspida na cara. De fato, não foi Lou Reed quem mudou nesse disco, mas o mundo ao seu redor.


3 – RADIOHEAD - IN RAINBOWS (2007)
Comenta-se que o Radiohead não faz nunca dois discos iguais.. Ao menos não no conceito de estilo e forma. Mas há algo de comum nos lançamentos: a voz fantasmagórica, sobrenatural do vocalista Thom Yorke. E se em "OK Computer" primava pelo estilo de Rock Alternativo, este tem uma influencia mais forte da musica eletrônica, sem deixar a melancolia e o intimismo característico da banda. Um disco belíssimo, agradável de se ouvir, principalmente se você tiver ao lado uma bela garrafa de Whisky legitimamente escocês. Nada de "Whiskey" americano. Se é que me entendem.


4 - QUEENS OF THE STONE AGE - SONGS FOR THE DEAF (2002)
A banda californiana Queens Of Stone Age é conhecida como um dos maiores propagadores do estilo conhecido como Stoner Rock e pela sua constante mudança de integrantes. O único membro original da banda é o vocalista e guitarrista Josh Homme.Mas deveria ser conhecida pela sua capacidade de fazer bons discos, discos simples e competentes, discos onde o que importa é o peso e o carisma de cada faixa. Neste lançamento, a banda contou com a presença do arroz de festa Dave Grohl, na bateria. Um ótimo disco, que merece o status de um dos melhores da década.

5 - COLDPLAY - VIVA LA VIDA OR DEATH AND ALL HIS FRIENDS (2008)
Coldplay efetivamente não é das bandas que posso dizer: “Oh, que grande banda”, mas quando um disco tem na capa uma o famoso quadro sobre a revolução francesa (uma pintura de Eugène Delacroix, intitulado “A Liberdade Guiando o Povo”), com uma pichação em cima, em espanhol, escrita: “Viva La Vida”, as coisas começam a mudar de figura. E quando se sabe que o disco tem a produção de um dos mais geniais produtores da história do Rock, Brian Eno, responsável por obras primas como os três álbuns da chamada "Trilogia de Berlim" (ou "Trilogia eletrônica") de David Bowie: Low, Heroes e Lodger. Só isso já valeria a pena citar esse disco, mas ele é realmente muito bom, com letras versando sobre os eternos temas vida, morte e guerra, além de uma musicalidade extrema, onde cada faixa tem uma surpresa, uma espécie de “descoberta”. Desde a faixa titulo, que tem a participação de uma orquestra. Passando por musicas mais “cool” e temas mais pesados. Belo disco, bela produção.


6 - MUSE - BLACK HOLES AND REVELATIONS (2006)
Muse, banda inglesa formada em 1994, faz uma musica realmente instigante. Criativa é o mínimo que podemos dizer. Um mistura de vários gêneros musicais, indo do Rock mais básico, indo até o eletrônico e com uma bela passagem pela musica erudita. Há musicas para todos os gostos musicais. Temas que lembram outras bandas e outros que não se parecem com nada que já foi feito. E neste "Black Holes and Revelations", um titulo já por sí próprio instigante, a criatividade fala alto, tanto nos temas, que falam sobre política, ficção cientifica, com letras abordando temas tão variados como corrupção, invasão alienígena, teorias de conspiração e as indefectíveis canções de amor. Um disco para ser ouvido várias vezes, percebendo-se a cada audição nuances diferentes, detalhes intrínsecos. O trabalho de capa lembra as belas capas criadas pela Hipgnosis para o Pink Floyd.

