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Todos os textos e poemas publicados em A Barata, exceto quando indicados, são de autoria de Luiz Carlos Giraçol Cichetto, nome literário Barata Cichetto, registrados no Escritório de Direitos Autorais. Proibida a cópia e uso sem autorização do legítimo proprietário, sob as penas da Lei.

À SOMBRA DE OBJETOS INEXISTENTES (ANTES DO COMEÇO E DEPOIS DO FIM)

À Sombra de Objetos Inexistentes	
(Antes do Começo e Depois do Fim)

Barata Cichetto
Cohena Vive (Antes do Começo e Depois do Fim
Apenas lunáticos enxergam o lado escuro da Lua, mas quem percebe a sombra de objetos inexistentes?
Antenas parabólicas refletem nas paredes das casas a sombra da modernidade.

Sombras de corpos nus refletidos nas paredes de um quarto de motel vagabundo, reflexos de objetos de desejo inexistentes.
O desejo morto, esfacelado a golpes de uma marreta cuja sombra reflete no lençol imundo em forma de sangue rubro.
Desejos mortos são sombras apenas.
Qual a forma da sombra da minha alma?

Reflito, aflito, sobre a superfície do seu corpo, deitada ao meu lado depois de chupar meu pinto.
Estarei morto antes do amanhecer? Serei sombra antes de anoitecer?

E agora seguras minha cueca entre seus dentes e eu observo a sombra da fumaça do seu cigarro e penso que o desejo é igual fumaça, apenas sombras...
Estamos aqui deitados juntos, numa cama de motel barato e meu corpo reflete a sua sombra. Espelhos no teto, um céu de corpos nus e eu nem consigo beijar o céu enquanto chupas com desejo aquilo que chamas de seu.
Pink Floyd rolando em um velho disco negro de vinil enquanto Syd Barrett ignora o corpo nu de Karinne e eu desejo ao seu.
Um alto-falante solta estalidos da agulha deslizando sobre a superfície do disco enquanto eu solto grunhidos ao deslizar meu pinto sobre a superfície dos seus lábios.

Um domingo de sol desses, eu levo minha sombra para visitar um parque qualquer, carregando em meu embornal um par de sanduíches de carne de elefante efervescente.
A música é a sombra sonora do espírito.

Estamos nós dois agora esperando um ônibus que não chega, atrasado feito a vida.
Dói a falta de esperança, de não saber quando chega esse último ônibus que nos carrega em direção ao aconchego da noite.
Não tentes prender minha sombra, não tentes entender minha poesia. Não tentes entender minha sombra.
A noite gera sombras, estamos todos perdidos dentro de sombras de objetos inexistentes.

Cobertos pelas sombras da morte, nus perante o Universo sem sombras. Não existe sombra no espaço sideral, mas há sombras em minha mente.
Reflete a luz dos postes da rua no meu corpo que escurece sua pele branca à sombra de um objeto inexistente.

Logo, minha querida, estaremos todos mortos e mortos não geram sombras.
Da luz nasce a sombra e da dor a poesia. Portanto, em uma matemática ilógica, não existe luz sem poesia.
Minha poesia é a sombra da minha alma, refletida sobre os muros descascados e sujos da sua mente.
Apenas sombras escuras de objetos inexistentes.

Antes do começo e depois do fim existe a poesia. Há a sombra, existe o desejo. Obscuro e escuro objeto de desejo.
Sobram as sombras, restam os restos. E as sombras das antenas parabólicas não refletem meu sentimento, nem captam minha emoção.

Muros cercam os olhos, impedem a visão e eu nem sei quando podemos apanhar um ônibus que nos carregue em direção ao lado escuro da Lua.
Syd Barrett é um São Jorge moderno domando com sua lança psicodélica, um elefante efervescente de olhos de cristal.
Enquanto nos olhamos, esperamos um ônibus cuja sombra nas paredes das casas refletem a angustia da espera e o desespero de não poder chegar a lugar nenhum. Porque as sombras chegam primeiro sem nunca chegar.
Syd Barrett não mora mais aqui, Alice é presidente do País das Maravilhas e a Revolução acabou.
Somos todos mortos, somos todos poesia. A poesia quanto a morte não gera sombras e, portanto somos, enfim, apenas sombras de objetos inexistentes.

Antes do começo e depois do fim... A sombra...
De objetos inexistentes.

21/3/2012

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Registro no E.D.A. da F.B.N. :
1 - "Leve Um Homem Ao Matadouro..." 11/2/2002

1958 25/6/2004

2 - "...O Que Berrar na Hora da Faca é o Homem..." 11/2/2002

3 - "...Mesmo Que Seja o Boi!" 11/2/2002

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