Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos "Barata" Cichetto e registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor. Bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade".

  A Grande Batalha e Seis Anos Queimando na Terra de Ninguém

A Grande Batalha e Seis Anos Queimando na Terra de Ninguém
Imperial
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Luiz Carlos "Barata" Cichetto
barata.cichetto@gmail.com
Ano: 1998/2002
Gravadora: Independente
Músicos: "A Grande Batalha "
Dennis Martins - Guitarras
Marcos Polli - Baixo
Fabio Sliachticas - Voz
Daniel Passos - Teclados
"Seis Anos Queimando na Terra de Ninguém"
Dennis Martins - Guitarras
Fabio Kampfer - Voz
Daniel Passos - Baixo
Faixas: "A Grande Batalha"
1 - A Grande Batalha
2 - Depois da Batalha (Instrumental)
"Seis Anos Queimando na Terra de Ninguém"
1 - Além do Horizonte
2 - Pele Sintética
3 - Pequenos Répteis
4 - Eterna
5 - Cores
6 - Automática (Meu Tipo de Fé)
7 - O Povo Pagão
Síte: -
Contato: fkampfer@uol.com.br
Há décadas bato na tecla das letras em bandas de Rock, particularmente brasileiras. Muito falei, muito escrevi sobre o baixo nível delas. Escuto por parte de músicos as explicações mais idiotas e embasadas em aspectos técnicos discutíveis. E assim caminha a mediocridade dentro do Rock Brasileiro. E ninguém entende porque ele não chega a determinadas camadas da população, seja ás mais pobres e iletradas e que têm problemas sociais que o Rock, ao contrário do Rap por exemplo não atingem; seja ás mais cultas e ricas que não vêm no Rock o espelho de suas preocupações e vivências sociais, políticas e filosóficas.

Portanto, quando chega a minhas mãos e principalmente ouvidos um trabalho como esse da banda "Imperial" só tenho que comemorar. Em princípio achei estranho o nome da banda e até brinquei: “É uma homenagem ao Carlos Imperial?” (Produtor e compositor da década de 60 e um dos responsáveis pela introdução do Rock, de fato, no Brasil). Um amigo ganhou há uns dois anos um par de CDs em uma casa que freqüentava, mas como não era o tipo de som que gosta deixou de lado. Há uns dias deu os CDs ao meu filho que me perguntou se eu conhecia a banda. Colocamos as bolachinhas para rodar e tomei até um susto, no bom sentido, com o trabalho.

Certo, no primeiro momento a gente percebe que a galera da banda adora Sisters Of Mercy e procura a mesma sonoridade, a mesma batida e o mesmo caminho. Até no instrumental, incluindo ai a famigerada Bateria Eletrônica que deploro em principio, mas que neste caso não compromete em nada a qualidade do trabalho. É "Gótico" e pronto. Não gosto de rotular estilos, mas às vezes para me fazer entender e ilustrar o que falo sou obrigado a recorrer a eles. Neste caso é necessário. E acho também que o pessoal envolvido nesse "Movimento" produz coisas muito fortes, pois são nítidas as influências poéticas dos chamados “Poetas Malditos” como Byron, Álvares de Azevedo, Poe e outros, além de músicos como Paganini.

A banda "Imperial" aposta nas letras fortes e engajadas filosoficamente falando. "Seis Anos Queimando na Terra de Ninguém", gravado entre 98 e 99, tem 7 músicas e trás: “Além do Horizonte”, “Pele Sintética”, “Pequenos Répteis”, “Eterna, Cores”, “Automática (Meu Tipo de Fé)” e “O Povo Pagão”. Sendo que esta música, não aparece na lista de músicas e tem um trecho da letra que fala: "Fingimos dia e noite / nos fartamos de mentiras / falamos a verdade /fazemos do amor nossa ruina". E em outro: "Mortos nascem aos milhões". A preocupação com as letras fica clara, assim como a proposta da banda, que é usar a música como moldura para a veiculação de idéias e pensamentos nelas contidas. As influências de Sisters Of Mercy não são apenas meras influências, particularmente na terceira faixa: “Pequenos Répteis”. A formação neste disco é Dennis Martins, Guitarras; Fabio Kampfer, Voz e Daniel Passos, Baixo e a produção está acima da média neste tipo de lançamento.