7 - LOU REED & METALLICA - LULU (2011)
Confesso que este é o momento que mais esperei desde quando comecei a fazer estas listas, à convite de Dum de Lucca. Um momento esperado por fazer uma justiça. O momento esperado de deflagrar uma vingança. E meu senso de justiça é proporcional ao senso apurado com relação à história do Rock. Um senso alimentado por quatro décadas de Rock, escutando, lendo, conhecendo os meandros, os intestinos e os pulmões. Um senso que me diz, sem nenhuma dúvida, que existiu um poeta maior no Rock, na musica contemporânea, um poeta que soube, através do escarro e do escárnio elevar o Rock ao nível de cultura suprema. E esse poeta atendeu, até o não perfeito dia 27 de Outubro de 2013, por Lewis Allan Reed. E onde está a necessidade de justiça, se isso a maior parte das pessoas concorda? E onde está a necessidade de vingança? Essas necessidades estão no fato de que esse disco, que foi execrado pela chamada “midia especializada”, que foi achincalhado pelos estúpidos fanáticos pelo Metallica, com direito a brincadeiras ofensivas em redes sociais, que foi praticamente ignorado pela maioria das pessoas, é simplesmente uma obra prima. Uma obra prima, que como a maior parte delas, está além de seu tempo e, portanto, ignorada no lapso de tempo em que é colocada a publico.
James Hetfield mal era nascido quando Lou Reed já cantava e compunha pelos buracos fétidos de Nova Iorque. Os integrantes do Metallica ouviram muito os urros de Lou muito antes de empunharem suas primeiras guitarras. E garanto, que todos os fãs estúpidos que espernearam desde o momento em que ficaram sabendo do projeto “Lulu” não tem o menor conhecimento da história do Rock e não tem, sobremaneira, sequer a decência de admitir. Se nesse disco, o Metallica soa na maioria das vezes apenas como a banda de apoio de Lou Reed, melhor para eles. Se nesse disco, Lou soa as vezes apenas como um mero vocalista de uma banda de Metal, melhor para eles, a banda, também. Afinal, quantos artistas do mundo, além de David Bowie, podem ter a honra de partilhar um trabalho com o maior roqueiro de todos os tempos? Isso deveria ser motivo de orgulho a qualquer banda e a qualquer fã. Para a banda, declaradamente é, pois Hetfield já declarou ser fã do velho Lou., mas seus fãs, embotados, parecem não compreender isso. Pior para eles.
Mas, se fossem apenas os fãs do Metallica, e alguns até do próprio roqueiro nova-iorquino a torcer o nariz, ignorar esse disco, não seria problema, mas o fato de que “Lulu”, apesar de todo o esforço da gravadora, lançando-o em diversas mídias, incluindo ai em LP com direito a um pôster, por exemplo, ter sido ignorado é que torna séria a coisa. Como pode uma obra dessas, com todos os componentes para se tornar cultuada, aclamada e glorificada ser colocada no limbo? A única explicação: o mundo atual, onde o que importa é a plasticidade das imagens, a rapidez em tudo, não é mais um mundo onde artistas feito Lou Reed possam sobreviver. Aquele mundo acabou.
“Lulu” é uma obra prima, uma das maiores deste século. E espero que ainda nele, seja colocado em seu devido e merecido lugar. Aí, sim, a justiça será feita e minha vingança estará completa.


8 - DAVID BOWIE - THE NEXT DAY (2013)
Há vinte anos, desde 1993 com “Black Tie White Noise”, que David Bowie não lançava um disco. Falar sobre a persona de Bowie, de sua genialidade, de sua aparência, de sua propalada bissexualidade, sobre sua capacidade também como produtor, ator, mímico e etc. é totalmente desnecessário e seria ocupar o tempo do leitor de forma pouco auspiciosa. O autor de si próprio, o ator que representa a si mesmo num palco que ocupa todo o planeta, são as mais claras definições desse artista, este sim que poderia reinvidicar o titulo de “The Artist”, não aquela coisa efêmera do Prince. A influência, em todos aspectos desse musico que é de fato um extraterrestre, é clara e notória. Então, um único disco lançado nas ultimas duas décadas tendo como protagonista David Bowie, precisa estar obrigatoriamente na presente listagem.


