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DOMÍNO PÚBLICO

Domíno Público

Barata Cichetto
1958
Em minhas lides poéticas sempre foi ela a morte
Aquela que ocupou o lugar de adorada consorte
Sempre a tratei por amante sempre com muita dor
Mas ao falar de bucetas sofro a ira do ditador.

Bater punhetas poéticas, comer bucetas estéticas
Aquele que não entende que permaneça em seu lugar
Eu sou poeta e não obedeço às suas regras céticas
Sou Poeta e a minha liberdade ninguém irá alugar.

Porque incomoda tanto a tantos a minha desgraça
Quando é a mim que a dor a alma ainda arregaça?
Porque amado de Jesus, não és consigo honesto
Deixando que eu e a minha dor façamos o resto?

Senhoras e senhores, saibam que sou eu um errado
Bem acima de um Poeta e muito abaixo de um Profeta
Ao contrário de todos, sou louco, fudido e ferrado
Hipocrisia é maldade. Não sou hipócrita, sou poeta.

Então saibam, senhores e senhoras donas das próprias tetas
Que gosto de falar de dor, mas adoro falar de suas bucetas
Poesia não é jornal portanto não limpe a sua bunda com ela
Não reclamem que estou nú, parem de espiar em minha janela.

Cortei meus pulsos e sangrei até quase morrer
Mas apenas notaram quando atrasou o crediário
Porque eu não tinha que partir nem que correr
Tinha que chorar calado, agüentando o calvário.

Quem nunca aplaudiu não tem direito a vaiar
E quem não brilhou não atrapalhe o meu raiar
Não desejo o seu desejo e não quero sua vida
Seu remédio não é capaz de curar minha ferida.

Não, não posso chutar a minha história longe de mim
Ela é de domínio público eu não guardo meus segredos
Sim, tenho uma história com inicio e ainda sem um fim
E não retirarei gentes e fatos apenas por seus medos.
23/9/2006

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Registro no E.D.A. da F.B.N. : 505.851 - Livro 958 - Folha 97

1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

A Aranha (Trecho) 1/9/1980

A Artesã e O Poeta 11/9/2008

A Balada de Izabel Cristina 28/12/2013

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