O segundo disco é "A Grande Batalha", uma demo com apenas duas músicas gravado em 2002. “A Grande Batalha” e “Depois da Batalha”, instrumental, que bem poderia ser usada em uma trilha sonora do gênero “O Albergue”. A formação da banda passou por uma mudança e trás Dennis Martins - Guitarras, Marcos Polli – Baixo, Fabio Sliachticas – Voz e Daniel Passos – Teclados. Daniel cedeu o Baixo a Marcos Polli e foi para os teclados e aparentemente o vocalista Fábio mudou de nome e em lugar de “Kampfer” passou a usar “Sliachticas”. Mas a potência das letras continua a mesma: em um trecho de "A Grande Batalha" fala: "Sente-se aqui e ouça a história / do verbo que se fez máquina /da máquina que se fez homem / de um atormentado isolamento / de repulsa / voracidade / a perda da sensibilidade". Fabio Sliachticas, o cantor, usa e abusa de efeitos de estúdio para tornar sua voz algo que dê um tom soturno e gótico a exemplo de seu aparente ídolo Andrew Aldritch e canta os versos como se quisesse atingir a alma e a consciência mais profunda do ouvinte, estejam elas em qualquer lugar entre o Céu e o Inferno.

Em resumo, são dois trabalhos que merecem ser conhecidos e escutados. O problema é que em “Seis Anos...) não existe nenhuma forma de contato com a banda, nem site, em E-Mail ou telefone. Na demo “A Grande Batalha” existe apenas um endereço de E-Mail para o qual mandei uma mensagem e retornou como “Inexistente”. Foi apenas uma falha na impressão das capas ou a banda não quer ser encontrada? Com a palavra o “Imperial”.

A seguir as letras dos dois trabalhos da banda "Imperial":

Além do Horizonte
Uma estranha chuva cai
cinza, seca e corrosiva
e outra contestável verdade sobe
tão brilhante, tão nociva

Ouvi falar de homens
capazes de atravessar o mundo
atrás de uma miragem
ouvi falar de homens que não tombam
enquanto houver sangue
enquanto houver um osso inteiro
no qual possam se apoiar

E homens que entregaram
Suas vidas à Deus
e na fé morreram
esperando a volta da luz do mundo
ouvi falar de homens que trouxeram pedaços do
céu para a terra.

Pele Sintética
O sol rasga o meu rosto
com os dentes da loucura
e eu sinto nossa vida
tão pulsante e quente
quanto pele sintética

Estamos num trem cheio de víboras
vagando à beira do abismo
e seus olhos estreitos brilham
quase tanto quanto seu passado

Assim as montanhas somem
assim nos separamos
e não esconda o rosto
enquanto nossas coisas viram pó

A chuva bate no meu rosto
gelada como o beijo de um lagarto
e eu sinto sua tempestade
e eu sinto sua pele

Nas cidades onde mora a fome
todos gozam a inanição
com os olhos satisfeitos.

Pequenos Répteis
Pequenos répteis e espectros negros
moram comigo rastejam aos meus pés
e eu volto de um tempo que ainda virá
no meio de tanta ilusão
a minha própria voz vai me guiar.

Não dê atenção à tudo o que é bonito
você fica deslumbrado
e então você é engolido

Pequenos répteis e espectros negros
me isolam de toda a estupidez
então mostrarei à vocês
coisas difíceis de aceitar
olhando pela primeira vez

Rebateremos qualquer apelação sufocaremos
qualquer insurreição
pode estar errado mas está feito
eu busco
eu falho
eu não sei nada a meu respeito.

Eterna
Nunca estivemos tão longe
De sua bênção
De seguir os seus passos
Agora o mundo é menor
Mas só será bom
Quando estivermos em seus braços

Onde o calor e o frio
Não tocam nossa alma
Onde o pão não falta
Onde anjos caminhão sobre a água

E toda a solidão que te tortura
é veneno
a fruta podre que você não come
é dignidade
a força dos grandes homens
e todo o momento
que deveria durar para sempre
é a verdade
é a vida que te espera.

Cores
Qual é a cor que eu canto agora
qual é a cor que nos separa
qual é a cor que eu acredito
qual é a cor da indecisão
estampada no próximo desvio
diz criança
qual á cor que agora eu visto

Contra mim já não importa o que fizeram
Já não importa o que foi dito
Estou num trem
Que nunca chegará ao seu destino

Ao seu toque a pele escorre
a preciosa carne
é transformada em carvão
e o que sustentava
agora são ossos jogados pelo chão

E você diz
não venha à mim
se não for pra se entregar
e não se aproxime
se não for pra me adorar
eu imploro acorde
você está entorpecida
e não consegue mais ouvir
o tempo acabou
nossas palavras mortas
já não conseguem mais ferir

Um ideal proscrito
o terror e a propaganda
é essa a cor que agora eu visto.