9 - JUDAS PRIEST - NOSTRADAMUS (2008)
O Judas Priest é uma da FAB Four do Heavy Metal mundial, juntamente com Black Sabbath, Iron Maiden e Motörhead, lançou discos pesados, com temáticas simples, em contextos e conceitos obrigatórios dentro do gênero. Calcado especialmente na figura de Rob Halford, seguramente um dos maiores cantores de Rock até hoje, o Judas lançou discos memoráveis, essenciais a qualquer discografia básica de todos os apreciadores do gênero. Desde “Rocka Rolla”, ainda em 1974, até Angel of Retribution (2005), passando por Jugulator (97) e British Steel (80), a banda lançou os maiores pilares do Metal, mas era necessária uma grande obra, conceitual, concisa, forte, com uma temática diferente tradicional. Enfim, o Judas Priest carecia de uma obra definitiva. Não que os discos citados, entre os outros, sejam discos ruins ou não esteja definitivamente na história do Rock, mas, musicalmente a banda precisava de algo que demonstrasse não ser apenas uma banda de Metal, com temática peculiar. Uma obra definitiva que a colocasse nos patamares mais altos da Música. E assim aconteceu, como numa profecia, com “Nostradamus”. Um disco que alia o peso tradicional do Judas, com harmonias e arranjos perfeitos a vocais que em algumas musicas lembram os grandes cantores de ópera. Nesse disco Halford mostra que é muito mais que apenas um vocalista de Rock, e a banda inteira soa mais que apenas uma banda de Rock, embora das maiores, soa como uma orquestra.


10 - SYSTEM OF A DOWN - MEZMERIZE / HYPNOTIZE (2005)
Então, de fato, minha lista acaba por ter também 11 discos, pois nomear um desses dois e deixar o outro de fora seria incoerente, pois se tratam de fato um disco único dividido em dois lançamentos. O SOAD tem um papel fundamental no Rock do terceiro milênio, desde a origem de seus integrantes, filhos de armênios radicados nos EUA, e que por força dessa origem colocam nas suas letras conceitos políticos e sociais fortes e uma musica repleta de instrumentos “estranhos”, guitarra barítona, mandolins elétricos, cítaras, violões de doze cordas entre outros. A banda faz um som pesado, pungente, que foge dos padrões mais clássicos do estilo. O vocal de Serj Tankian tem força natural , sem pose e sem forçação de barra. E estes dois discos merecem estar numa prateleira especial com o rótulo, “Os mais representativos do inicio do século XXI”

Bem, chegamos ao final desta série, onde procuramos abordar, em pontos de vista totalmente pessoais, os melhores lançamentos de Rock dos quase setenta anos do gênero. Claro que muitas opiniões serão encaradas com desconfiança, claro que muitos comentários feitos poderão ser considerados sem sentido, mas o objetivo destas listas não é o de fazer sentido, mas apenas demonstrar a visão pessoal de cada um de nós. As criticas e as sugestões sempre serão consideradas e espero que ao menos para algumas pessoas, minhas escolhas possam ser consideradas didaticamente, como guia de audição.

E espero que, no futuro, meu anfitrião, o grande jornalista musical Dum de Lucca, pessoa a quem dedico grande respeito e admiração, venha novamente a convidar-me a participar do “Jukebox”. Grato a todos pelo carinho, pelas opiniões e pela atenção. Nos vemos pelas estradas do Rock!

11/12/2013
11/12/2013
Publicação: https://baratacichetto.blogspot.com/2018/04/os-dez-melhores-discos-de-cada-decada.html
Registro no E.D.A. da F.B.N. :

