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NERVOSO
Barata Cichetto
CARRO BOMBA

Nervoso

Ano: 2008
Gravadora: Independente
Músicos:
Rogério Fernandes - Voz
Marcello Schevano - Guitarra e Côros
Fabrizio Micheloni - Baixo
Fernando Minchilo - Bateria

Coros Adicionais:
Nando Fernandes, Xande Saraiva, Mariana Schevano
Faixas:
1 - Punhos de Aço
2 - Sangue de Barata
3 - Bomba Blues
4 - Fui
5 - Válvula
6 - O Passageiro da Agonia
7 - O Foda-se
8 - O Foda-se II
9 - Intravenosa
Síte: http://www.carrobomba.com.br
Contato/Pedidos: fabriziomicheloni@yahoo.com.br
O terceiro CD da banda “Carro Bomba” tem por título um adjetivo que define claramente seu conteúdo: “Nervoso”. Mas também poderia ter outros como: “Visceral”, “Cáustico” ou “Animal”. É uma porrada atrás da outra, de uma banda que tem apenas três anos e três CDs gravados. Desde o primeiro “Carro Bomba”, passando por “Segundo Atentado”, a banda, inicialmente um “Power Trio” e agora um quarteto com a entrada do ex-Golpe de Estado Rogério Fernandes, deixa claro ao que chegou, definindo inclusive em suas próprias letras: “Rock é pra descer o braço/pra fazer direito/Rock é pra bater no peito.”. É parte da declaração contida na primeira faixa deste CD Nervoso, “Punhos de Aço”.

É uma porrada atrás da outra, um ataque atrás do outro. É honesto e bem construído, e eu gosto de coisas honestas e bem construídas; coerente dentro de sua proposta de ser uma banda de Rock Pesado, e eu gosto de coerência e de bandas de Rock Pesado. Quanto mais pesado, um tanto melhor, quanto mais coerente, honesto e bem construído, outro tanto melhor ainda. E a “Carro Bomba” é tudo isso.

Uma coisa que tem que ser destacado na banda é o cuidado com as letras, conteúdo pesado e consistente, bem a calhar com a moldura sonora. As letras do “Carro Bomba” tem algo a falar e bem. Bem distante da mesmice das letras cheias de arrotos machistas e arrogâncias sexistas bem comuns em bandas brasileiras. Como se o cidadão não fizesse mais nada na porcaria da existência a não ser transar, encher a cara e andar de carro ou moto...

“Nuvem negra me deixa em paz/ o corpo sente a calma/não cabe na ampulheta/ o deserto de minha alma...” em “Fui”; “Na tela o desenho/ rascunha o desespero”, em “Válvula”; “A mão do carrasco / a faca nas costas / o beijo na face / a sombra da morte”, em “O Passageiro da Agonia”... São algumas das pedradas...

Sempre bati na tecla de que bandas de Rock precisam de boas letras e sempre escutei desculpas tolas e esfarrapadas, que apenas deixam claro a falta de capacidade dos “compositores” que construírem algo com conteúdo. Portanto o “Carro Bomba” surpreende e ganha pontos com a questão das letras. Agora quando analisamos o sentimento bruto que o som nos remete, quando sentimos o baixo ensandecido e propositalmente demente (escutem a introdução de “Bomba Blues”) que sai das mãos de Fabrizio Michelloni; da guitarra extremamente técnica mas furiosa de Marcello Schevano; das baquetas precisas e incendiárias de Fernando Minchillo e da garganta “plant-iana” e “dio-nísica” do mestre Rogério Fernandes, temos a certeza que estamos diante de uma banda que é pura emoção caótica, fúria exacerbada, demência sistêmica e uma porção de outros termos que definem, ou ao menos tentam definir o som do “Carro Bomba”. O melhor mesmo é retornar ao texto do início desta resenha e fechar a definição deste petardo bélico: “NERVOSO”.

Apenas dois comentários para encerrar a resenha sobre, ao menos em minha opinião, o melhor CD de Rock feito nos últimos tempos: as ilustrações de André Kitagawa sobre as letras do CD estão perfeitas e caem como uma luva. André com certeza bebeu das águas do rio Mutarelli e por isso, mas não apenas por isso, é um trabalho artístico magnífico.

E finalmente, a faixa 2 de “Nervoso” é chamada “ Sangue de Barata”, mas não tem nada a haver com aquela que tem letra minha e música de Cezar Heavy, gravada pela Tublues.

Enfim, o que estás esperando que ainda não desligou o computador e saiu correndo atrás do terceiro CD do “Carro Bomba”???
Nota: 9,5
Cotação:
Registro no E.D.A. da F.B.N. :513.861 - Livro 974 - Folha 209



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Todos os textos, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, e foram registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Não é permitida a publicação em nenhum meio de comunicação sem a prévia autorização do autor, bem como o uso das marcas "A Barata" e "Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade". Lei de Direitos Autorais: 9610/98.

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