Automática (O Meu Tipo de Fé)
O coração eletrônico bate
mas o mal faz o sangue correr
o olho elétrico disseca
fotografa você

O corpo mecânico excede
totalmente exaurido
desfeito de tudo o que tinha a perder
disposto a não se entregar
disposto a nunca parar
tudo em nome da fé
ou tudo em nom da obsessão

O Povo Pagão
Fingimos dia e noite
nos fartamos de mentiras
falamos a verdade
fazemos do amor nossa ruína

Atracando nos portos
correndo nas estradas
por quilômetros de trilhos
a era do livre comércio
primeiro espalham a doença
depois vendem o remédio

Está em tudo o que está escrito
em tudo o que se lê
você é lei contra mim
eu sou o mundo contra você

E fingimos dia e noite
nos fartamos de mentiras
e falamos a verdade
fazemos do amor nossa ruína
procuro vida nas ruas
procuro vida nas multidões
mortos comandando empresas
mortos servindo seus patrões
comprando e vendendo
mortos nascem aos milhões

O povo pagão chora
E ninguém vela seu choro
O povo pagão chora
roubaram uma perna
do seu bezerro de ouro

Oh, Jesus
porque demora tanto
só Deus sabe o quanto
este povo sofre
ao ver a madeira apodrecendo
e os pregos enferrujando

É tão profundo
tão fácil de entender
você é o mundo contra mim
eu sou o mundo contra você

É tão profundo
tão fácil de entender
orgias
que estas paredes não podem ver
coisas passadas
que ainda estão pra acontecer.

A Grande Batalha
Sente-se aqui e ouça a história
do verbo que se fez máquina
da máquina que se fez homem
de um atormentado isolamento
de repulsa
voracidade
a perda da sensibilidade

A paixão me movia
eu era invencível
mas a vitória é uma mentira
onde criminosos reis sanguinários dizem:
“Sou Deus!”
e os povos se ajoelham

A paixão ainda me move
e não temo derrota
não precisei morrer
aprendi muito com uma pequena ferida
combato na grande batalha
a busca eterna
a guerra que dura uma vida

Já fui rei
fui deposto e jogado ao povo
mas quem conhece
os caminhos do destino
meu coração tem sede de conquista
fui deposto e jogado ao povo
mas amanhã serei rei de novo

Homens continuam morrendo
a troco de nada
morrendo por causa de bebida
morrendo pela espada

Uma porta se abre e vejo uma serpente
com a cabeça e o coração
semelhantes aos meus
ela me diz uma verdade e uma mentira
me aconselha a oferecer minhas forças
e me lembra que a voz do povo
nunca foi a voz de Deus.

Nota do Editor: Depois de publicada a resenha, Fabio Sliachticas respondeu nosso E-Mail, explicando que a banda não existe mais e que atualmente, além de trabalhar com histórias em quadrinhos, tem o projeto de retomar o projeto da banda, mas sem integrantes fixos.

Nota: 9
Cotação:
Registro no E.D.A. da F.B.N. : 513.861 - Livro 974 - Folha 209
.ComPacto - Patrulha do Espaço
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A Grande Batalha e Seis Anos Queimando na Terra de Ninguém - Imperial
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A New Beginning... - Sunflower
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Arena of Aliens e Flying N´Floating - Sunroad
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Carcaça - Carro Bomba
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Esperanza - Brasil Papaya
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Festival do Desconcerto - Seu Zé
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Jaywalker - King Bird
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Kim Kehl & Os Kurandeiros - Kim Kehl & Os Kurandeiros
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Lírio de Vidro - Lírio de Vidro
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Mambo Jambo - Kim Kehl & Os Kurandeiros
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Nas Ruas do Homem Entre Guias de Spleen - Uivo Beat
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Nervoso - Carro Bomba
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Norman Bates - Norman Bates
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Pedra - Pedra (3)
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Pedra - Pedra
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Segundo Atentado - Carro Bomba
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Spectro - Spectro
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Volts - Tomada
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Walking and Sliding - Norba Zamboni
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