"Bom, Bonito e Barato, Só Patrulha do Espaço"
A Marcenaria: Fusion Roça Lisérgica e Um Bom Cigarro de Palha
Alpha III, Eu e o Limbo de Uma Geração
Amyr Cantusio Jr. (Alpha III Project)
Belchior, Alucine-se!
Cansei de Rock!
Carro Bomba: "Honeeesssto!"
Christa Päffgen: Um Vulcão Chamado Nico
Cópia Infiel – Ato 1: Raul Seixas e o Dolo de Ouro
Copia Infiel – Ato 2 - Led Zeppelin - Moral e Ética – Parte 1
Copia Infiel – Ato 2 - Led Zeppelin - Moral e Ética – Parte 2
Diário de Bordo, Data Estelar: 01 de Dezembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 06 de Dezembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 07 de Dezembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 09 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 14 de Dezembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 14 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 15 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 16 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 20 de Julho de 2003
Diário de Bordo, Data Estelar: 21 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 22 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 23 de Maio de 2003
Diário de Bordo, Data Estelar: 23 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 24 de Maio de 2003
Diário de Bordo, Data Estelar: 29 de Março de 2003
Diário de Bordo, Data Estelar: 29 de Novembro de 2002
Diário de Bordo, Data Estelar: 30 de Novembro de 2003
Diário de Bordo, Data Estelar: 31 de Março de 1979
Diário de Bordo, Data Estelar; 28 de Março de 2003
Encontrada Gravação Inédita do Led Zeppelin
Garotas Com Camisetas do Slade
Irons Maiden
Janis, Uma Deusa
John é Um Gênio!
Loyce o Os Gnomos - Lisérgico, Hard, Distorcido
Nascimento, Vida, Paixão e Morte do Rock no Brasil
O Amigo Naturista e o Criador do Pink Floyd (Acerca de Um Texto de Jorge Bandeira)
O Garoto
O Rock Está Morto
O Sonho Acabou de Ser Assassinado
O Suprassumo do Superestimado - Minha Lista dos 11 Mais (ou Menos?) – Parte II - Internacional
O Suprassumo do Superestimado Minha Lista dos 11 Mais (ou Menos?)
O Suprassumo dos Subestimados - Parte 1 - Rolando Castello Junior
Os Coveiros do Rock
Os Dez Maiores Discos de Rock de Cada Década - Parte 1 (Décadas de 50 e 60)
Os Dez Maiores Discos de Rock de Cada Década - Parte 2 (Décadas de 70 e 80)
Os Dez Maiores Discos de Rock de Cada Década - Parte 3 (Décadas de 90 a 2000's)
Os Símbolos Mágicos do Led Zeppelin
Pancreatite, Cachaça e Solidão

1958 1990 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

CONHEÇA NOSSOS PARCEIROS

 

(11) 96358-9727

A Barata - O Site

A Barata Ao Vivo

A Barata na Mídia

Arca do Barata

Arquivos Abertos

Artesanato

As Faces d'O Corvo
Augusto dos Anjos

Ataraxia

Barata Cichetto, Quem É?

Barata Rocker

Biografi'As Baratas

Camisetas

Cinematec'A Barata

Coletâneas de Rock

Colunas Antigas
Conte Comigo, Conte Pra Mim
Contos d'A Barata
Convergências
Crom

Crônic'As Baratas

Depoimentos

Des-Aforismos Poéticos Baratianos

Discoteca d'A Barata

Download Free

Ensaios Musicais

Entrevist'As Baratas

Eventos

Facebookianas

Fal'A Barata!

Fotos

Gatos & Alfaces

Kakerlak Doppelgänger
Livrari'A Barata
Livros
Madame X
Memória A Barata
Micrônic'As Baratas
O Anjo Venusanal
Pinturas
Pi Ao Quadrado

Poesia Por Título

Poesia Por Livro

Poesia Por Data

Poesia Com Áudio

Poemas Musicados

Poesia Com Vídeo

Ponto de Fuga

Pornomatopéias
PQP - Puta Que Pariu
Projeto Sangue de Barata
Psychotic Eyes
Renato Pop
Resenhas

Retratos e Caricaturas

Revist'A Barata Digital

Revist'A Barata

Seren Goch: 2332

Sub-Versões

Tublues

Versus

Videos

Vitória

Webradio

Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, e foram registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade". Lei de Direitos Autorais: 9610/98.

 On Line

Política de Privacidade

Free counter users online