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ANGÚSTIA

Angústia

Barata Cichetto
Sangue de Barata
Meu peito queima em mil bombas de napalm ardentes
O meu sangue que outrora corria nas artérias em torrentes
Parece congelado, petrificado, deixando meus dedos dormentes
Então aperto o maxilar, mordo a língua ranjo os dentes.
Até quebrar em pequenos pedaços com dores indiferentes
Porque a dor maior queima igual a chamas ardentes
Pergunto a mim o que causa uma dor tão aguda
Ao poeta busco a resposta, ajude Pablo Neruda!
Mas o poeta está morto e nem carteiro sou, alguém acuda!
Porque a dor mata de forma cega, surda e muda
Foi ela quem matou a Cristo, a Platão e a Buda
E eles sabiam o que lhes causava uma dor um tanto aguda.
A dor da angústia chega igual a um bando de indigentes
Imaculada mas perigosa igual a camas de doentes
Enorme, infinita, muito maior que o Deus dos crentes
Praguejo mesmo contra ela, amaldiçôo seus descendentes.
É que uma dor tamanha embola pensamentos e mentes
Devorando tudo, faminta igual um bando de indigentes.
Muitos dirão que a angústia é do poeta o braseiro
Entretanto não sou poeta, ao menos sou carteiro.
Sou apenas aquele que rabisca em portas de banheiro
Inculto, pobre, sou portador do dia, a noite sou porteiro
Apenas sou aquele que grita quando, lhe espetam o traseiro
Não, não sou poeta, nem ator, nem cantor, sou braseiro.
Apelo a magos, filósofos, padres e outros tipos de dementes
Mas minha resposta é sempre de que a dor que sentes
É menor que a fome e a doença de outras gentes
Pouco importa a mim onde brotam outras sementes.
Sei apenas que meu peito arrebenta as suas correntes
Desejando carregar-me a sepultura ou a companhia dos dementes.
A lâmina cortou a jugular, o sangue quente agora escorrendo
Tranqüila e quente é a sensação de estar morrendo
Em minha cabeceira o poeta, o carteiro e um rosto horrendo
Tento inútil erguer meu corpo morto e sair correndo
Agora é tarde, amigo, declara o carteiro socorrendo
É muito tarde, arremata a angústia, também estou morrendo!
30/7/2000

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 505.850 - Livro 958 - Folha 96

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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